Abandono precoce de medidas de estímulo pode prolongar crise do emprego

Estima-se que 5 milhões de trabalhadores possam perder o emprego, caso os governos retirem seus apoios, diz OIT

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Um dos efeitos da crise internacional foi o fechamento de postos no mercado de trabalho. Com a recuperação econômica, entretanto, passou-se a ter a falsa impressão de que a chamada “crise do emprego” também já havia passado, fato que pode agravar a situação de desemprego ao redor do mundo, segundo informa relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

De acordo com a entidade, a crise do emprego prevalece e pode se agravar caso os governos abandonem precocemente as medidas de estímulo para a criação de novos postos.

“A crise mundial do emprego não acabou. Assim, é fundamental evitar o abandono precoce de medidas de estímulo. Em resumo, a recuperação da economia permanece frágil e incompleta, enquanto que a crise do emprego continua. A recuperação real só será alcançada quando os níveis de emprego se recuperarem”, afirma o diretor do Instituto de Estudos do Trabalho da OIT e organizador do estudo, Raymond Torres.

Desemprego

Aprenda a investir na bolsa

Estima-se que 5 milhões de trabalhadores possam perder o emprego, caso os governos retirem seus apoios. O risco é especialmente mais alto para os profissionais menos qualificados e com idade mais avançada.

No caso dos jovens e das mulheres, as maiores dificuldades seriam a entrada no mercado de trabalho e a manutenção de competências.

No que diz respeito à situação do trabalho nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, a OIT diz que, entre os primeiros, já há sinais da diminuição do número de pessoas com idade para entrar no mercado de trabalho e, entre os segundos, observa-se a diminuição de empregos de qualidade e a maior movimentação de pessoas para o mercado informal.

“Esta crise não é apenas sobre pessoas que perderam seus empregos, mas também sobre as pessoas que não têm mais opções para continuar procurando por um”, disse Torres.

De volta ao trabalho

Ainda de acordo com o documento da OIT, trazer as pessoas mais cedo de volta ao mercado de trabalho pode custar menos ao poder público do que tomar medidas posteriores. Uma boa política de retomada de estímulos, focada na recuperação dos postos de trabalho, poderia aumentar em 7% os níveis de oferta de emprego.

Com base no últimos estudos de crescimento do FMI (Fundo Monetário Internacional), a OIT estima que os níveis de emprego e renda não devem retornar aos níveis pré-crise antes de 2013, a menos que medidas mais enfáticas sejam tomadas.

PUBLICIDADE

No que diz respeito aos países em desenvolvimento, os níveis de emprego e renda da população poderiam ser retomados em 2010, mas só devem alcançar os níveis pré-crise em 2011.