Sem fôlego, Aston Martin busca £ 550 milhões para conter a pressão no caixa

Os recursos serão usados para reforçar a liquidez, quitar linhas existentes e dar mais margem à execução dos próximos lançamentos

Bloomberg

Um carro esportivo Aston Martin DBX na frente da fábrica da Aston Martin Lagonda Global Holdings Plc em St Athan, no Reino Unido
(Foto: Chris Ratcliffe/Bloomberg)
Um carro esportivo Aston Martin DBX na frente da fábrica da Aston Martin Lagonda Global Holdings Plc em St Athan, no Reino Unido (Foto: Chris Ratcliffe/Bloomberg)

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A Aston Martin Lagonda Global Holdings Plc fechou um acordo para levantar £ 550 milhões (US$ 736 milhões) em novos recursos com a HPS Investment Partners, gestora controlada pela BlackRock, para reforçar sua liquidez.

A fabricante de carros de luxo informou em comunicado nesta quarta-feira que o financiamento tem como garantia ativos alocados em uma entidade recém-criada, além de outros ativos do grupo. A Bloomberg News já havia informado anteriormente sobre as negociações.

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Com sede em Gaydon, na Inglaterra, a Aston Martin vem sendo afetada por atrasos de produtos, problemas de qualidade, demanda fraca na China e tarifas dos Estados Unidos. Embora a empresa tenha recorrido antes a injeções de capital para cobrir sua necessidade de caixa, ela revelou em abril que alguns acionistas haviam se comprometido com £ 50 milhões em dívida para reforçar suas reservas de liquidez.

O pacote com a HPS, especializada em crédito privado, inclui um empréstimo sênior com garantia de £ 450 milhões, além de uma linha adicional de £ 100 milhões com saque diferido, segundo o comunicado. A Aston Martin disse ainda que há capacidade para captar mais £ 100 milhões em dívida, subordinada a esses empréstimos na ordem de pagamento.

Parte dos recursos será usada para quitar a linha de crédito rotativo de £ 170 milhões da companhia, bem como valores utilizados de um empréstimo concedido por integrantes do consórcio de acionistas liderado pelo chairman executivo Lawrence Stroll, segundo o comunicado. As novas linhas devem elevar a posição de liquidez da empresa para cerca de £ 340 milhões ao fim de junho.

“Esse novo financiamento de dívida de £ 550 milhões fortalece significativamente nossa liquidez, oferecendo mais resiliência e flexibilidade para executar nossos planos atuais e futuros de produto”, disse Doug Lafferty, diretor financeiro da Aston Martin, no comunicado.

Um porta-voz da HPS se recusou a comentar além do texto oficial.

Com esse movimento, a Aston Martin levanta nova dívida contornando os atuais detentores de bônus. Um grupo de investidores com US$ 1,85 bilhão em títulos da empresa — liderado por Arini Capital Management, Sculptor Capital Management e BlackRock — havia firmado um acordo de cooperação para se apresentar de forma unificada diante da companhia.

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Separadamente, alguns credores enviaram uma carta à empresa, por meio de advogados do escritório Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan LLP, detalhando os riscos jurídicos de uma eventual transação com a HPS.

O bilionário canadense Lawrence Stroll resgatou a Aston Martin em 2020, depois de dois anos desastrosos da companhia na Bolsa de Londres. Ele atraiu outros acionistas, como o fundo soberano da Arábia Saudita e a montadora chinesa Geely, mas tem enfrentado dificuldades para promover a virada da empresa.

Stroll tem recorrido a meios pouco convencionais para levantar recursos para a montadora, pressionada por falta de caixa. Em fevereiro, ele fechou um acordo de £ 50 milhões com a equipe de Fórmula 1 que controla separadamente para o uso do nome. A HPS é acionista da escuderia desde 2024.

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