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As teles estão ampliando a oferta de serviços que combinam tecnologia da informação e conectividade (TIC), uma estratégia para diversificar as receitas e abocanhar uma fatia dos novos negócios que estão surgindo com o “boom digital” da economia. Isso tem puxado a demanda por internet das coisas (IOT), inteligência artificial (IA), armazenamento de dados na nuvem, cibersegurança, entre outros serviços do gênero.
O mercado brasileiro de TI sozinho cresceu 18,5% em 2025, superando com folga a projeção de alta de 9,5% da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes). O desempenho também ficou acima da média global, de 14,1%, com muita procura das empresas locais por TI para ganhar eficiência e criar novos produtos.
Esse cenário chamou atenção de uma das maiores operadoras da Ásia, a Singtel, que anunciou em fevereiro a abertura do seu primeiro escritório no Brasil, o primeiro também da América Latina. Lá fora, a multinacional tem 820 milhões de clientes de internet em países como Cingapura, China, Austrália e Índia. Aqui, seu foco será exclusivamente o mercado empresarial, o chamado B2B.
O carro-chefe da Singtel é a plataforma de rede como serviço (network-as-a-service), um modelo de entrega de computação em nuvem que permite às empresas usarem internet e diversas aplicações de TIC por meio de assinatura, sem ter que investir numa infraestrutura física própria. “Vemos que o Brasil está entrando em um ‘boom digital'”, disse o diretor Global de Atendimento ao Cliente, Keith Leong, ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
No Brasil, a TIM colocou o B2B como um dos seus pilares estratégicos, com planos de internet das coisas (IOT) para empresas do agronegócio, mineração e infraestrutura. Entram aí conexão em grandes áreas de fazendas, minas e rodovias, por exemplo, gerando receita de R$ 1 bilhão em 2025.
A partir daí, a TIM viu a oportunidade de criar novos negócios com base na organização e na análise dos dados gerados nessas redes, o que será feito com implementação de IA fornecida pela empresa recém-adquirida V8.Tech, especializada em transformação digital.
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“Buscaremos extrair maior valor dessa rede com o tratando da informação. A partir daí geramos dashboards para entender o negócio do cliente”, explicou o vice-presidente de B2B da TIM, Fabio Costa, em coletiva. “O grande ganho acontecerá ao trazermos essas competências sobre a infraestrutura que a TIM conquistou”.
Outra que está crescendo em tecnologia e conectividade é a Telefônica Brasil, dona da Vivo. Ano passado, ela faturou R$ 5,2 bilhões com cibersegurança, nuvem, IOT e soluções digitais, 30% mais que no ano anterior.
Pela frente, há espaço para avançar ainda mais, visto que apenas 15% das empresas que contratam telefonia e internet da operadora também contratam serviços digitais, apontou o presidente da Vivo, Christian Gebara.
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“Enxergamos grandes oportunidades de crescimento com o potencial de maior penetração da base de clientes”, disse Gebara à Broadcast. Recentemente, a Vivo ganhou um contrato de R$ 3,8 bilhões da Sabesp para instalação de hidrômetros inteligentes (conectados à internet) em São Paulo e São José dos Campos.
A Claro também é muito atuante no B2B. O grupo é dono da Embratel, que em 2025 mudou o nome para Claro Empresas. Com o desuso da telefonia fixa, a antiga estatal passou a focar no segmento empresarial, com serviços em nuvem, segurança digital, IOT, IA, entre outros.
“A Claro Empresas passa a unir a experiência em tecnologia e conectividade para habilitar a jornada de transformação das empresas com um ecossistema completo de parcerias e visão consultiva”, afirmou o presidente da Claro, José Felix, na ocasião.
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Em um novo passo neste ano, a Claro fechou uma parceria com a fabricante de chips Nvidia e com a provedora de nuvem Oracle para processamento de serviços que demandam IA.
Com isso, a tele acessará as plataformas dessas empresas para computação de alto desempenho, machine learning, análise preditiva e cargas de trabalho com IA generativa. Em um primeiro momento, a parceria será usada pela Claro em processos internos. Mais adiante, deverá compor ofertas do portfólio do seu braço de atendimento corporativo, a Claro Empresas.
Visão do mercado
Um levantamento da consultoria Omdia mostrou que os clientes empresariais são, hoje, a principal fonte de expansão da receita das teles ao redor do mundo, dada a demanda aquecida por conectividade e tecnologia combinadas.
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“Mais de 70% das operadoras do mundo aumentaram suas receitas B2B no ano passado, abrangendo desde startups de mercados emergentes até empresas centenárias”, afirmou a diretora de pesquisa da Omdia, Camille Mendler, em relatório. “Se as empresas de telecomunicações desperdiçarem essa oportunidade de crescimento, terão poucas alternativas”, emendou.
O Líder de Telecomunicações da consultoria Alvarez & Marsal no Brasil, Renato Paschoarelli, disse que o avanço das operadoras no ramo digital é uma forma de diversificarem as receitas e buscarem alternativas de crescimento, uma vez que os mercados tradicionais de internet móvel e fixa já estão maduros.
“O que tinha para ser explorado em termos de conectividade, já foi explorado ou já está em andamento. Isso força as empresas a buscarem uma saída, como nos serviços digitais”, apontou, em entrevista.