Startups: Fundo de CVC da BAT tem R$ 2,2B para investir – e Brasil está na mira

BTomorrow Ventures (BTV) já aportou R$ 1,1 bilhão em 31 startups globalmente e busca ao menos dois novos investimentos no Brasil este ano

Startups Stephanie Tondo

Claudia Woods, CEO da BAT Brasil (Foto: BAT Brasil/Divulgação)
Claudia Woods, CEO da BAT Brasil (Foto: BAT Brasil/Divulgação)

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Ex-CEO da WeWork na América Latina, Claudia Woods assumiu a presidência da BAT (British American Tobacco) Latam South em janeiro do ano passado com a missão de ajudar a empresa a diversificar seus negócios para além dos cigarros. Para isso, a executiva está apostando em uma atuação ainda mais próxima das startups. A companhia lançou neste mês um hub de investimentos e inovação no Brasil, com o objetivo de estreitar o relacionamento com empreendedores, em especial de setores como bens de consumo e tecnologia para o varejo.

O hub se conecta diretamente com o braço de corporate venture capital da BAT, o fundo global BTomorrow Ventures (BTV). Lançado em 2020, o veículo de investimentos já aportou R$ 1,1 bilhão em 31 startups em todo o mundo – mas ainda tem cerca de R$ 2,2 bilhões para serem alocados. E o Brasil é um dos mercados que a empresa está mirando neste momento.

Segundo Claudia Woods, a expectativa é que sejam feitos ao menos dois novos investimentos em startups brasileiras este ano.

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“Existe uma junção de dois fatores críticos para esse olhar ao Brasil. O primeiro é o mercado brasileiro, que tem tamanho e potencial de escala. O segundo é um ecossistema de inovação maduro, com empreendedores que já criaram essa casca de inovação, e que possui estabilidade, mas com escassez de capital, o que deixa o mercado preparado para essa jornada de construção”, afirma a executiva.

Antiga Souza Cruz, a BAT está passando por um momento de transformação, com a meta de que até 2035 mais de 50% de sua receita global seja gerada por novos negócios além do tabaco. Para isso, o fundo de CVC da companhia tem feito investimentos em startups de setores variados, com destaque para o ramo de alimentos e bebidas.

Alguns exemplos são a norte-americana More Labs (bebidas funcionais), a canadense Awake Chocolate (snacks), além da Moment, marca de bebidas funcionais dos EUA que já recebeu sucessivas rodadas de investimento do grupo. No Brasil, o fundo já investiu na Mais Mu, de snacks e suplementos saudáveis.

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Além dos bens de consumo, o BTomorrow Ventures (BTV) também busca empresas que desenvolvem tecnologia para o varejo. Nesse segmento, uma investida brasileira do fundo foi a Uello, logtech de São Paulo vendida para as Lojas Renner em 2022.

Nova metodologia

O hub de inovação nasce com a missão de ser mais do que uma fonte de capital. A proposta da BAT é oferecer às startups acesso à sua infraestrutura operacional – uma malha de 250 mil pontos de venda, capacidade de manufatura e logística, além de mais de 120 anos de conhecimento em distribuição e marketing de consumo em massa.

Para formalizar essa proposta de valor, a companhia desenvolveu o TFactor, uma metodologia criada em parceria com os próprios empreendedores das startups investidas, que mapeia o conjunto de capacidades que a BAT pode aportar além do capital. A ideia é reduzir o gap entre inovação e escala, o ponto onde a maioria das startups costuma tropeçar.

“Apesar de o fundo ter cinco anos, desde que eu cheguei, nós começamos a aprofundar os ways of working. Ou seja, como a companhia deveria se relacionar com os empreendedores. Nosso olhar de CVC é diferente do que se pratica no mercado em geral. Em vez de querer que a empresa cresça de acordo com a estratégia da empresa, a gente quer oferecer ao empreendedor as fortalezas para apoiar as necessidades deles”, aponta Claudia.

Na prática, o impacto da parceria pode ser visto no caso da Mais Mu. Após receber aporte do BTomorrow Ventures, a startup saltou de 6 mil para mais de 40 mil pontos de venda em apenas 18 meses, apoiada pela rede de distribuição da BAT.

O Brasil, segundo a executiva, não é apenas um destino de investimento, mas deve funcionar como trampolim para a expansão internacional das startups investidas, aproveitando o footprint global da BAT em mais de 140 países. A companhia já tem casos de startups de fora que estão usando o país como porta de entrada para a América Latina, e em breve deve anunciar novos nomes.

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Internamente, o hub também cumpre um papel de transformação cultural. A BAT abriu o espaço para que funcionários, líderes e especialistas da companhia participem ativamente do ecossistema, colocando o conhecimento interno à disposição das investidas.

“O core dessa transformação é garantir que se dê prioridade e velocidade para o shift para além do tabaco. O hub é o principal enabler para que isso aconteça”, observa Claudia.

Conteúdo produzido por Startups.com.br

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