A difícil decisão de escolher um curso de ensino superior

Em 2009, MEC desativou cursos de 29 instituições no País, além de descredenciá-las por causa da baixa qualidade do ensino oferecido

SÃO PAULO – Fazer parte do grupo de universitários brasileiros não é tarefa fácil. Além da questão financeira, muitos estudantes ficam à mercê das instituições de ensino que por vezes estão “inadequadas” para exercerem a função de educadoras.

No ano passado, o MEC (Ministério da Educação) desqualificou cursos de 29 instituições no País. Muitas foram descredenciadas por causa da baixa qualidade do ensino oferecido.

Em Medicina, por exemplo, mais de 730 vagas foram cortadas por não apresentarem bases para uma boa qualidade de ensino. Já no curso de Direito, esse número foi de 20 mil. Os dados remetem a uma questão importante: como escolher um curso apto de nível superior?

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Os caminhos para o ensino
Por meio de análises, o MEC classifica os indicadores das instituições no Brasil. Esses parâmetros, criados a partir de avaliações do ministério, funcionam como um subsídio ao aluno que está em busca de qualidade.

Ferramentas não faltam. Entre elas, está o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), uma espécie de medidor dos conhecimentos de alunos ingressantes e concluintes de cursos de graduação.

Outro exemplo é o Cadastro das Instituições de Educação Superior, que traça uma lista das instituições credenciadas pelo ministério e os seus resultados nas avaliações.

“É importante obter informações sobre os conceitos da instituição, a infraestrutura, o corpo docente e até mesmo a credibilidade da instituição no meio produtivo e entre os empregadores”, afirma o presidente da CNE (Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação), Paulo Barone, à Agência Brasil.

Mensalidades
Para muitos estudantes, arcar com a mensalidade integral torna-se um embate feroz. Mas, segundo Barone, o cenário de se matricular em uma faculdade mais barata só para conseguir o diploma está mudando, o que faz com que esses alunos desembolsem mais por melhor qualidade.

“Aquele papel meramente cartorial, a ideia de se matricular numa faculdade só para ter um diploma, está mudando. As pessoas estão mais críticas em relação a isso”, diz.

De acordo com a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, recorrer ao crédito universitário pode ser uma saída para esses estudantes. “O acesso ao crédito hoje é muito grande, então, se o aluno quer estudar em uma boa instituição, não importa se o preço é alto, porque ele pode pedir o financiamento”, afirma.

Na avaliação de Maria Paula, o Brasil necessita da criação de uma cultura que preze pela qualidade. “A educação não representa apenas um certificado, é um processo de formação. A instituição precisa ter professores qualificados, um bom projeto pedagógico, material didático de qualidade. As pessoas têm de valorizar o aspecto de fundo da educação, que é o da formação dos alunos, do desenvolvimento deles como cidadãos”, explica.