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A Sunshine Calçados e Confecções, principal franqueada da marca de calçados Skechers no Brasil, está fechando três de suas sete lojas no País em meio a uma recuperação judicial de quase R$ 20 milhões. O grupo, dono de metade das unidades da marca americana de tênis no Brasil, responsabiliza a própria Skechers pelo agravamento da sua situação financeira — e agora, levou até a resposta de e-mails à Justiça.
Em novembro, o juiz Marcio Aparecido Guedes acatou o pedido de recuperação judicial da Sunshine, avaliando-o a R$ 19,3 milhões. Entre 2015 e 2025, a franqueadora calcula ter acumulado R$ 49,6 milhões em prejuízos diretos causados pela Skechers.
Nos documentos do pedido de Recuperação Judicial aos quais o InfoMoney teve acesso, a Sunshine menciona como um argumento as falhas de abastecimento provocadas pela Skechers. “Quebras de coleção” de 20% a 30% teriam sido recorrentes e os atrasos teriam chegado a 77% dos produtos confirmados no segundo semestre de 2025.
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Alegam ainda atrasos mensais recorrentes de entrega de pré-compras realizadas com seis meses de antecedência, principalmente de produtos de linhas com melhores vendas. A Sunshine também diz nos documentos que a Skechers feriu a isonomia entre franqueados brasileiros ao impor um benefício de margem de lucro superior para lojistas abrigados em São Paulo por compensação de carga tributária.
Em nota, a Skechers do Brasil afirmou que a relação comercial entre as partes sempre seguiu estritamente o previsto em contrato. “A empresa nega, portanto, veementemente, ter imposto qualquer condição irregular ou que extrapolasse os termos pactuados”, disse.
A Sunshine calcula prejuízos de R$ 15,1 milhões por produtos não entregues, R$ 7,2 milhões devido às margens de lucro inferiores às de outros lojistas. Procurado, o Grupo optou por não se manifestar no momento.
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Parte do prejuízo registrado no pedido de RJ nasceu justamente das dívidas da Sunshine com a Skechers. R$ 2,4 milhões são fruto de pagamentos de juros à Skechers do Brasil entre 2020 e 2025; outros R$ 7 milhões foram pagos a bancos e R$ 6,3 milhões em juros de passivos tributários.
Segundo argumenta a Sunshine nos documentos da RJ, a Skechers promoveu “constantes bloqueios de faturamento de mercadoria em retaliação aos débitos da Sunshine”. Mas os problemas de repasse teriam sido causados justamente pela Skechers, que prejudicou os estoques e coberturas da franqueada com os atrasos nas entregas de mercadorias, afirma a Sunshine.
Contatos sem respostas e lojas fechadas
Agora, a franqueadora comunicou via e-mail à Skechers que fechará suas lojas no Park Shopping, em Brasília, Pantanal Shopping, em Cuiabá, e Amazonas Shopping, em Manaus, ainda em 2026. São três das 13 lojas da marca de calçados no Brasil, que já viu uma unidade no Goiânia Shopping fechando em 2025.
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Enviado em novembro, o e-mail ainda comunica à gestão da Skechers do Brasil que o grupo Sunshine não participaria de uma reunião de vendedores organizada para o fim de 2025, além de deixar de fazer a programação de compra enquanto perdurar o bloqueio de faturamento promovido pela franqueadora.
O pedido de liminar em que estão anexados os comunicados, ainda não concedida pelo juiz, pede justamente que a Skechers responda a esse e a outro e-mail, de setembro, solicitando esclarecimentos sobre a gestão de coleções e pedindo visibilidade nas comunicações.
Embora a Sunshine argumente que boa parte de seus e-mails não foi respondida desde setembro, a Skechers confirmou em uma resposta que a coleção para o primeiro semestre de 2026 teria 341 modelos. A Sunshine questiona, no entanto, se o valor considera 193 modelos ainda não entregues pela fornecedora.
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O Grupo Sunshine requer que o contrato de fornecimento com a Skechers seja declarado bem de capital essencial, dado que ela é fornecedora única das lojas franqueadas e a manutenção das entregas seria necessária para a operação durante o período de suspensão das execuções de dívidas na recuperação judicial.
Em 2025, a gestora 3G Capital, dos bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, comprou 80% da Skechers da família fundadora. Os conflitos relatados pela Sunshine e a gestão da companhia no Brasil antecedem o negócio que fecha o capital da companhia após uma compra de US$ 9,4 bilhões.
A Sunshine iniciou sua operação como franqueada no Brasil em outubro de 2015 em um projeto que visava a abertura de 60 lojas em 5 anos. Hoje, as sete lojas estão nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Amazonas e Distrito Federal.
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“A Skechers reforça que mantém uma relação pautada pelo respeito, pela transparência e pela observância rigorosa das regras contratuais com todos os seus franqueados e parceiros comerciais, valorizando o diálogo contínuo como pilar do seu modelo de negócios”, disse a empresa em nota. “Por se tratar de processo judicial em curso, a companhia não comenta o mérito da ação”, afirmou.