Meta planeja cortes de até 30% nos investimentos do metaverso em 2026

Após perdas bilionárias e baixa competição no setor, Meta foca em inteligência artificial e hardware, reduzindo recursos para projetos como Horizon Worlds e Quest

Bloomberg

Mark Zuckerberg (David Paul Morris/Bloomberg)
Mark Zuckerberg (David Paul Morris/Bloomberg)

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Mark Zuckerberg, da Meta, deve reduzir significativamente os recursos destinados à construção do chamado metaverso, projeto que ele já definiu como o futuro da empresa e motivo da mudança do nome do Facebook.

Executivos estão considerando cortes de até 30% no orçamento do grupo responsável pelo metaverso no próximo ano, que inclui o produto de mundos virtuais Meta Horizon Worlds e a unidade de realidade virtual Quest, segundo pessoas próximas às discussões, que preferiram não se identificar por se tratar de planos internos da empresa. Esses cortes provavelmente envolverão demissões já em janeiro, segundo as fontes, embora a decisão final ainda não tenha sido tomada.

As reduções fazem parte do planejamento orçamentário anual da empresa para 2026, que incluiu uma série de reuniões na propriedade de Zuckerberg no Havaí no mês passado, segundo as fontes. Zuckerberg pediu aos executivos da Meta que busquem cortes de 10% em todas as áreas, uma solicitação padrão em ciclos orçamentários recentes.

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O grupo do metaverso foi orientado a cortar ainda mais este ano, já que a Meta não viu o nível de competição na indústria em relação à tecnologia que esperava, disseram as fontes. A maior parte dos cortes deve atingir o grupo de realidade virtual da Meta, que concentra a maior parte dos gastos relacionados ao metaverso, incluindo o Horizon Worlds.

O projeto do metaverso tem sido alvo de críticas de investidores, que o veem como um dreno de recursos, além de órgãos reguladores, que apontam preocupações com a privacidade e segurança das crianças nos mundos virtuais. Após o anúncio, as ações da Meta subiram até 5,7% na abertura dos mercados em Nova York, seu maior ganho intradiário desde 31 de julho.

Um porta-voz da Meta preferiu não comentar.

Apesar da convicção de Zuckerberg de que as pessoas um dia trabalharão e se divertirã em mundos virtuais, a visão da Meta para o metaverso não decolou. Em 2021, quando o Facebook enfrentava problemas relacionados à segurança e privacidade dos usuários, Zuckerberg rebatizou a empresa em torno da ideia do metaverso e começou a investir pesado nessa visão.

O grupo do metaverso está dentro da Reality Labs, divisão da Meta focada em apostas de longo prazo, como headsets de realidade virtual e óculos de realidade aumentada. Essa divisão acumulou perdas superiores a US$ 70 bilhões desde o início de 2021. Zuckerberg praticamente parou de mencionar o metaverso em público e nas teleconferências de resultados, focando no desenvolvimento de grandes modelos de IA que sustentam chatbots e outros produtos de IA generativa, além de hardware ligado a essas experiências, como os óculos inteligentes Ray-Ban da Meta.

Alguns analistas e investidores defendem que Zuckerberg abandone os produtos da Reality Labs que continuam consumindo recursos sem gerar receita significativa. Em abril, Mike Proulx, vice-presidente da empresa de pesquisa e consultoria Forrester, previu que a Meta “encerre seus projetos de metaverso, como o Horizon Worlds” antes do fim do ano.

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A divisão Reality Labs “continua sendo um balde furado”, disse ele por e-mail na época, destacando as perdas da unidade. Encerrar os esforços com o metaverso, segundo Proulx, “permitiria que a empresa focasse mais em seus projetos de IA, incluindo Llama, Meta AI e óculos de IA.”

A Meta segue comprometida com a construção de hardware para consumidores e recentemente contratou o principal executivo de design da Apple para ajudar.

© 2025 Bloomberg L.P.

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