Apatia dos estudantes japoneses preocupa especialistas

Estudo da OCDE constatou que desempenho dos japoneses segue elevado, mas falta interesse pelo aprendizado

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SÃO PAULO – Em pesquisa junto a estudantes de 41 países, a Organização para Economia, Cooperação e Desenvolvimento (OECD) constatou uma queda no desempenho escolar dos estudantes japoneses. Para o periódico japonês, Asashi Shimbun os resultados merecem uma análise detalhada.

Segundo a pesquisa, os alunos japoneses ainda estão entre os melhores em matemática e ciências, como indicado no primeiro levantamento do gênero há cinco anos atrás. Uma análise detalhada dos resultados da pesquisa revela, contudo, uma deterioração significativa na capacidade dos estudantes japoneses interpretarem textos, diagramas e gráficos.

Interesse pela matemática caiu

Como parte do seu estudo a OECD também analisou os resultados de um questionário especifico sobre o aprendizado de matemática, que procurou entender não apenas o ambiente escolar, mas, sobretudo, a postura dos alunos frente ao estudo. Foram os resultados desse questionário que preocuparam os especialistas em educação do país.

Apenas 25% dos estudantes japoneses afirmaram ter facilidade em aprender matemática, percentual que cai para 10% no que refere aos temas mais complexos. Em ambos os casos o resultado foi o mais baixo registrado entre os 41 países analisados. Preocupa o fato de que, mesmo os alunos que tiveram um bom desempenho nos testes de conhecimento, afirmaram que não se sentem confiantes com o seu desempenho.

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Além disso, o interesse pela matemática também parece ter diminuído já que apenas 32% dos estudantes japoneses declararam interesse naquilo que aprendiam. Quase metade dos alunos consultados estuda matemática apenas pela possibilidade de aumento nas oportunidades de trabalho. Finalmente, 41% dos entrevistados acreditam que aprender matemática é fundamental para o alcance de suas metas acadêmicas.

Emocionalmente afetados?

O quesito social também afeta os estudantes japoneses hoje, que afirmam não ter prazer em estudar: 18% dos alunos declararam que a escola lhes provoca mal-estar, enquanto 30% afirmam se sentir sozinhos com o ambiente acadêmico.

Curiosamente, mesmo com toda essa falta de estímulo e má aceitação da escola, os alunos japoneses são os mais quietos e silenciosos. A pesquisa também constatou que apenas 14% dos alunos afirmaram que os professores enfrentam dificuldades para começar as aulas de matemática devido ao barulho. Esse foi o menor percentual dentre todos os países analisados, o que sugere, que, ao menos, com relação a disciplina os estudantes não mudaram sua postura.