2011 é ano de mulheres se firmarem em cargos antes ocupados por homens

Exemplos são presidentes da República, do Flamengo e da Amanco, a DJ campeã e a chefe da Polícia Civil do Estado do RJ

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SÃO PAULO – O ano de 2011 será marcado por muitas mudanças em cargos tradicionalmente ocupados pelos homens. Além de ser uma mulher no comando do País, Dilma Rousseff escolheu outras nove mulheres para liderar ministérios nos próximos quatro anos de governo.

Engana-se quem pensa que elas estão apenas no Palácio do Planalto. Muitas empresas têm cada vez mais ocupado cargos estratégicos com mulheres. “Já podemos observar uma confiança maior nas capacidades das gestoras, por parte das empresas que atendemos”, afirma a headhunter e diretora da regional sul da De Bernt Entschev, Ruth Bandeira.

A presidente da Amanco desde julho de 2009, Marise Barroso, acredita que a maior vantagem de ter uma mulher na liderança de uma companhia é que ela tem maior facilidade para dar feedback.

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Porém, ela pondera: “O sucesso de toda empresa está na diversidade de sexo, idade e cultura”. Por isso, Marise tem duas mulheres e três homens em sua diretoria, para que as diferenças se complementem.

O equilíbrio de Marise Barroso
Ela acredita que é importante a igualdade de oportunidades e de direitos, mas cada um tem de manter a sua essência. “Você querer que a mulher seja mais masculina e o homem mais femino, eu acho que isso é um erro”, explica.

Formada em Comunicação Social e com mestrado em Comercialização, ela trabalhou em empresas do varejo, tecnologia, produtos de consumo, mídia e serviços, até que assumiu a diretoria de Marketing da Amanco, em 2005.

“Da mesma maneira que o homem se planeja para fazer a pós-graduação no momento que tem de fazer e efetivamente se casar no momento que tem de casar, eu acho que a mulher tem de fazer a mesma coisa”. E Marise se planejou: casou aos 30 anos, quando era diretora de uma empresa, e engravidou depois de concluir a pós-graduação. Hoje a filha tem 12 anos.

E ela continua com um planejamento para equilibrar a vida pessoal e a profissional. “O meu papel de mãe é tão importante quanto meu papel de executiva. Por isso, sou capaz de me organizar para ir à reunião do colégio da minha filha, sem deixar de fazer outras coisas que também são importantes”, conclui.

Futebol sob os comandos dela: Patrícia Amorim
Pela primeira vez na história do nosso País, um clube tem em sua liderança uma figura feminina. “O Flamengo não é só futebol”, destaca Patrícia Amorim. Lá existem diversos outros esportes, inclusive a natação, na qual ela se destacou ao ganhar 28 títulos brasileiros e bater 29 recordes sulamericanos.

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“É claro que o futebol é parte inerente nesse contexto e sofri vários tipos de preconceitos exatamente por ser mulher. Concorri com outros seis candidatos homens e saí vitoriosa”, comemora a presidente. “Minha resposta aos críticos tem sido com trabalho”.

Desde que Patrícia assumiu a presidência do clube, o parquinho foi reformado, trocaram o mobiliário da piscina, reformaram vestiários, a sauna e os bares. “Na minha campanha, já dizia: vou arrumar a casa. Como posso gostar de ficar dentro da minha casa se não cuido dela?”, indaga.

Ela afirma que uma das vantagens de uma mulher no comando é que as negociações são mais tranquilas, mas sem perder a determinação. E diz já estar acostumada com ambientes masculinos. “Na época em que eu nadava, meu treinador me colocava para treinar com homens, porque assim eu seria mais rápida”, conta. Além disso, ela tem quatro filhos e um marido. Todos rubronegros? “Claro, não poderia ser diferente”.

Toca o som, DJ Lisa Bueno!
Lá em cima do palco, no comando do som, está uma das principais DJs do Brasil. Lisa Bueno se destaca em suas performances ao manter as pistas lotadas com o que há de melhor de um dos estilos musicais considerados mais masculinos, o hip hop.

Além disso, a profissional é a única mulher a participar de campeonatos de DJ, um cenário em que o número de homens é quase totalizante, com grande vantagem técnica. Não é à toa que a moça ficou com o primeiro lugar na etapa Sudeste do DMC Brasil de 2008 e 2009, competindo com vinte DJs homens.

Símbolo da força feminina em ambientes tradicionalmente dominados pelos homens, Lisa está sendo cotada para tocar em diferentes baladas, eventos e festas para comemorar o mês em que ocorre o Dia Internacional das Mulheres (8 de março).

Delegada Martha Rocha e a Polícia Civil do RJ
Em um momento em que a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro passa por algumas dificuldades, uma mulher assume a liderança da corporação. A delegada Martha Rocha, 51 anos, foi escolhida no último dia 15 de fevereiro.

Ela foi escrivã, plantonista e titular de departamentos de polícia, subchefe de polícia e de corregedora, e ajudou a inaugurar a DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), em Campo Grande (RJ), projeto do qual foi uma das idealizadoras.

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De acordo com a Ascom (Assessoria de Imprensa da Polícia Civil), durante a coletiva em que seu nome foi anunciado como a nova chefe da Polícia, a delegada, que não é casada nem tem filhos, falou sobre a responsabilidade de assumir o cargo. “Por ser a primeira mulher Chefe de Polícia do Rio de Janeiro, esse desafio vai exigir o que tenho de melhor para oferecer”, garante Martha.