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As mega rodadas de startups de IA e os IPOs trilionários nas bolsas norte-americanas podem criar a ilusão de que o mercado está no seu melhor momento para quem investe em tecnologia. Mas um relatório do PitchBook divulgado nesta terça-feira (04) mostra que não é bem assim.
Apesar da recuperação dos indicadores de desempenho dos fundos de venture capital, boa parte dos ganhos recentes está concentrada em valorizações contábeis, e não em dinheiro efetivamente devolvido aos investidores.
Segundo o Q2 2026 US VC Fundraising and Returns Report, da PitchBook, o retorno de curto prazo dos fundos de venture capital voltou a subir, impulsionado principalmente pelo aumento do valor líquido dos ativos (NAV) de startups ligadas à inteligência artificial. O problema é que essa valorização ainda não se transformou em liquidez para os limited partners (LPs).
No quarto trimestre de 2025, a taxa interna de retorno (IRR) de um ano do venture capital norte-americano chegou a 17,1%, quase três vezes acima dos 6,2% registrados pelo mercado de private capital. No entanto, o relatório mostra que esse desempenho é sustentado principalmente por ganhos “no papel”, enquanto as distribuições de capital permanecem abaixo da média histórica.
Enquanto o valor líquido dos ativos (NAV) cresceu 21,6%, refletindo a reprecificação de startups impulsionadas pelo boom da inteligência artificial, o índice de distribuições aos investidores (DPI) permaneceu muito abaixo da média histórica.
Concentração em megafundos
Além disso, o PitchBook aponta que a maior parte da valorização recente está concentrada em um pequeno grupo de megafundos com exposição às empresas líderes da corrida de IA. Sem esses ganhos, a IRR mediana dos fundos da safra de 2025 fica em -2%, uma queda significativa em relação aos 17,4% registrados dois anos antes.
Fundos com mais de US$ 1 bilhão passaram a capturar 68,3% de todo o capital levantado, enquanto apenas 12 gestoras concentram quase três quartos dos compromissos de investimento dos LPs.
Na outra ponta, os fundos menores perderam espaço. Veículos com menos de US$ 50 milhões representam 67,7% da quantidade total de fundos, mas ficaram com apenas 4% do capital captado.
“A falta de distribuições de recursos restringiu a capacidade dos LPs de adicionar novos gestores aos seus portfólios, diversificar entre diferentes safras de fundos ou simplesmente realocar capital para o mercado. O resultado foi uma “fuga para a qualidade”, que levou à concentração de recursos em um pequeno grupo de gestores consolidados, com histórico comprovado de desempenho”, observa Kyle Stanford, diretor de pesquisa de Venture Capital da PitchBook, em análise divulgada ao mercado.
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Ele destaca que, em 2026, apenas quatro empresas responderam por 93,5% do valor total das saídas realizadas até agora.
Segundo o PitchBook, menos de 50 startups investidas por fundos de venture capital abrem capital em um ano típico, enquanto o mercado acumula mais de 950 unicórnios esperando uma oportunidade de saída.
“A escolha dos gestores sempre foi um fator determinante para o sucesso no venture capital. Mas, à medida que os LPs adotam uma postura mais cautelosa, a concentração resultante dá a um pequeno grupo de gestoras uma vantagem competitiva para pagar mais caro pelos melhores negócios — e, potencialmente, capturar uma fatia desproporcional dos retornos futuros do mercado de venture capital”, finaliza.
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Conteúdo produzido por Startups.com.br