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Mineradoras de criptomoedas querem uma parte do mercado de data centers para IA

Segundo estudo da Moody's Rating, empresas devem enfrentar dificuldades por estarem em mercados secundários

Iuri Santos

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Mineradores de criptomoedas querem diversificar. Agora, seus potentes computadores já conectados à infraestrutura de energia começam a atender cargas de trabalho de inteligência artificial generativa em data centers de mercados secundários.

Um relatório publicado pela Moody’s Rating com perspectivas para o mercado global de Data Center em 2026 diz esperar mais financiamento para os mineradores com características de crédito positivas e em modelos de projetos de grande escala, com amortização da dívida e sem risco de renovação de contrato.

A Terawulf, uma empresa especializada em energia e mineração de bitcoin, é um exemplo. Além de ter fundado uma joint venture com a companhia de IA Fluidstack, em maio de 2025 a companhia adquiriu a Bewulf Electricity, uma parte relacionada, por US$ 52 milhões em busca de simplificar a operação e fortalecer suas capacidades de IA.

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Empresas especializadas em minerar bitcoins, com experiência na implementação de infraestrutura para processamento em larga escala, poderiam aumentar a velocidade de entrada dos hiperescaladores — grandes provedores de nuvem em larga escala — no mercado.

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“No entanto, seus projetos de data centers geralmente estão localizados em mercados menos importantes, nos quais o baixo custo de energia pode, em última análise, revelar-se um atrativo insuficiente para inquilinos a longo prazo”, avalia a Moody’s.

Para a empresa de rating, esses empreendimentos ainda enfrentariam o problema de serem valiosos no processo de treinamento de inteligências artificias, mas não na inferência, quando o modelo começa efetivamente a aplicar seu treinamento em respostas.

Ao todo, os investimentos globais em IA devem chegar US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos, segundo estimativas da empresa de análise. E enquanto o custo de capital dos empreendimentos em IA dos principais players do mercado são questionados pelos investidores, essas empresas devem sustentar o financiamento de empreendimentos, devido ao seu histórico de crédito.

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Investimentos feitos apenas pelos seis principais hiperescaladores dos Estados Unidos (Microsoft, Amazon, Alphabet, Oracle, Meta e CoreWeave) totalizaram US$ 400 bilhões em 2025 e devem chegar a US$ 500 bilhões em 2026 e US$ 600 bilhões em 2027.

A Moody’s avalia, no entanto, que o mercado de capitais tem se adaptado para sustentar o rápido crescimento dos data centers, exigindo maior quantidade e diversidade de capital. “A maior parte do capital para desenvolvimento até o momento veio de financiamento de projetos, empréstimos bancários corporativos e capital privado, bem como capital de desenvolvimento, de inquilinos ou ambos”, diz.

Ainda que bancos continuem desempenhando um papel proeminente no financiamento, investidores institucionais devem emprestar cada vez mais aos projetos de data centers. “À medida que os projetos aumentam em escala e o ritmo de construção acelera, os termos e prazos do arrendamento estão se ajustando para equilibrar a alocação de riscos e ajudar a garantir que ameaças desconhecidas e maiores sejam suportadas por uma parte bem capitalizada ou altamente experiente”, aponta o relatório.

Iuri Santos

Repórter de inovação e negócios no IM Business, do InfoMoney. Graduado em Jornalismo pela Unesp, já passou também pelo E-Investidor, do Estadão.