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A inteligência artificial só deve ganhar escala dentro das empresas quando fizer parte da rotina da liderança. Essa é a avaliação de Guilherme Brasil, CTO da Starian, empresa de software para o mercado corporativo que nasceu da cisão da Softplan e projeta superar R$ 750 milhões em receita líquida neste ano.
Segundo Brasil, gestores que não utilizam a tecnologia em suas próprias atividades têm dificuldade para identificar os obstáculos que impedem as equipes de incorporá-la ao dia a dia. “A liderança precisa usar inteligência artificial no dia a dia para que as equipes possam aderir à tecnologia”, afirma.
O estudo Future of Professionals Report 2026, feito pela Thomson Reuters com 1.816 profissionais de 62 países, mostrou recentemente que 74% dos empregados utilizam ferramentas de IA pelo menos algumas vezes por semana, mas 91% afirmam que suas organizações não conseguem aproveitar todo o potencial da inteligência artificial – o chamado “value gap”, ou lacuna de valor, que descreve a distância entre as capacidades já oferecidas pela IA e os benefícios efetivamente capturados pelas empresas.
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A pesquisa também identificou que, mesmo entre organizações que afirmam possuir uma estratégia para inteligência artificial, cerca de um terço dos profissionais diz que ela não chega ao trabalho cotidiano. Além disso, um em cada três entrevistados admite utilizar ferramentas de IA não aprovadas pela empresa – prática conhecida como Shadow AI –, muitas vezes associada à demora das organizações em disponibilizar soluções corporativas adequadas.
Na avaliação do CTO da Starian, a experiência prática permite que líderes encontrem barreiras, como travas de cibersegurança, que dificilmente apareceriam apenas em reuniões ou indicadores, e atuem para encontrar uma alternativa.
“Quando você, que é líder, usa a IA, consegue enxergar as barreiras que os seus colaboradores estão enfrentando e que estão impedindo-os de usá-la. E você é o líder, então é você que tem meios de atuar para resolver a questão. Eu já passei por isso. Fui executar uma tarefa de outra área e encontrei um bloqueio de segurança que me impedia de concluí-la. Se eu enfrentei essa dificuldade, a equipe também enfrenta. Mas, se eu não tivesse pegado para fazer, eu nunca saberia. O líder só vai enxergar os bloqueios que estão impedindo o uso da IA pelo time se usar a IA no seu dia a dia também”, afirmou.
Treinamentos precisam ser personalizados
Na visão do CTO, outro erro recorrente das empresas é apostar em treinamentos generalistas sobre inteligência artificial. Segundo Brasil, apresentações que explicam conceitos amplos da tecnologia são importantes como ponto de partida, mas têm impacto limitado uma vez que não dialogam com a realidade das equipes e os desafios específicos de cada área.
“O treinamento para o uso dessa tecnologia precisa ser personalizado e a pessoa que vai dar o treinamento precisa ter conhecimento e proximidade com a área de quem está recebendo aquele treinamento. Precisa fazer sentido para aquelas pessoas, para aquela equipe específica”, completou.
