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Quem é Ana Sanches, primeira mulher no comando da Anglo American e do Ibram – e por que isso é importante

Executiva assumiu em fevereiro posto de presidente do conselho diretor do Instituto Brasileiro de Mineração

Ivo Ribeiro

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Quase dois meses após assumir o cargo de primeira CEO da multinacional de mineração Anglo American no Brasil, a brasileira Ana Sanches foi nomeada no início de fevereiro presidente do conselho diretor da principal entidade do setor, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). É um fato inédito na história do Ibram, celebrado como mais um passo importante no avanço de executivas ao topo da linha de comando de empresas do setor, tradicionalmente – e até os dias de hoje – dominado por executivos homens.

O quadro de executivos que compõem o conselho diretor do Ibram é um retrato de que a presença feminina têm muito a ganhar de espaço. De 44 representantes de mineradoras, incluindo Sanches, somente oito são mulheres – menos de 20%. Ela é a única CEO. Das demais, apenas uma está na condição de representante titular por sua empresa; as outras seis, como suplentes. 

Chegar à presidência executiva da multinacional anglo-sul-africana foi um grande desafio para a executiva, que entrou na companhia em 2012. Nesse período de onze anos, ocupou vários cargos – por nove anos atuou na área financeira. Ao ser promovida, segundo informações empresa, Sanches ocupava a posição de diretora financeira das divisões Técnica, Sustentabilidade, Projetos e Desenvolvimento, estando baseada na sede global da Anglo American, em Londres.

A indicação da executiva ao cargo já foi uma quebra de paradigma. Ela é a primeira mulher a ocupar essa posição na mineradora no Brasil.  Foi escolhida para substituir Wilfred Bruijn (conhecido como Bill), que deixou a Anglo após vários anos à frente da produtora de minério de ferro, níquel e ligas de ferro-níquel no país. Em sua trajetória na Anglo American, a executiva ficou dois anos e meio na Inglaterra.

Sanches ainda não concedeu entrevistas à imprensa desde que assumiu o cargo de CEO na Anglo American Brasil, em 6 de dezembro. Ela retornou ao país em novembro para fazer o processo de transição de comando da subsidiária brasileira com Bill e, desde então, está tomando pé da gestão da companhia. 

Sobre sua indicação e nomeação à presidência no conselho do Ibram, Sanches encaminhou nota ao IM Business. “A mineração ainda é um universo predominantemente masculino. Entretanto, importantes avanços, construídos nos últimos anos, vem consolidando um novo olhar para o setor, com incentivo à participação feminina em todos os níveis das organizações e áreas de atuação. Os desafios atuais são inúmeros e a diversidade no mundo dos negócios garante a variedade de visões e vozes, o que coloca em evidência uma gama mais ampla de inovações e soluções criativas em vista de melhores resultados”, afirmou a executiva.

Ana Sanches,  CEO da Anglo American no Brasil (Divulgação)

Ela acrescenta: “O fato de uma mulher assumir, pela primeira vez, o cargo de presidente da Anglo American no Brasil e de presidente do conselho diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) é parte dessa jornada. Estou engajada para que essa representatividade contribua para atrair mais mulheres para o nosso setor e, juntos, homens e mulheres, possamos construir uma indústria cada vez mais sustentável e responsável, aprimorando as práticas ambientais, sociais e de governança, alinhadas aos anseios da sociedade”. 

Raul Jungmann, presidente-executivo do Ibram, há dois anos no cargo, disse, em entrevista, que a entidade passa por um grande processo de transformações, iniciado em 2019. “É um universo muito masculino. Fizemos uma reposicionamento desde que assumimos a gestão. Isso culminou, agora, com a nomeação da Ana Sanches”, afirmou o executivo.

Ele ressalta que a mineração no país tem grande relevância global – o Brasil é o quinto maior produtor de bens minerais -, mas ainda carece de maior visibilidade. E tem pela frente questões a serem resolvidas, que vão desde “tributação excessiva” aos bens minerais, reduzindo a competitividade das empresas locais, até o garimpo ilegal de ouro em diversas partes do país, principalmente na Amazônia e até em terras indígenas. “Adotamos ações e um posicionamento claro de preservação da Amazônia e de orientação às empresas sobre as práticas de ESG”. 

A mineração brasileira sofreu um enorme problema de imagem em 2015 e 2019, uma mancha que ainda deve carregar por anos, com o rompimento de duas barragens de rejeitos – Fundão, da Samarco, e Brumadinho, da Vale. O impacto desses rompimentos causou desastres ambientais e sócio-econômicos de grande monta, com a morte de 289  pessoas. Gerenciar a solução plena desses dois casos e evitar que outros ocorram é o grande desafio do setor para o futuro.

Jungmann diz que a nova presidente do conselho diretor traz enorme contribuição para a entidade e, consequentemente, para o setor, com visão da diversidade, sustentabilidade e segurança da atividade. “A Ana significa ruptura ao padrão do setor e isso está em linha com reposicionamento que o Ibram vem trabalhando”, afirma. Um compromisso da executiva é reforçar a implantação de ações da Agenda ESG da Mineração no Brasil, proposta que o setor definiu em 2020.

Outras mulheres vêm se destacando em posições de comando na mineração, siderurgia e outros setores industriais no país. Só para citar alguns nomes, entre vários outros: Ana Cristina Cabral, CEO e co-chairperson da Sigma Lithium; Corrine Ricard, presidente da Mosaic Brasil (produtora de fertilizantes), Carla Wilson, general manager da BHP Brasil, e Silvia Nascimento, CEO da Aço Verde do Brasil. Num leque mais amplo, várias executivas estão em cargos de vice-presidentes e diretorias – não somente de Recursos Humanos – nas companhias de mineração. 

Nascida em Minas Gerais, a nova CEO da Anglo American é formada em Economia pela UFMG (universidade federal do Estado, em Belo Horizonte) e Ciências Contábeis pela Fumec. Tem uma carreira de 26 anos, passando por finanças, auditoria, planejamento estratégico e desenvolvimento de novos negócios. Sanches obteve o MBA em Finanças pelo Ibmec e Educação Executiva pela Harvard Business School e Columbia University (nos EUA) e London School of Economics (na Inglaterra). Segundo a empresa, em 2018 Sanches foi nomeada uma das mulheres mais influentes na mineração global pelo Women in Mining.  

Como CEO, a executiva passou a ter sob sua gestão uma empresa que gera cerca de12 mil empregos (diretos e indiretos) e investimentos no país previstos de R$ 12 bilhões até 2027. Há uma meta de reduzir em 30% a emissão de gases do efeito estufa em suas unidades operacionais até 2030. Um dos focos de investimentos é energia renovável. A Anglo Brasil tem os negócios de minério de ferro – Minas Gerais e Rio de Janeiro (Sistema Minas-Rio) – e de níquel (Codemin e Barro Alto) em Goiás. 









 

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