Acordo ortográfico amplia mercado de trabalho

"Acabará tendo um aumento de contratações na parte da revisão", afirmou a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Rosely Boschini

SÃO PAULO – O novo acordo ortográfico, que passou a valer desde o primeiro dia de 2009 e visa a integrar o Brasil com outros países que falam a língua portuguesa, também pode trazer outra consequência positiva: ampliar o mercado de trabalho editorial.

Isso porque os livros reeditados deverão adotar as novas regras e, para isso, muitos revisores terão de ser contratados. “Isso implica um aumento de contratação na parte da revisão”, afirmou a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Rosely Boschini.

Para se ter uma noção de quantos profissionais precisarão ser contratados, ela disse que em 2007, dos 45 mil títulos trabalhados, 15 mil foram novos. O restante, por sua vez, foram as novas tiragens, segunda, terceira, quarta edição, que precisam de revisão.

“Se pensarmos numa média de 250 páginas por livros, será preciso realizar um investimento de R$ 1,2 mil na parte de revisão em cada livro. Então, será feito um investimento de mais de R$ 30 milhões para as novas tiragens”, explicou ela.

Crise

Rosely disse “ver um esforço fantástico por parte das editoras em estar no acordo ortográfico”. Porém, ela disse que a crise financeira global pode ter algum tipo de impacto no setor, o que deve conter um pouco as contratações.

“Imaginamos um crescimento do mercado de livros de 5% para este ano, porque o cenário econômico está mais complicado. As editoras têm de estar muito alinhadas no que diz respeito à nossa realidade”. Questionada sobre como a ampliação do mercado de trabalho se dará, diante de um cenário de crise, ela afirmou que será gradativamente, conforme as novas tiragens forem sendo necessárias.

Em relação ao mercado de trabalho editorial, Rosely afirmou ser muito profissionalizado, mas considerou existir uma escassez de bons profissionais. “Que tenham conhecimento da área que atua, experiência e muita prontidão”.

Acordo

O mercado de trabalho ainda se amplia em editoras que querem participar de licitações do governo este ano, as quais terão que publicar os livros obrigatoriamente pelas novas regras do acordo ortográfico.

A reforma ainda abre um mercado para as editoras dentro de países com a língua portuguesa, como Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste. Ao todo, são aproximadamente 240 milhões de pessoas que falam o português no mundo.

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Considerando o vocabulário completo, o acordo deve modificar apenas 1,42% das palavras em Portugal e 0,43% no Brasil. Em princípio, haverá um prazo de três anos de adaptação. Nesse período, as duas formas de grafia irão conviver. A partir de 2012, as novas regras passam a vigorar definitivamente.