Suplementos, concierge e menos remédios: a proposta de luxo da Drogaria Iguatemi

Marca do Grupo DI expande negócio com aposta em curadoria de suplementos e cosméticos; público-alvo é mais focado em prevenção e estilo de vida

Ativos mencionados na matéria

Loja da Drogaria Iguatemi em Moema. (Foto: Divulgação/Grupo DI)
Loja da Drogaria Iguatemi em Moema. (Foto: Divulgação/Grupo DI)

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Uma farmácia em que o consumidor não vai porque está doente — ou, ao menos, não necessariamente. Essa é a proposta das farmácias do Grupo DI, empreendimentos de luxo em expansão que apostam na inversão da proporção mais comum no mercado. Menos medicamentos, mais produtos diversos.

Sob a marca Drogaria Iguatemi, itens cosméticos e suplementos representam 70% dos produtos dispostos nas lojas, contra 30% de medicamentos. A mesma proporção se reflete nas vendas, onde os medicamentos representam apenas 40% da composição dos resultados. Tudo isso, avalia a empresa, em função do seu perfil de clientes.

“Entendemos que o nosso cliente tem uma saudabilidade mais em dia. Ele não precisa estar doente para entrar na loja, falar: que drogaria gostosa”, conta o sócio diretor da empresa, Leonardo Diniz, em entrevista ao InfoMoney. “A prevenção e o estilo de vida do nosso cliente estão um pouco acima da média, por isso a farmácia é um lugar prazeroso para ele.”

E esse cliente está disposto a pagar caro. O ticket médio de quem vai a uma Drogaria Iguatemi é superior a R$ 1 mil por mês se consideradas as nove unidades em funcionamento hoje. Até 2027, a companhia pretende já ter 14 lojas.

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Um bom exemplo da proposta da rede está em um produto que não se espera encontrar nas prateleiras de farmácias convencionais: um café. Neste caso, a bebida, consumida gelada e com adição de proteínas, foi incluída nas lojas da rede recentemente e faz parte da categoria que registrou maior crescimento em vendas desde 2025, os itens proteicos, com avanço de 80%.

“Muitas vezes estamos olhando para categorias e marcas que o consumidor ainda não sabe que precisa, mas que passam a fazer sentido poucos meses depois”, explica a global brand curator, responsável pela área de curadoria da companhia, Karina Diniz.

Parte desses produtos vem de fora. A empresa aposta em importados e outros produtos cosméticos que encontrarão pouca concorrência entre outros players do setor, como shampoos ou maquiagens — o Grupo DI diz, por exemplo, ter antecipado a onda de marcas coreanas no segmento.

Como preço não é um problema para os clientes, a Drogaria Iguatemi não é uma grande vendedora de genéricos. Eles até estão nas prateleiras, normalmente vindos de fabricantes estrangeiros, mas não são um grande sucesso de vendas. “Não somos o destino para este tipo de produto. O consumidor já sabe onde comprar genérico. Quem quer comprar mais barato já pesquisa”, explica Leonardo.

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Mas não é como se a venda de medicamentos fosse desprezível no resultado da companhia. Inovações na indústria de medicamentos, especialmente quando ligadas a estilo de vida e bem-estar, unem o perfil da Drogaria Iguatemi aos seus clientes.

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“Em uma loja de suplementos, não dá para comprar Mounjaro, só tem na farmácia. É um medicamento que está relacionado ao bem-estar. A pílula anticoncepcional dá liberdade. Está combinado até ao estilo de vida”, aponta Leonardo.

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Aposta na comodidade e no digital

Um dos principais investimentos da Drogaria Iguatemi neste ano foi a criação de um serviço de concierge batizado de DI For You. A ideia surgiu a partir da observação do grupo de um aumento das demandas vindas de diferentes regiões do país, em linha com o perfil de um cliente mais informado e conectado em saúde e longevidade.

O serviço é um misto entre atendimento via WhatsApp e atendente físico, no balcão. Por meio dele, clientes são atendidos individualmente conforme demandas médicas ou compras pessoais.

Leonardo dá o exemplo de uma situação em que alguém recebeu a prescrição do uso de Mounjaro. Normalmente, explica, isso viria acompanhado da recomendação do uso de suplementações. O concierge acelera o processo sugerindo opções até mesmo a partir de uma conversa com o médico do paciente.

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“Às vezes o cliente chegou na farmácia e a receita médica está vencida, falta algo, o atendente não entende a letra. Nós dizemos: ‘não se preocupe, nós ligamos e fazemos esse trabalho de entender'”, explica Leonardo.

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Pelo WhatsApp, os clientes conseguem também fazer seus pedidos — um canal avaliado pela empresa como uma alternativa muitas vezes preferencial em detrimento dos aplicativos de e-commerce. As compras via WhatsApp, somadas aos aplicativos Rappi e iFood, ao serviço de delivery e ao e-commerce próprio da companhia, representa 20% do faturamento.

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Inauguração em Moema e crescimento nos resultados

Nesta terça-feira (18), a companhia inaugura sua décima loja no Brasil, um empreendimento de 200 metros quadrados no bairro de Moema, em São Paulo (SP). A rede hoje está principalmente no estado, mas também tem unidades no Rio de Janeiro e no Paraná.

O investimento somado da inauguração, o desenvolvimento do serviço de concierge e outras melhorias foi de R$ 4 milhões — a nova loja foi responsável pela metade disso. A expectativa é de que a farmácia de Moema passe por um crescimento de 30% nos resultados em 2027. Como um todo, o grupo deve crescer acima de 20% em 2026.

A previsão da companhia é abrir mais quatro novas drogarias ainda em 2027, em um plano de expansão. Para a gestão, a abertura de novas lojas, junto ao crescimento em canais digitais e o lançamento de medicamentos inovadores representam a principal alavanca de crescimento da companhia.

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Iuri Santos
Business | Consumo | Minhas Finanças

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.