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Na divulgação dos dados da Fenabrave referentes a julho nesta semana, mais uma vez os carros elétricos e híbridos se destacaram no mercado nacional – e as marcas chinesas em particular. A China emergiu como o centro mais competitivo em termos de custos para a fabricação de automóveis no mundo, o que tem gerados ganhos de mercado significativos nas últimas décadas. Quando se trata de carros elétricos, essa vantagem chinesa no custo de produção da China é ainda maior. Mas quais os motivos disso?
Um relatório recente da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) destaca que produzir um carro convencional na China chega a ser 30% mais barato do que na Alemanha.
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No Brasil, os chineses têm ganhado cada vez mais mercado, com os preços de elétricos de marcas como BYD, Geely, GAC e GWM chegando a concessionárias em valores entre R$ 120 mil e R$ 150 mil e LeapMotor. Híbridos, como os das marcas Omoda e Jaecoo, da Chery, também têm se destacado.
As vendas de carros elétricos no Brasil dispararam para 180 mil no ano passado, o equivalente a 9% de todas as vendas de automóveis novos, fatia acima dos 6,5% observados em 2024. Em 2026, até julho, foram emplacados 116.235 automóveis elétricos, três vezes mais que os 37.509 carros vendidos nos mesmos sete meses do ano passado.

De acordo com o estudo da IEA, em 2025, o prémio de preço para carros elétricos a bateria caiu pela metade no Brasil em relação ao seu nível de 2024, atingindo pouco menos de 15%. Enquanto isso, o prémio para modelos híbridos plug-in – que representaram mais de 55% das vendas de carros elétricos no ano passado – diminuiu mais de 15 pontos percentuais, para cerca de 85%. Este progresso, segundo o estudo, foi em grande parte impulsionado por importações chinesas acessíveis.
Segundo a agência de energia, à medida que os direitos de importação são gradualmente restabelecidos tanto para unidades completamente montadas (CBU) como CKD, sustentar estes níveis de acessibilidade dependerá de a produção local — particularmente das fábricas da BYD e da Great Wall Motor — conseguir replicar a competitividade de custos dos modelos anteriormente importados.

Mas quais os motivos de os carros chineses chegarem não só ao Brasil como em vários país a preços tão competitivo?
Escala e subsídios
A primeira grande resposta é a escala de produção: algumas das maiores fábricas de VEs do gigante asiático podem produzir mais de 1 milhão de carros por ano, bem acima da produção típica de fábricas em outros países, seja nos EUA, Europa ou América Latina. Essa economia de escala gera uma razoável redução de custos, uma vez que os custos fixos podem ser distribuídos por mais veículos.
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Também não podem deixar de ser citados os generosos subsídios as preferências de financiamento estatais praticados no país, que permite aos fabricantes expandir a produção e reduzir os preços durante os primeiros anos de atuação, quando ganhar mercado é essencial.
A IEA destaca que é provável que estas políticas continuem a influenciar as estruturas de custos hoje, embora não sejam, por si só, suficientes para explicar os preços consistentemente mais baixos.
Baterias e custos trabalhistas
Outro ponto que ajuda explicar os custos menores dos elétricos é o mesmo que vale para a indústria automotiva em geral e em outras cadeias industriais chinesas: os custos laborais de três a cinco vezes mais baixos do que na maioria das economias avançadas.
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Sobre os custos de energia, a IEA diz que eles representam apenas algo entre 1% e 4% do custo de produção de um carro, o que significa que as diferenças nos preços da energia não afetam significativamente a diferença de custo global.
E, quando se trata de carros elétricos, a vantagem de custo de produção da China é ainda maior, devido aos valores mais baixos das baterias. As empresas chinesas dominam a produção global de componentes de baterias, células e conjuntos, alcançando economias de escala que os fabricantes de outros lugares ainda não conseguem pensar em igualar.
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“Mais de uma década de experiência em produção em massa permite à China construir e operar eficientemente fábricas altamente automatizadas: apenas a eficiência de fabrico representa mais de 40% da diferença de custo de produção de baterias entre a China e a Europa. A adoção generalizada de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) fortalece ainda mais esta vantagem, evitando os materiais mais caros usados em químicas à base de níquel, que permanecem mais comuns nas economias avançadas”, diz o texto da agência de energia.
Claro que as estruturas de custos podem evoluir, as outros centros de produção globais ainda têm um longo caminho a percorrer para reduzir a diferença competitiva, seja aumentando a produção de VEs, desenvolvendo clusters industriais especializados em VEs e se beneficiando da aprendizagem pela prática na fabricação de baterias.
Mas a IEA diz que isso depende de escolhas estratégicas, incluindo a adoção de químicos mais baratos, parcerias industriais e procura sustentada por carros elétricos.
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O estudo diz que os veículos elétricos estão cada vez mais competitivos em termos de custo em mercados-chave, o que pode reforçar a demanda, inclusive de consumidores preocupados com preços voláteis dos combustíveis.
Até 2035, mesmo sem novos anúncios de políticas, a frota global de veículos elétricos (excluindo veículos de duas e três rodas) deve disparar até 510 milhões, acima de quase 80 milhões hoje.
“As vendas de carros elétricos estabeleceram novos recordes em quase 100 países no ano passado. A crescente popularidade dos veículos elétricos marcou uma grande mudança para os mercados automotivos e para o sistema energético como um todo – e está trazendo algum alívio agora em meio ao maior choque de oferta de petróleo da história”, disse o diretor executivo da IEA, Fatih Birol.
“Olhando para o futuro, as quedas que vimos nos preços das baterias e as respostas políticas à atual crise energética global devem proporcionar ainda mais impulso nos mercados de veículos elétricos.”