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A farmacêutica AstraZeneca informou que seu medicamento experimental para DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), uma condição pulmonar potencialmente fatal, reduziu significativamente as crises de agravamento da doença em uma ampla gama de pacientes durante os testes clínicos, reforçando o potencial do tratamento para se tornar um blockbuster.
Os resultados completos de dois estudos de fase avançada mostraram que o tozorakimab ajudou a reduzir em cerca de 30% os episódios moderados e graves de piora da doença. O efeito foi ainda mais expressivo entre ex-fumantes, com redução de até 34% dessas crises em um dos estudos.
As ações da AstraZeneca apagaram as perdas registradas mais cedo e chegaram a subir até 0,5% em Londres após o anúncio. No acumulado do ano, porém, ainda caem cerca de 13%.
O desempenho do medicamento atingiu ou superou o patamar que diversos analistas consideravam necessário para validar seu potencial comercial. A farmacêutica britânica afirmou que o tozorakimab beneficiou não apenas os cerca de 30% dos pacientes que podem receber novos tratamentos para DPOC, como o Dupixent, da Sanofi, e o Nucala, da GSK, mas também os outros 70% que obtêm pouco ou nenhum benefício dessas terapias.
Os medicamentos das concorrentes são direcionados a pacientes com níveis elevados de um determinado tipo de glóbulo branco. Por isso, a principal dúvida era se o tozorakimab também funcionaria em pessoas com baixos níveis dessas células. Nos estudos, esses pacientes apresentaram redução de 23% nas crises. Já entre aqueles com os níveis mais altos, a AstraZeneca registrou redução de 43%, um resultado superior ao observado com Nucala e Dupixent.
“Não usamos essas palavras de forma leviana, mas acredito que esse conjunto de dados representa uma verdadeira inovação para pacientes e médicos que tratam DPOC”, afirmou Ruud Dobber, chefe da divisão de biofármacos da AstraZeneca.
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A empresa espera que a agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) tome uma decisão sobre a aprovação do tozorakimab no início de 2027.
Segundo a companhia, o medicamento foi geralmente bem tolerado pelos pacientes, tendo como principal efeito adverso apenas reações no local da aplicação. Os resultados dos estudos foram publicados no New England Journal of Medicine e apresentados nesta terça-feira no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia.
Sintomas
A DPOC, ou doença pulmonar obstrutiva crônica, afeta principalmente adultos mais velhos que fumam ou fumaram, embora também possa atingir pessoas que nunca tiveram contato com o tabaco. Os principais sintomas incluem tosse persistente, infecções respiratórias frequentes e falta de ar. A doença não tem cura, mas os tratamentos disponíveis podem retardar sua progressão.
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O tozorakimab atua bloqueando a interleucina-33 (IL-33), uma proteína do sistema imunológico que desencadeia processos inflamatórios. Outros medicamentos experimentais que atuam contra a IL-33 apresentaram resultados menos positivos, incluindo candidatos desenvolvidos por Sanofi e Roche.
Antes da divulgação dos resultados, o analista Michael Leuchten, da Jefferies, estimava que o medicamento poderia gerar mais de US$ 5 bilhões em vendas anuais caso também demonstrasse eficácia em outras doenças, como a asma. A expectativa é que ele se torne um dos principais motores de receita da AstraZeneca nos próximos anos.
A farmacêutica também avalia realizar novos estudos para investigar se o tozorakimab pode beneficiar pacientes com outras doenças associadas à IL-33, como a bronquiectasia, condição caracterizada por danos permanentes às vias aéreas dos pulmões.
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A companhia ainda considera a possibilidade de combinar o tozorakimab com outros medicamentos de seu portfólio. Segundo Dobber, porém, “ainda é um pouco cedo para especular sobre isso”.
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