Startups: Como a Minimal transformou a loja física em motor de expansão?

Indo "contra a maré", marca mineira já opera lojas próprias em BH e no Rio, mira Brasília e SP e projeta faturar R$ 1 bilhão em 2030

Startups Leandro Miguel Souza

José Bento Meirelles, fundador e CEO da Minimal, em frente à loja da marca no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação/Minimal)
José Bento Meirelles, fundador e CEO da Minimal, em frente à loja da marca no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação/Minimal)

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Quando conversou com o Startups em 2023, José Bento Meirelles, fundador e CEO da Minimal Club, já falava dos planos de entrar no varejo físico. Entretanto, era mais uma intenção que a empresa preferia deixar amadurecendo enquanto turbinava o e-commerce. “Apesar de a gente acreditar no case desde aquele momento, sempre que a gente conversava com o board, com investidores, e falavam: ‘continua puxando o e-commerce e depois vocês fazem a loja’”, lembra o executivo.

Mesmo com as opiniões adversas e indo contra um momento desfavorável para o comércio físico, a marca de vestuário masculino, conhecida por sua camiseta premium, resolveu arriscar, e no ano passado lançou sua primeira loja em Belo Horizonte, cidade natal da companhia. E, segundo Bento, a aposta acabou saindo melhor do que o esperado.

“A gente deu um salto de fé e decidimos testar a tese (da loja física). Deu muito melhor do que a gente imaginava. A gente viu o resultado no primeiro mês e já falou: ‘isso aqui já para de pé’. E aí começou a pensar na expansão”, pontua Bento, em conversa exclusiva com o Startups.

Depois da flagship mineira, a marca abriu em maio uma loja no BarraShopping, no Rio de Janeiro, e prepara a chegada ao ParkShopping, em Brasília, em novembro. Uma unidade em São Paulo também está nos planos do CEO, mas ficou para 2027. A estratégia é validar a tese em diferentes praças antes de acelerar de vez. “Quero provar que a loja para de pé em outras cidades também, pra partir para uma expansão bem mais forte.”

Conforme mostra o CEO, os números sustentam o discurso. A Minimal fechou o ano passado com R$ 90 milhões de faturamento, e o grupo deve superar R$ 240 milhões em 2026. A meta do grupo (que hoje já inclui outras marcas) é bater R$ 1 bilhão em receita anual até 2030, e as lojas entraram como acelerador dessa conta.

“Quando a gente fez a modelagem financeira pra bater o bilhão em 2030, a gente fez uma conta de loja faturando um terço do faturamento geral. A realidade está mais promissora do que o modelo”, afirma.

Segredo do sucesso

Parte do sucesso, na leitura de Bento, vem do perfil de quem compra na Minimal. “O nosso brand inteiro sempre foi muito voltado para o empresário, o sujeito que se apresenta como empreendedor”. Segundo o executivo, foi esse público que apareceu na porta da loja, pois já tinha uma conexão com a marca no digital.

Inclusive, o próprio CEO fez questão de reconhecer essa conexão. A unidade no BH Shopping fica a dez minutos do escritório do fundador, que trabalhou como caixa nos primeiros dias. “Muita gente reconhecia, muita gente já tinha comprado, muita gente queria dar feedback.”

É justamente aí, para ele, que a loja física ganha do e-commerce. “No e-commerce a gente se baseia muito em KPIs, dashboards, e esquece que está vendendo para pessoas de verdade. Quando você olha para a cara do seu consumidor, isso é o principal ativo que você pode ter. Se a operação física só empatar as contas, ela ainda gera muito valor de marca, de credibilidade para o e-commerce”, diz.

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O perfil de cliente da Minimal também explica a faixa de preço. A tese do grupo, segundo Bento, é operar no território premium sem cobrar caro, cortando intermediários e vendendo direto.

“A grande força nossa dentro do shopping é que a gente vende às vezes pela metade do preço dos concorrentes de alto padrão”, explica. “A gente atende gente muito rica mesmo e, ao mesmo tempo, gente que não tem tanta condição. A gente tem até uma propaganda que diz: ‘você é rico, mas você não é burro’.”

Indo além do vestuário

O outro motor da expansão física da empresa atende por Hoomy, a marca de cama, mesa e banho criada pela holding da Minimal. Nascida há cerca de três anos, seguiu a mesma receita da irmã mais velha (qualidade de luxo a preço competitivo, cortando intermediários), mas mirando um público mais amplo.

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“Na Hoomy a gente vende pela metade, às vezes até um terço do preço de concorrentes premium”, afirma Bento. A marca começou com lençol, emplacou a toalha como segundo produto e passou a lançar itens como o cobertor pesado (weighted blanket), categoria consolidada nos EUA e ainda rara no Brasil.

De acordo com o fundador, o resultado é uma marca que cresce em ritmo ainda mais rápido que a Minimal, com um ticket quase três vezes maior. “A Hoomy vai representar, no final desse ano, cerca de 30% do faturamento do grupo”, diz o executivo.

O sucesso da Hoomy também está impactando a estratégia de expansão física do grupo. Ela abriu sua primeira loja no BH Shopping em julho, e o desempenho já mostrou que a entrada em outras praças deve vir rápido. “Tem muita rede de shopping procurando a gente pra abrir em outros lugares”, conta.

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Sobre como bancar essa corrida, Bento admite que o assunto está na mesa. A Minimal fez uma única captação, pequena, com friends & family há cerca de três anos, e desde então cresceu no bootstrap, reinvestindo praticamente todo o lucro.

“Ano que vem a gente quer abrir muita loja, e isso envolve um investimento mais substancial. Então existem várias opções na mesa. Pode ser desde dívida de longo prazo até, quem sabe, uma rodada de equity. Estamos avaliando”, finaliza o CEO.

Conteúdo produzido por Startups.

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