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(Bloomberg) — A Pfizer Inc. começou a revelar suas ambições no mercado de obesidade, divulgando novos dados sobre uma injeção experimental para perda de peso e detalhando estratégia para conquistar uma posição de liderança no competitivo mercado dominado por empresas com vantagem de pioneirismo.
Após fracassos iniciais prejudicarem as perspectivas da companhia em obesidade, a Pfizer criou uma nova abordagem impulsionada pela aquisição da Metsera Inc. por US$ 10 bilhões no ano passado. Mas as ambições da empresa vão muito além de um único medicamento, com executivos imaginando um pipeline de tratamentos voltados para obesidade e suas diversas condições relacionadas — por décadas.
“Estamos entrando em uma nova era de inovação em medicina interna”, disse Chris Boshoff, diretor científico da Pfizer, em entrevista antes do encontro da American Diabetes Association, em New Orleans.
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A empresa está usando a conferência para apresentar novos dados sobre o berobenatide, o GLP-1 de longa duração adquirido da Metsera. Nos resultados apresentados no sábado, pacientes que receberam a maior dose semanal perderam 15,9% do peso corporal após oito meses, sem sinais de estabilização. Dados de um estudo separado sugeriram fortes melhoras nos níveis de açúcar no sangue em pacientes com diabetes e baixas taxas de abandono do tratamento.
A Pfizer destacou o potencial do medicamento para se tornar o primeiro da categoria administrado uma vez por mês. Uma análise separada em pacientes com sobrepeso ou obesidade sem diabetes constatou que aqueles que receberam a maior dose a cada quatro semanas perderam quase 15% do peso corporal após 14 meses. O sucesso com aplicações menos frequentes pode dar vantagem sobre rivais como Zepbound e Wegovy, ambos campeões de vendas administrados semanalmente.
Em fevereiro, a Pfizer decepcionou investidores com uma avaliação anterior mostrando que o medicamento produziu cerca de 12,3% de perda de peso após 28 semanas quando administrado mensalmente.
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A farmacêutica sediada em Nova York agora corre para levar o medicamento à fase final de testes. Alguns estudos avançados já começaram e a Pfizer planeja lançar vários outros. Segundo Boshoff, a empresa pretende focar também em outras condições fortemente associadas à obesidade, incluindo apneia do sono e osteoartrite de joelho. Também realizará grandes estudos fora dos EUA, incluindo na China e no Japão.
Enorme oportunidade
A obesidade se tornou a maior oportunidade comercial da indústria farmacêutica em décadas, transformando a trajetória das líderes de mercado Eli Lilly & Co. e Novo Nordisk A/S. A Pfizer aposta que sua escala, conhecimento comercial e histórico no lançamento de medicamentos extremamente populares, como Viagra e Lipitor, ajudarão a companhia a alcançar as duas gigantes do setor e conquistar uma fatia relevante do mercado de obesidade.
Embora vacinas e tratamentos contra a Covid tenham proporcionado um impulso extraordinário — porém temporário — às vendas da Pfizer, a redução da demanda deixou a empresa tentando preencher essa lacuna. Executivos apostam que a obesidade será um mercado mais duradouro do que a pandemia, gerando fluxo constante de receita por décadas.
Boshoff vê o berobenatide como o primeiro passo de um portfólio mais amplo em saúde metabólica, que eventualmente incluirá comprimidos, terapias combinadas e possivelmente até novas classes de tratamento. A companhia também desenvolve terapias de ação ainda mais prolongada, que poderiam tornar as aplicações mais convenientes, incluindo dados iniciais de outro composto experimental que leva Boshoff a acreditar que poderá ser administrado a cada três meses.
A Pfizer não está sozinha; muitas farmacêuticas seguem estratégias semelhantes de pipeline. A Amgen Inc., por exemplo, está em estudos avançados com uma injeção que pode ser aplicada mensalmente — ou possivelmente com frequência ainda menor. No entanto, o medicamento MariTide, da Amgen, foi associado a altas taxas de vômito em estudos iniciais. A companhia está testando uma dose inicial menor na esperança de oferecer uma opção mais tolerável aos pacientes.
Lilly e Novo já vendem comprimidos para perda de peso, que se tornaram extremamente populares assim que foram lançados. Diversas outras empresas, incluindo AstraZeneca Plc e Structure Therapeutics Inc., trabalham em suas próprias versões. Já a Pfizer está recorrendo a uma unidade da chinesa Shanghai Fosun Pharmaceutical Group Co., chamada YaoPharma, para ajudá-la no desenvolvimento de um comprimido após seus esforços internos não terem sucesso.
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A empresa também espera que cientistas vindos da Metsera — e novas contratações na área de obesidade — ajudem a revitalizar seus esforços internos de pesquisa e desenvolvimento.
“Tivemos a sorte de trazer muito desse talento da Metsera, tanto em descoberta quanto em desenvolvimento”, disse Boshoff. “Isso, por si só, já foi um grande impulso para o que já tínhamos em uma organização de pesquisa e desenvolvimento muito madura.”
Olhando para frente
Com tratamentos altamente eficazes para obesidade como o Wegovy, da Novo, e o Zepbound, da Lilly, já disponíveis no mercado, médicos afirmam que a próxima geração de medicamentos precisará ser significativamente melhor em termos de efeitos colaterais, conveniência ou tratamento de condições associadas. A Pfizer está conduzindo 10 grandes estudos decisivos em obesidade e condições relacionadas apenas para o berobenatide em 2026, o que não é tarefa simples. E isso representa menos da metade do programa mais amplo da empresa para obesidade. Mesmo que tudo corra bem, ainda faltarão vários anos até que o medicamento chegue aos pacientes.
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Executivos da Pfizer argumentam que vencer no mercado de obesidade exigirá mais do que um medicamento bem-sucedido. Segundo eles, o sucesso dependerá da capacidade de agir rapidamente, fabricar medicamentos em enorme escala e convencer pacientes, médicos e seguradoras a adotá-los.
Jim List, chefe de medicina interna, afirmou que a infraestrutura comercial da Pfizer é uma grande vantagem à medida que o tratamento da obesidade migra cada vez mais para cuidados primários. List, contratado pela Pfizer no ano passado para revitalizar a unidade, descreveu a obesidade como uma combinação natural para uma empresa cujos maiores sucessos, incluindo o campeão de vendas para colesterol Lipitor e o anticoagulante Eliquis, foram construídos em torno de grandes redes de médicos e amplas populações de pacientes.
“Os cuidados primários estão no nosso DNA”, disse List.
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Boshoff afirmou que a empresa também está usando um acordo com a chinesa Hangzhou Sciwind Bioscience Co. como uma espécie de teste para sua estrutura comercial, permitindo obter insights sobre o lançamento bem-sucedido de um medicamento para obesidade em um grande mercado e desenvolver estratégias diretas ao consumidor antes que seus produtos cheguem aos pacientes nos EUA.
Enquanto Lilly e Novo enfrentaram dificuldades inicialmente para produzir medicamentos suficientes para atender à demanda, a Pfizer já possui grande parte da infraestrutura necessária para fabricar medicamentos contra obesidade em escala global, disse Boshoff, incluindo oito unidades de injetáveis estéreis ao redor do mundo. A empresa também transferiu internamente a produção dos medicamentos da Metsera, antes realizada por um fabricante terceirizado. “Estamos internalizando tudo, porque podemos”, afirmou.
O berobenatide requer uma quantidade muito menor de ingrediente ativo do que seus concorrentes, o que pode torná-lo mais fácil e barato de produzir, segundo Boshoff. “Podemos fabricar essas terapias na escala necessária — e em uma escala que pouquíssimas outras empresas conseguem.”
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A estratégia da Pfizer também reflete uma crença crescente entre farmacêuticas de que a obesidade poderá se tornar, no futuro, um campo altamente individualizado da medicina. Hoje, os pacientes recebem majoritariamente a mesma classe de medicamentos, mas Boshoff prevê que futuros tratamentos serão personalizados com base em preferências, genética, biomarcadores e complicações específicas, da mesma forma que a oncologia evoluiu nas últimas duas décadas.
“Todas as doenças se tornaram mais individualizadas”, disse Boshoff. “Isso certamente acontecerá também com as doenças metabólicas, incluindo a obesidade.”
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