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A De Beers, conglomerado envolvido na mineração e comercialização de diamantes, anunciou na segunda-feira (18) que reduziria os preços dos diamantes pela primeira vez desde o fim de 2024.
A redução aconteceu após uma queda da demanda puxada pelo recuo dos gastos com luxo na China, o aumento da popularidade das pedras sintéticas e as tarifas dos EUA sobre a Índia, maior exportadora de diamantes do mundo.
Na tentativa de evitar a redução oficial nos preços, a empresa já estava realizando venda privadas com descontos de cerca de 25%, para algumas categorias de gemas.
Detentora de 33% do market share de comercialização de diamantes no mundo, a De Beers, notoriamente, evita cortes de preços já que qualquer movimento seu influencia o setor como um todo.
Segundo a Bloomberg, a dimensão dos cortes de preço de segunda-feira não ficou imediatamente clara. A De Beers havia cortado preços pela última vez em dezembro de 2024, e a nova redução ocorre em um momento crucial para a empresa que inventou a indústria moderna de diamantes.
Crise no luxo?
A indústria de diamantes enfrenta uma das crises mais profundas e prolongadas da história recente, em meio à desaceleração dos gastos com produtos de luxo na China e ao aumento da popularidade das pedras sintéticas. As tarifas dos EUA sobre a Índia — maior exportadora de diamantes do mundo — agravaram ainda mais a situação.
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O impacto já é sentido em Botsuana, um dos maiores produtores e exportadores de diamantes do mundo, onde as pedras são fonte essencial de receita.
O Ministério das Finanças do país africano alertou que as receitas minerais podem encerrar o ano fiscal de 2025-2026 em apenas 10,3 bilhões de pula (US$ 744 milhões), menos da metade da média histórica de 25,3 bilhões de pula, e o governo já admite um período prolongado de fraqueza nos preços de diamantes, com sérias implicações para o orçamento da nação do sul da África.
“A recuperação da receita mineral deve ser prolongada”, escreveu o ministério em um documento de estratégia divulgado antes do orçamento anual do próximo mês. “A insuficiência provavelmente persistirá no médio e longo prazo, com a possibilidade de não haver recuperação.”
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Segundo o Ministério das Finanças, é esperado que os diamantes brutos sejam vendidos a US$ 99,3 por quilate no fim de 2025, em comparação com US$ 128,8 em 2024, ampliando a pressão sobre as finanças públicas de Botsuana.
“No contexto de pressões macrofiscais elevadas, o governo vai priorizar a restauração da sustentabilidade fiscal por meio do fortalecimento da disciplina de gastos”, diz o documento, observando que o déficit orçamentário deve se reduzir para 3,3% do produto interno bruto em 2025/26, de 4,2% em 2024/25.
Momento ruim
No começo do segundo semestre de 2025, o mercado de diamantes ensaiava uma melhora. Mas, em agosto, Trump impôs tarifas de 50% sobre a Índia, responsável por cerca de 90% da comercialização, lapidação e polimento de diamantes. Na outra ponta, os EUA seguem como o maior mercado consumidor do mundo.
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O impacto foi imediato e não poderia ter vindo em pior momento para a Anglo American Plc, controladora da De Beers. A mineradora busca sair do negócio como parte de uma reestruturação radical após ter repelido, em 2024, uma oferta de US$ 49 bilhões da BHP Group.