Meta testa limites da privacidade com óculos sem câmera que gravam áudio

Meta deve apresentar óculos inteligentes sem câmera em meio a crescentes preocupações com a privacidade

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

MENLO PARK, CALIFÓRNIA, 23 Set (Reuters) – A Meta ⁠Platforms (M1TA34) deve apresentar novos óculos inteligentes em sua ⁠conferência anual Connect, na quarta-feira, incluindo um modelo sem câmeras, em meio ‌a crescentes preocupações com a privacidade em relação a dispositivos de IA que podem ser usados para gravar pessoas sem o consentimento delas.

Leia também: Agente autônomo da Meta transforma um único comando em um fluxo completo de trabalho

A gigante das ‌redes sociais é a pioneira na corrida para colocar dispositivos de IA nas mãos dos clientes, com as vendas dos óculos inteligentes que desenvolveu em parceria com a EssilorLuxottica disparando no ano passado para mais de 7 milhões. Isso deu à Meta uma participação dominante em um mercado onde enfrenta principalmente a concorrência de empresas ⁠chinesas, ‌como a RayNeo e a Xiaomi .

Mas a crescente popularidade dos dispositivos gerou ⁠preocupação global quanto à sua capacidade de gravar pessoas secretamente, levando vários restaurantes, pubs e teatros do Reino Unido a restringir seu uso.

Os óculos também geraram ações judiciais, incluindo uma proposta de ação coletiva na Califórnia, na qual se alega que a Meta enganou os usuários sobre as ​proteções de privacidade e que os anotadores humanos responsáveis pelo treinamento de sua IA visualizaram e classificaram imagens de momentos privados das pessoas — incluindo trocas ​de roupa — após as gravações terem sido enviadas para seus servidores.

A Meta, que contesta as alegações e planeja se defender, deve lançar os óculos sem câmeras em dois modelos, um chamado Clubmaster e outro chamado Burbank, de acordo com o site The Information.

Continua depois da publicidade

Analistas esperam que a empresa também lance uma ‌nova versão de seus óculos Meta Ray-Ban, que vêm ​com câmeras, bem como um par de óculos de realidade aumentada mais finos e leves que, segundo reportagens, têm o codinome Phoenix.

O possível lançamento do Phoenix ocorre dias depois que a Snap ⁠revelou novas parcerias e ​detalhes de software sobre ​seus óculos de realidade aumentada Specs, que custam US$2.195 e serão lançados ainda este ano.

Alguns analistas, no ⁠entanto, duvidam que a simples remoção das ​câmeras seja suficiente para dissipar as preocupações com a privacidade em relação a dispositivos de IA que ainda podem gravar áudio. A perda da câmera também pode diminuir a ​demanda, já que a captura de fotos e vídeos está entre os recursos mais populares dos dispositivos.

Continua depois da publicidade

“Microfones e captação de áudio poderiam ​suscitar preocupações semelhantes, embora ⁠provavelmente em menor grau”, disse Linda Sui, fundadora da Smart Analytics Global, uma empresa de pesquisa de ⁠mercado.

“Mais importante ainda, remover a câmera de óculos que também não possuem um visor frontal criará um desafio de diferenciação de produto. Os consumidores podem se perguntar por que precisam de óculos inteligentes em vez de fones de ouvido Bluetooth se a experiência principal se limita à interação por voz, microfones e alto-falantes.”

(Reportagem de Aditya ​Soni)

Continua depois da publicidade