Ameaça de demissão: conheça os motivos e saiba como reagir

Como diz o ditado, quem cala consente, por isso, para o consultor do Grupo Soma, a melhor solução é a conversa

SÃO PAULO – Existem alguns fatores que ocasionam as ameaças de demissão. O primeiro é o despreparo da liderança. Há quem tenha dificuldade de separar o pessoal do profissional. “Alguns líderes se sentem inferiores e pressentem a ameaça de perder o lugar a algum colaborador mais talentoso”, explica o consultor do Grupo Soma, Celso Eduardo da Silva.

Por outro lado, o profissional pode acabar sendo ameaçado, quando não tem a humildade de aceitar as facetas que precisa melhorar. “Quando o colaborador não escuta e não nota seus erros, ao mesmo tempo em que apresenta resultados insatisfatórios, pode acabar sendo ameaçado de demissão”, acrescenta o especialista.

Ele lembra que profissionais de todos os cargos podem ser ameaçados, sendo que essa situação constrangedora pode se dar entre colegas do mesmo nível hierárquico. Existem ainda as ameaças indiretas, que estão implícitas nos discursos e podem ser feitas pelo chefe ou pela equipe. “Se um profissional não se relaciona bem com seus colegas, o próprio grupo acaba excluindo-o das atividades cotidianas.”

Conseqüências

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Os resultados das ameaças podem ser catastróficos para a empresa. “Dependendo da forma como a ameaça é feita e da constância, pode ser caracterizada como assédio moral. Se causar um desgaste psicológico e for freqüente, certamente se trata de assédio”, explica. Ou seja, frases como “você não presta para nada” ou “se não ganharmos o projeto, você está na rua” podem causar brigas na Justiça.

A organização também corre o risco de perder um ótimo profissional. E não é só isso. “Ela pode acabar perdendo inúmeros bons profissionais, pois, uma vez que a má fama da empresa se espalha, os melhores irão se recusar propostas advindas dela”, afirma Silva.

E se o profissional não estiver preparado para agüentar a pressão, seu rendimento no trabalho irá, provavelmente, diminuir. “O colaborador ameaçado fica com dificuldade de raciocínio e não se desenvolve nem rende no dia-a-dia”, analisa.

Saídas

No lugar de retrucar, convoque uma reunião e dialogue. A melhor solução é a conversa aberta, que irá minimizar as agressões psicológicas. “O profissional deve discutir em quais pontos está falhando e o líder precisa apontar, com clareza, como ele pode melhorar. Não há nada como uma boa negociação entre as partes.”

Como diz o ditado, quem cala consente. Portanto, não fique quieto. “Se o trabalhador ficar calado, acabará demitido mesmo. Por mais que queira evitar conflitos diretos, a interpretação geral será de que ele não está preocupado em saber onde está errando”, argumenta.