Microsoft turbina a Mistral para entrar na corrida da IA soberana da Europa

Microsoft vai financiar expansão da IA da Mistral na Europa em acordo multibilionário

Reuters

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Fachada com o logo da Microsoft nos escritórios da empresa em Issy-les-Moulineaux, na região de Paris, França, em 21 de março de 2025. REUTERS/Gonzalo Fuentes
Fachada com o logo da Microsoft nos escritórios da empresa em Issy-les-Moulineaux, na região de Paris, França, em 21 de março de 2025. REUTERS/Gonzalo Fuentes

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SAN FRANCISCO, 21 Jul (Reuters) – A Microsoft (MSFT34) concordou em ⁠investir bilhões de dólares na infraestrutura de computação da Mistral na ⁠Europa, em um acordo que também expandirá a distribuição da tecnologia da startup francesa ‌de IA por meio da gigante norte-americana de nuvem e software, disseram as empresas nesta terça-feira.

Como parte do acordo, os clientes do Microsoft Azure poderão desenvolver software usando os data centers ‌da Mistral na França, proporcionando à Microsoft mais capacidade na Europa e oferecendo às indústrias regulamentadas uma alternativa à infraestrutura controlada pelos EUA.

A Mistral, por sua vez, adicionou seus modelos de IA, chamados Medium 3.5 e OCR 4, ao criador de aplicativos da Microsoft, conhecido como Foundry. O Microsoft Copilot Studio também incorporou o Medium 3.5.

Por fim, empresas com data centers independentes que acessam os ⁠serviços ‌da Microsoft via Azure Local terão a opção de executar os modelos ‘abertos’ da Mistral, que concedem ⁠aos clientes a licença para desenvolver IA por conta própria.

O acordo sublinha o crescente interesse na Europa e em outros lugares em reduzir a dependência da tecnologia norte-americana, para que outros países possam ter maior influência em sua sociedade e economia futuras. Também pode ajudar a Microsoft a atender à crescente demanda por modelos abertos.

Embora a busca por uma ​IA ‘soberana’ já tenha alguns anos, a decisão dos EUA no mês passado de suspender o acesso estrangeiro a dois modelos avançados da Anthropic, empresa sediada em San Francisco, tornou a ​independência tecnológica uma questão mais urgente na Europa.

Em entrevista conjunta à Reuters, o presidente da Microsoft, Brad Smith, e o presidente-executivo da Mistral, Arthur Mensch, afirmaram que a parceria visa garantir essa soberania, permitindo ao mesmo tempo o acesso a softwares e recursos de segurança dos EUA.

‘Ao colocar os modelos da Mistral no Azure Local e na capacidade computacional da Mistral, podemos ‌combinar a tecnologia norte-americana e europeia e fazer isso de uma ​forma que proporcione acesso contínuo e garantido’, disse Smith.

CORRIDA DA IA

Desvincular a Europa da tecnologia norte-americana seria uma tarefa árdua. Os chips da Nvidia, que impulsionam o boom global da IA, também essenciais para a expansão dos data ⁠centers da Mistral, são projetados nos ​Estados Unidos. A Nvidia, assim ​como a Microsoft, é investidora da Mistral.

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Smith afirmou que o acordo anunciado na terça-feira não incluía nenhuma nova participação financeira ⁠na startup, e Mensch se recusou a comentar uma ​reportagem da Bloomberg News de que a Mistral estava em negociações para levantar cerca de 3 bilhões de euros com uma avaliação de 20 bilhões de euros.

O laboratório com sede em Paris tornou-se uma das ​maiores esperanças da Europa em IA. Até agora, tem focado nos setores de manufatura, serviços financeiros e vendas para a área de defesa, tendo conquistado contratos com ​as forças armadas francesas. Sua ⁠avaliação de mercado ainda é muito inferior à de concorrentes norte-americanos, como a Anthropic.

Ainda assim, Mensch afirmou que o acordo demonstrava ⁠como a Microsoft e a Mistral estavam ‘trabalhando juntas para reduzir a lacuna na área de infraestrutura na Europa’.

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A Mistral pretende atingir 1 gigawatt de capacidade computacional até 2030, e o acordo com a Microsoft — cujos detalhes Mensch se recusou a fornecer — valida sua estratégia.

As empresas estão trabalhando em um plano conjunto de entrada no mercado, acrescentaram.

‘Isso certamente ajudará ambas as empresas a expandirem seus negócios’, disse Smith.

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(Por Jeffrey ​Dastin)