Mercado Livre investe em inteligência artificial e demite 119 funcionários

O Mercado Livre não afirmou que as pessoas foram substituídas por inteligência artificial e chamou o processo de "medida pontual"

Sara Baptista Lara Rizério

Funcionário do Mercado Livre em escritório em Buenos Aires, Argentina 
(Foto: REUTERS/Agustin Marcarian/Arquivo)
Funcionário do Mercado Livre em escritório em Buenos Aires, Argentina (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian/Arquivo)

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O Mercado Livre demitiu 119 funcionários na América Latina nos últimos dias, sendo 38 deles no Brasil. A demissão em massa, segundo o jornal Folha de S.Paulo, foi motivada pelo desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial.

De acordo com a Folha, a maioria das demissões aconteceu na última quinta-feira (8). O jornal também apurou que a equipe mais afetada foi a de experiência do usuário (UX), onde houve crescimento do uso de tecnologias de IA, e que os funcionários demitidos eram os que produziam textos, os “UX writers”.

Ao Infomoney, o Mercado Livre confirmou as demissões no Brasil, mas não que as pessoas tenham sido substituídas por inteligência artificial e chamou o processo de “medida pontual”.

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“No Mercado Livre, estamos evoluindo os perfis de Experiência do Usuário (UX) para integrar de forma mais eficaz as áreas de Design e Conteúdo. Essa transformação busca fomentar estruturas mais ágeis e colaborativas, aproveitando a tecnologia para continuar melhorando a experiência de nossos usuários”, diz a nota. “Como parte desse processo, 38 pessoas deixaram a companhia no Brasil. Trata-se de uma medida pontual que não altera nossa estratégia de crescimento no país nem na região”, completa o texto enviado ao Infomoney pela assessoria de imprensa.

O Mercado Livre tem hoje 55 mil funcionários no Brasil e 120 mil na América Latina. Segundo a empresa, 42 mil novas vagas foram criadas na região em 2025.

A Folha ouviu três funcionários do Mercado Livre sob condição de anonimato e eles relataram que as pessoas que não foram demitidas terão acesso a novos recursos de IA e que os designers devem incorporar a função de escrita, com auxílio da tecnologia.

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Funcionários também contaram que a empresa, que já usa IA há anos, passou a exigir em 2025 que os trabalhadores documentassem o uso da tecnologia, com métricas acompanhadas pelos gestores.

Quando deixou o posto de CEO do Mercado Livre no último ano, Marcos Galperin, fundador da empresa, disse que se dedicaria a projetos envolvendo inteligência artificial.