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Segmentação e anúncios: as apostas dos streamings para turbinar resultados

Disney+ limita acesso a canais da ESPN em plano premium enquanto pares também buscam diversificação na oferta

Iuri Santos

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Nas próximas semanas, assinantes do streaming Disney+ apaixonados por esportes precisarão fazer um upgrade se quiserem continuar assistindo às programações dos canais ESPN e ESPN 3. Para ver as partidas das principais ligas do mundo, como Premier League, LaLiga, NBA e NFL, usuários precisam agora arcar com um plano de R$ 66,90 mensais ou R$ 561,90 ao ano.

Ruim para os assinantes, a mudança pode ser positiva para os acionistas.

Desde 2022, a guerra dos streamings entrou em uma nova fase marcada pela ampliação de planos envolvendo anúncios e uma segmentação maior da oferta enquanto concorrentes como HBO Max e Disney+ reforçaram a disputa com a líder Netflix pelo volume de assinantes, mas também melhores resultados.

Com exceção de alguns eventos esportivos específicos, a Disney passa a programação completa da ESPN para o seu plano premium em meio a esforços globais da companhia para criar uma “oferta mais personalizada” aos usuários de streaming que inclui principalmente as marcas Hulu, ESPN e o próprio Disney+.

Nos Estados Unidos, a companhia passou a disponibilizar seu canal esportivo em uma plataforma própria, o ESPN+, enquanto mantém os aplicativos Disney+ e Hulu SVOD. Eles podem ser comprados separadamente ou via pacotes e mesmo entre si apresentam diferentes pacotes, com acesso a mais ou menos conteúdos, com ou sem anúncios, disponibilidade de qualidade 4K.

Já fora dos EUA, a Disney está substituindo a marca Star+, de títulos destinados a um público mais maduro, dentro do próprio aplicativo em 150 mercados para a marca Hulu.

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Questionado sobre as oportunidades de combinações de planos e opções com e sem anúncios para aumentar as receitas na linha de produtos direto para o consumidor, o CEO da Disney, Bob Iger, afirmou que “no futuro, isso também poderá nos proporcionar uma elasticidade de preços que não tínhamos antes”.

Em 2024, o braço de streamings da gigante do entretenimento registrou o seu primeiro lucro. No quarto trimestre de 2025, o lucro operacional cresceu 39% em comparação ao mesmo período do ano anterior e, no ano completo, o segmento de entretenimento direto para o cliente gerou US$ 1,3 bilhão em lucro operacional, superando uma projeção de US$ 300 milhões.

Seja por meio da sua plataforma única no mercado internacional ou pelos aplicativos separadamente nos Estados Unidos, a tendência é que a empresa continue apostando em uma oferta diversificada de planos — o que tem acarretado aumento de custos para os usuários.

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Para ter como exemplo quem quiser continuar assistindo às transmissões esportivas da ESPN no Brasil e hoje assina o plano Disney+ Padrão por R$ 46,90 mensais ou R$ 393,90 ao ano vai encarar um aumento próximo de 43% no valor para os planos premium.

Além do acesso completo à grade esportiva, o plano mais caro permite que usuários assistam aos filmes, séries e programação ao vivo em qualidade 4K UHD e em até quatro dispositivos ao mesmo tempo.

Praticamente todos os grandes streamings, hoje, apostam em uma variedade ampla de preços que vai desde os planos com anúncios até opções premium. No caso da Netflix, por exemplo, alguns conteúdos estão disponíveis apenas na categoria premium, embora a companhia afirme em sua página de relações com investidores não pensar que “níveis de conteúdo seriam o melhor modo de crescer o negócio neste momento”.

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Enquanto respondia perguntas após a publicação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, o co-CEO da Netflix, Greg Peters, disse: “Em última análise, queremos uma variedade de planos, uma variedade de recursos e diferentes faixas de preço. E queremos ajudar os membros a escolher o plano certo para eles. Acreditamos que isso resulta em maior satisfação dos membros, maior engajamento e retenção, e um negócio melhor a longo prazo”.

Enquanto mais pessoas assinam os planos com anúncios — a empresa divulga 190 milhões de espectadores ativos mensais –, a Netflix também aumenta o custo de seus planos. Segundo projeções da companhia, a receita de planos com anúncios deve dobrar em 2025, mesmo após um reajuste nos preços de todas as categorias nos Estados Unidos e outras regiões no início do ano.

A Warner Bros Discovery, dona do streaming HBO Max, viu seu lucro saltar de US$ 103 milhões na linha de streaming em 2023 para US$ 677 milhões em 2024. E ainda que amargue, no terceiro trimestre de 2025, uma queda na receita total, anotou um aumento de 2,3 milhões de assinantes, para 128 milhões, no período conforme cresce em mercados globais.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.