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Volkswagen aposta em pegada sustentável para manter crescimento de vendas no Brasil

Marca lançará 16 modelos nos próximos quatro anos, incluindo carros 100% elétricos e híbridos

Michele Loureiro

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Até 2028, a Volkswagen lançará 16 veículos no Brasil e aposta nos modelos híbridos e 100% elétricos para atrair o público mais jovem com as novas tecnologias e o apelo de descarbonização da frota. “Posso adiantar que teremos quatro modelos inéditos produzidos no país. Serão dois na Unidade da Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), uma pick-up em São José dos Pinhais (PR) e um automóvel 100% desenvolvido no Brasil, que será produzido na fábrica de Taubaté”, diz Fernando Silva, diretor de Vendas da Volkswagen do Brasil, em entrevista exclusiva ao Infomoney.

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O executivo explica que todos os lançamentos estão dentro do pacote de investimentos anunciado recentemente pela companhia, de R$ 9 bilhões para o período entre 2024 e 2028. Os recursos se somam ao plano anterior de R$ 7 bilhões, revelado no fim de 2021 e previsto para ser concluído até 2026. “Esse aporte demonstra o compromisso com o país”, diz o executivo, sem revelar os montantes previstos para cada ano.

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Fernando Silva, da Volkswagen. (Crédito: Divulgação)

O foco do novo investimento são os projetos que envolvem descarbonização para as quatro fábricas da marca no Brasil. Em um primeiro momento serão quatro novos veículos, um novo motor mais eficiente para veículos híbridos e uma nova plataforma tecnológica, flexível e sustentável.

“Seguindo a estratégia global de descarbonização da Volkswagen, com a meta de neutralidade de carbono até 2050, o Brasil também foi escolhido como sede do departamento Way to Zero Center, na fábrica Anchieta, para o desenvolvimento de tecnologias com baixa emissão de CO2 para veículos”, diz o executivo.

Descarbonização é um dos pilares mais importantes da estratégia da Volkswagen mundialmente. A marca tem 26 anos para cumprir o objetivo de não emitir carbono globalmente. “Fomos a primeira fabricante de automóveis a assinar o Acordo de Paris. Por aqui, no Brasil, já trabalhamos reduzindo e caminhamos rumo à neutralidade. Queremos criar um ecossistema de mobilidade livre de carbono para todos”, diz o executivo.

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Logotipo da Volkswagen 18/04/2021 REUTERS/Aly Song

Enquanto a sustentabilidade ainda dá os primeiros passos, o ronco dos motores da Volkswagen foi um dos mais ouvidos no país entre os carros novos emplacados em 2024. A montadora já entregou 137.812 unidades de janeiro a maio, 29.045 carros a mais do que o registrado no mesmo período do ano passado – e segue consolidada na vice-liderança do mercado. “Somos a marca que mais cresce em volume de vendas mesmo em um mercado extremamente competitivo, que tem recebido novos entrantes todos os dias”, diz o executivo.

Em uma menção que mostra o termômetro direto da rixa com as montadoras chinesas, o executivo é taxativo: “Para se ter uma ideia, só o volume incremental da Volkswagen em 2024 já é 7% maior que o volume total de emplacamentos da marca chinesa de maior expressão no ano passado todo”, diz Silva fazendo alusão à BYD, que emplacou cerca de 27 mil carros em 2024.

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A Volkswagen do Brasil foi a marca que mais cresceu em volume de vendas no mercado brasileiro em 2023, com alta de 29% em relação ao ano anterior. O índice é quase três vezes maior que o crescimento da indústria, de 11% no mesmo período. No acumulado dos últimos cinco anos, a marca emplacou quase 1,4 milhão de unidades. “Esse crescimento não acontece por acaso. Além de ser uma marca reconhecida pelos brasileiros, temos um line-up de produtos completo e adequado para o nosso mercado e uma rede com 480 concessionárias e pontos de atendimento espalhados pelo país”, afirma o executivo.

Desafios e preços em alta

Mas nem tudo são boas notícias para a montadora. Silva destaca que os juros altos e a dificuldade de acesso ao crédito impactam as vendas do setor e reduzem a marcha na hora da evolução dos números. “Confiamos que as autoridades responsáveis encontrarão uma solução que facilite o crédito e contribua com o desenvolvimento econômico”, diz.

A alta da taxa de câmbio também é um fator que preocupa, pois impacta os preços dos veículos e pode deixá-los mais caros, uma vez que a desvalorização do real afeta os componentes e peças importados. “Além disso, o incremento de novas tecnologias de segurança e emissões, em razão das inovações legislativas, também contribuem para o aumento dos preços de veículos novos”, explica o executivo.

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Produção da Volkswagen do Brasil em Taubaté (SP). (Crédito: Divulgação)

Outro ponto de alerta, que já dá sinais de tranquilidade, foi a paralisação da produção nas fábricas Anchieta, Taubaté e São Carlos (SP) por conta das tragédias no Rio Grande do Sul, que provocaram desabastecimento nas unidades. Os funcionários, que estavam em férias coletivas desde 20 maio, retomaram o trabalho dia 3 de junho. “Toda a indústria automotiva foi afetada, mas acreditamos que o ritmo de crescimento não deve retroagir e o impacto momentâneo deve ser compensado ao longo do ano, pois a demanda continua existindo”, diz.

Ainda assim, as perspectivas da companhia são positivas para este ano. Silva prevê que a alta das vendas da Volkswagen seja superior à do mercado, que deve crescer 6,6% em vendas de veículos leves em 2024, de acordo com estimativa da Anfavea, entidade que representa o setor.

Moral elevada no exterior

O prestígio da marca também se replica no cenário internacional. Em 2023, o Brasil foi a terceira maior filial da marca Volkswagen no mundo em volume de vendas, com mais de 345 mil veículos entregues aos clientes, atrás apenas da China e Alemanha, e à frente de mercados importantes como os Estados Unidos. Além disso, a filial brasileira é o maior mercado da marca na América Latina.

Nas pouco mais de sete décadas de presença no Brasil, mais de 200 mil colaboradores ajudaram a transformar a Volkswagen na maior produtora de automóveis do país, com mais de 25 milhões de veículos fabricados. A companhia também lidera as exportações do setor automobilístico brasileiro, com mais de 4,2 milhões de unidades embarcadas.

Ainda assim, a marca não quer viver das glórias do passado e aposta em entender as necessidades dos consumidores para seguir na dianteira. Um bom exemplo, segundo o executivo, é o programa VW Sign&Drive, serviço de assinatura com contratação on-line criado para atender a maneira contemporânea de consumir carros.

Além disso, ao contrário de outras montadoras que mergulharam de cabeça nos elétricos, a Volkswagen prefere coexistir em termos de tecnologia. “Acreditamos em um futuro que engloba as três soluções: combustão (com foco no etanol, um combustível de baixo carbono), híbridos e elétricos”, diz o executivo. A companhia defende que vai oferecer as tecnologias com soluções de mobilidade sustentável de acordo com a necessidade e preferência de cada cliente.

Também há um desafio intenso sobre como conquistar a nova geração de consumidores, que vai além dos produtos. “Estamos trabalhando o reconhecimento da marca por meio de música. Queremos ser uma empresa cada vez mais conectada, moderna, vibrante e próxima das pessoas”, afirma o diretor.

A VW foi a fabricante de automóveis oficial do The Town em 2023, o maior festival de música, cultura e arte de São Paulo. Além disso, vai patrocinar pela 5ª vez o Rock in Rio este ano. Tudo isso para se aproximar dos mais jovens. Ao que tudo indica, a marca está empenhada em manter seu ritmo de crescimento.

Michele Loureiro

Jornalista colaboradora do InfoMoney