Estratégia

O gelato que quer ser bilionário: a receita da Borelli para crescer sem virar sorvete

Empresa espera terminar 2026 com 300 unidades abertas depois de expansão de fábrica para bases de seus gelatos

Tony Miranda, CEO da Gelato Borelli. (Foto: Divulgação/Gelato Borelli)
Tony Miranda, CEO da Gelato Borelli. (Foto: Divulgação/Gelato Borelli)

Publicidade

Depois de chegar aos R$ 500 milhões em faturamento em 2025, a Borelli projeta um crescimento de 30% no resultado para 2026. Para este ano, a rede de gelaterias deve chegar aos R$ 650 milhões com 60 unidades em algum estágio de implantação no momento — e o primeiro bilhão já está no horizonte.

Nos últimos quatro anos até 2025, a rede fundada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, inaugurou 217 unidades — foram 52 apenas no ano passado. Até o fim de 2026, o grupo espera celebrar a inauguração da sua unidade de número 300. “Somos muito criteriosos, então queremos crescer de forma sustentável com o parceiro correto”, aponta o CEO da empresa, Tony Miranda, ao InfoMoney.

Para sustentar o crescimento, a empresa acabou de expandir a capacidade de produção da sua planta industrial em Cravinhos (SP), onde são fabricadas as bases dos gelatos posteriormente finalizados nas unidades.

“Rodamos essencialmente com um turno de produção hoje. Graças à tecnologia de automação que temos na fábrica, com a mesma capacidade instalada de infraestrutura e de máquinas, talvez possamos triplicar isso’, conta o executivo.

A empresa prefere ser detalhista quanto ao que é produzido em sua fábrica, importante para o posicionamento premium da companhia. A palavra “indústria”, avaliam, pode ser carregada de associações com acidulantes, corantes e conservantes. No caso da Borelli, os produtos são “frescos e naturais”, conta Miranda.

“A produção do gelato acontece em loja. Temos um maquinário italiano proprietário. Os gelatos exibidos nas vitrines foram produzidos na unidade, naquele mesmo dia”, aponta o executivo. “Falamos em 48h de tempo de vida de um gelato, mas na prática a grande maioria em nossas lojas tem menos de 24h.”

Continua depois da publicidade

É na sua planta industrial onde a Borelli desenvolve, por exemplo, a pasta de pistache responsável por saborizar um dos seus grandes sucessos de venda. Essa base é distribuída pelas unidades onde ocorre a mistura com leite e creme de leite para efetivamente fazer o gelato.

Além do controle sobre a qualidade e distribuição, o domínio da cadeia garante aos franqueados maior margem. A Borelli não informa o valor bruto do investimento em expansão da fábrica, apenas que ele está na casa das dezenas de milhões de reais.

Portfólio em crescimento

O crescimento da companhia tem acompanhado uma tendência no mercado de sorvetes associada à “premiunização”, onde opções de custo mais elevado estão ganhando a preferência dos consumidores. Segundo a Scanntech, plataforma de análise de dados e inteligência de mercado, enquanto as vendas gerais do segmento caíram 5,4% de janeiro a julho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, o sortimento premium avançou 1,3%.

Continua depois da publicidade

Parte desse movimento é provocado pela tendência de saudabilidade: consumidores estão tomando sorvete em menos ocasiões e, quando isso acontece, eles preferem pagar mais caro pelo produto. A Borelli tenta aproveitar essa onda em várias frentes. No último ano, a empresa fez uma parceria para levar o sabor do seu gelato de pistache para o suplemento proteico Whey.

O cálculo do varejo

Também em busca de ampliar seu portfólio, a empresa lançou um licor de doce de leite no fim de 2025 e um snack de amêndoas cobertas de chocolate em 2026. “Vamos entrar por outras linhas de produto, eventualmente até outros canais”, conta Miranda.

As vendas de produtos em supermercados, por exemplo, ainda são discutidas pela companhia. “Na prática, muito do que se apresenta como gelato no supermercado é sorvete. Precisa de conservante, corante e acidulante para manter por tanto tempo. Temos que cuidar para não perder nossa identidade”, aponta o executivo.

Continua depois da publicidade

Além do mais, há um cálculo que envolve os franqueados. Um eventual lançamento da marca no varejo poderia implicar canibalização do consumo nas unidades onde se vende a experiência da marca. Por ora, a Borelli não chegou a um momento de decisão sobre o tema.

Depois de ultrapassar os R$ 500 milhões em faturamento em 2025, a Borelli já pode pensar no seu primeiro bilhão. E ele não deve demorar muito. Para Miranda, “é difícil não olhar para frente e achar que não podemos alcançar isso entre 3 e 5 anos”.

Autor avatar
Iuri Santos
Business | Consumo | Minhas Finanças

Repórter com experiência na cobertura de mercados, negócios e inovação. Antes do InfoMoney, passou pelo E-Investidor, do Estadão.