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A transição energética está em pleno curso no Brasil e no mundo, e a mobilidade — seja terrestre ou aérea — é um dos vetores centrais desse movimento. Em painel realizado na sexta-feira (25), durante a Expert XP 2025, representantes da BYD e da Eve Air Mobility destacaram como as empresas estão posicionadas para liderar esse processo.
Pablo Toledo, diretor da BYD, ressaltou que a fabricante, hoje líder em veículos eletrificados no país, entregou 60 ônibus elétricos para a cidade de São Paulo e atua na Linha 17-Ouro do metrô. Nascida como fabricante de baterias, a empresa se expandiu para quatro pilares: energia solar, veículos especializados, transporte coletivo e semicondutores.
“Nossa missão é contribuir para reduzir a temperatura global em um grau, com uma abordagem sistêmica de transição energética”, afirmou Toledo. Segundo ele, o Brasil ocupa papel estratégico, sendo o primeiro mercado da BYD fora da China e abrigando sua maior planta industrial internacional, em Camaçari (BA).
Enquanto isso, Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility, apresentou a visão da empresa para a mobilidade aérea urbana. O foco é desenvolver aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs), capazes de realizar dezenas de voos diários em centros urbanos como São Paulo.
“Não queremos substituir helicópteros, mas escalar soluções mais baratas, silenciosas e sustentáveis”, explicou. A empresa já firmou contrato com a startup Revo para operar voos urbanos na capital paulista a partir de 2027 — ano estimado para a certificação do veículo junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Segundo Bordais, a infraestrutura será aproveitada dos helipontos existentes, com algumas adaptações necessárias. “São mais de 260 helipontos na cidade, e cerca de 100 podem ser convertidos em vertiportos”, destacou. A empresa também recebeu apoio financeiro do BNDES (R$ 500 milhões) e da Finep (R$ 90 milhões) para construção de fábricas e desenvolvimento tecnológico.
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Infraestrutura e futuro
A abundância de energia renovável no Brasil — hidrelétrica, eólica, biomassa e solar — foi citada por Toledo, da BYD, como uma vantagem competitiva para o país e para as empresas que apostam em negócios sustentáveis.
No entanto, olhando especificamente para os carros eletrificados, o gargalo ainda está na distribuição. “A grande trava é fazer essa energia chegar com eficiência às cidades e consumidores. Temos tecnologia e oferta, mas precisamos desatar esse nó”, afirmou.
Apesar disso, ele projeta que todo um ecossistema empresarial será beneficiado com os pontos de recarga, que prometem ter papel central na economia futura. “Esses pontos, hoje, são totens, mas vão virar mídia, espaço comercial, lojas. A infraestrutura de recarga será um novo ecossistema econômico”.
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Para Bordais, CEO da Eve, quem pensa que essas evoluções estão num futuro distante — seja a maior presença de carros eletrificados ou mesmo dos “carros voadores” — pode perder oportunidades. “A mobilidade urbana 100% elétrica vai acontecer. A questão não é se, é quando”.
Ele prevê que o avanço nas baterias e nas regulamentações permitirá transportar mais pessoas por distâncias maiores, com voos até mesmo autônomos no longo prazo. “Para os próximos 20 anos, planejamos colocar 30 mil veículos no mundo. Isso vai demandar mudanças no tráfego aéreo, mas são transformações pensando no futuro do planeta e no que os consumidores buscam.”
