ODATA investe R$ 7,4 bi na Colômbia; na América Latina, já são R$ 26 bi

Companhia se antecipa ao aumento de demanda por processamento vindo de big techs

Iuri Santos

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A ODATA anunciou nesta quarta-feira (23) um investimento de US$ 1,3 bilhão (R$ 7,4 bilhões) para a construção de novos conjuntos de data centers na Colômbia. Essa é apenas uma parcela dos R$ 26 bilhões comprometidos pela empresa até 2026, conforme a demanda por parte dos grandes provedores de nuvem acelera na América Latina.

Os dois campi — como são chamadas as estruturas que abrigam os servidores — serão localizados em Cundinamarca, departamento da cidade de Bogotá, que abriga a Zona Franca Metropolitana de Tenjo.

“A vantagem tributária é tão grande que fica difícil competir se estiver fora [da Zona Franca]”, conta o CEO Latam da ODATA, Ricardo Alário. “Muito mais do que para nós, para os nossos clientes: eles podem trazer servidores, que representam uma parte maior do investimento quando se monta um data center, também com vantagem tributária.”

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A ODATA opera no modelo de colocation, em que uma empresa desenvolve e constrói a estrutura física do data center e aloca equipamentos como geradores de energia e resfriadores. Fica a cargo do cliente — em geral, um dos gigantes provedores de nuvem, como Amazon, Microsoft, Google e Oracle — comprar os computadores que serão conectados nas incontáveis fileiras de racks dos servidores.

A unidade batizada de DC BG03 será o maior campus de data center da Colômbia, segundo a empresa, em um empreendimento com 120 MW de potência de TI — medida utilizada para mensurar o potencial de alocação de servidores em um data center. Para se ter uma ideia, o maior campus da companhia no México possui 150 MW de TI, onde a população é mais que o dobro da colombiana.

Além de oferecer a maior capacidade de TI disponível no país, o DC BG03 será o primeiro data center da Colômbia a ser conectado diretamente ao sistema de transmissão de energia local, possibilitando que os clientes da ODATA tenham maior escalabilidade e estabilidade energética para acompanhar o desenvolvimento de sua infraestrutura digital.

Junto ao DC BG03, a ODATA também levantará a estrutura do DC BG02, com 24 MW. A expectativa é de que as primeiras fases das construções sejam concluídas no segundo semestre de 2026, em antecipação a uma demanda que logo deve chegar à região.

Explosão dos data centers na América Latina

A migração para a nuvem e as aplicações de inteligência artificial generativa são os principais motores para a aceleração da demanda das big techs.

Segundo Alário, até poucos anos atrás, era raro que servidores contratassem estruturas de 10 MW de TI. Desde o final de 2022, no entanto, os números já começaram a chegar a 20 MW ou 30 MW. “Nos Estados Unidos e na Europa, empresas estão montando infraestrutura de 100 a 150 MW. Aqui, uma série de clientes já pergunta por essa capacidade.”

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Além de oferecer a maior capacidade de TI disponível no país, o DC BG03 será o primeiro data center da Colômbia a ser conectado diretamente ao sistema de transmissão de energia local, possibilitando que os clientes da ODATA tenham maior escalabilidade e estabilidade energética para acompanhar o desenvolvimento de sua infraestrutura digital.

Um novo momento

Em 2022, a gestora Pátria Investimentos vendeu a ODATA em um negócio de US$ 1,8 bilhão. A compradora foi a americana Aligned Data Center, também do setor de colocation. A projeção de investimentos até 2026, sozinha, é de R$ 26 bilhões.

Para os novos data centers da Colômbia, será utilizada uma tecnologia de resfriamento proprietária da Aligned Data Center, chamada Delta Cube. Diferentemente dos métodos convencionais, que empurram o ar frio para fora das salas, ela captura e remove calor diretamente em sua fonte, criando um ambiente mais eficiente.

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“Foi uma mudança radical [do Pátria para a Aligned]; ela foi muito alinhada com as necessidades do mercado. O timing foi muito bom”, diz Alário. Para ele, o intercâmbio entre os times de engenharia é apenas uma das razões para isso: capacidade de fabricação local no Brasil, cadeia de suprimentos e disponibilidade financeira são outros exemplos.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.