Antecipação do 13º salário deve reduzir inadimplência no meio do ano, prevê SPC

Após aumento de 3,87 milhões de registros em maio, lista de maus pagadores pode diminuir com capitalização dos trabalhadores

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SÃO PAULO – Depois da maioria dos índices de inadimplência registrar elevação nos meses de maio e junho, como revelam a Serasa, a Fecomercio-SP e o SPC, a expectativa agora é de queda em julho, quando os trabalhadores começam a receber o adiantamento do décimo terceiro salário e podem direcioná-lo para a regularização de seus compromissos financeiros em atraso.

A opinião é do presidente do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), Araken de Carvalho Novaes, que constatou aumento em maio de 3,87 milhões de registros de inadimplência no banco de dados da instituição, mas acredita na reversão deste quadro em julho. “O acréscimo de parte do décimo terceiro salário dá mais fôlego ao consumidor, que tem procurado acertar as contas quando se capitaliza”, afirma.

Segundo Novaes, é importante que as pessoas busquem a reabilitação do crédito ainda no meio do ano, para que cheguem no período de Natal, época mais marcante para o varejo, capacitadas a adquirir mais crédito e dispostas a consumir.

Estatísticas confirmam previsão

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A previsão do SPC de que a inadimplência caia em julho se ancora em números e estatísticas históricas.

Para se ter uma idéia, somente na esfera da administração federal, quase dois milhões de servidores públicos devem receber a antecipação do décimo terceiro salário, de acordo com informações do ministério do Planejamento. Já no âmbito da iniciativa privada, bancos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Real já disponibilizaram linhas de crédito específicas para a antecipação do abono salarial.

O comportamento do índice de inadimplência no ano passado também confirma a tese de que haverá retração do indicador no próximo mês. Em julho de 2004, a quantidade de pessoas que limparam seus nomes e deixaram o banco de dados do SPC foi 22,60% maior que a verificada em junho. Este resultado fez com que o número de exclusões da lista de maus pagadores superasse em um milhão de pessoas o volume de inclusões.