St Marche acerta venda para rede chilena e pede recuperação judicial

O montante da transação não foi revelado. As tratativas entre as empresas estavam em curso desde o quarto trimestre de 2025

Lara Rizério

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Entrada de uma loja St Marche. (Foto: Divulgação)
Entrada de uma loja St Marche. (Foto: Divulgação)

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A chilena Cencosud firmou um acordo para adquirir 100% do St Marche, numa operação condicionada à homologação do pedido de recuperação judicial protocolado pela varejista na madrugada desta quarta-feira (24).

O montante da transação não foi revelado. As tratativas entre as empresas estavam em curso desde o quarto trimestre de 2025.

Com a compra, a Cencosud amplia sua presença no varejo alimentar voltado ao público premium no estado de São Paulo, com foco nas classes A e B. No Brasil, o grupo chileno já opera marcas como Prezunic, Giga Atacado, GBarbosa e Bretas.

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Nos próximos dias, a companhia receberá um reforço de caixa de R$ 25 milhões, com o objetivo de preservar o funcionamento normal da operação para clientes e funcionários. O negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que passará a analisar a operação.

O pedido de recuperação judicial foi apresentado oito meses depois de o St Marche concluir sua recuperação extrajudicial, em outubro do ano passado — período em que a venda para a Cencosud já vinha sendo discutida.

A rede esteve entre as varejistas impactadas pela rápida alta dos juros no Brasil, o que levou à renegociação de R$ 528 milhões em dívidas por meio de um plano de recuperação extrajudicial iniciado em abril do ano passado e encerrado em outubro.

Nesse processo, a empresa recebeu R$ 90 milhões em financiamento DIP, modalidade de crédito voltada a companhias em estresse financeiro. O fundo americano L Catterton, dono de 70% do negócio, aportou R$ 45 milhões no início da reestruturação, enquanto o restante foi injetado depois pelo BTG. Um fundo da instituição detinha mais de R$ 280 milhões em créditos da companhia.

Depois da pandemia, o St Marche colocou em prática um plano de expansão e passou de 21 lojas, com faturamento de R$ 700 milhões em 2021, para 32 unidades e receita de R$ 1,3 bilhão em 2024. No mesmo intervalo, a Selic saiu de 2% para 15%, aumentando de forma relevante a pressão sobre o caixa da rede.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.