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Quando LeBron James assinou, em 2018, um contrato de US$ 154 milhões para liderar o Los Angeles Lakers rumo a novos títulos da NBA, esse não foi o maior negócio que fechou naquele ano.
Meses antes de se juntar à equipe, uma empresa de responsabilidade limitada controlada pelo astro tomou emprestados quase US$ 300 milhões junto a duas seguradoras do Meio-Oeste dos Estados Unidos, assessoradas por uma divisão da Guggenheim Partners, segundo registros do setor de seguros analisados pela Bloomberg.
Os títulos, até então não divulgados, vencem em 2049 e foram estruturados para fornecer liquidez imediata a James. Como garantia, foram utilizados fluxos de receitas futuras oriundas de negócios fora das quadras, incluindo seu contrato vitalício de patrocínio com a Nike, segundo pessoas familiarizadas com a operação.
A concessão dos empréstimos ocorreu antes de Mark Walter, líder da Guggenheim, iniciar a aquisição do tradicional time da NBA. Neste mês, porém, o bilionário concordou em vender os Lakers em meio a uma investigação federal sobre partes de seu império empresarial. Não há qualquer indicação de que os empréstimos concedidos a LeBron estejam relacionados a essas apurações.
Atletas e artistas têm recorrido cada vez mais à securitização de receitas futuras, como royalties e contratos de licenciamento, para obter acesso imediato a capital. O pioneiro foi o músico David Bowie, que ficou famoso por transformar os ganhos futuros de seu catálogo musical em títulos negociados em Wall Street, abrindo caminho para um mercado hoje consolidado de ativos financeiros considerados exóticos.
Seguradoras, crédito privado e esportes
O caso de LeBron oferece também uma visão de como Walter e outros gestores de Wall Street transformaram o tradicional mercado de seguros de vida.
A Guggenheim passou a direcionar parte dos recursos das seguradoras para investimentos menos convencionais, incluindo crédito privado, franquias esportivas e até financiamentos ligados a atletas profissionais. Trata-se de uma mudança significativa em relação à prática histórica do setor, baseado principalmente em ativos conservadores para garantir o pagamento de indenizações futuras.
As duas seguradoras envolvidas na operação, North American Company for Life and Health Insurance e Midland National Life Insurance Co., pertencem ao grupo Sammons Financial Group.
Em conversa recente com investidores, a Sammons afirmou que a Guggenheim foi a única gestora responsável pela seleção de ativos das carteiras da empresa até 2021, segundo pessoas que acompanharam a reunião.
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Nos últimos anos, porém, a Sammons vem reduzindo sua exposição à Guggenheim. A empresa-mãe da seguradora figurava entre os maiores investidores da gestora, mas vem vendendo sua participação.
Um porta-voz de LeBron afirmou que as operações foram uma securitização baseada em seus rendimentos pessoais, fora da NBA, e representam uma estrutura financeira comum para indivíduos com patrimônio e renda dessa magnitude.
Representantes da Guggenheim e da Sammons não comentaram.
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A operação “King James Funding”
Os empréstimos foram estruturados por meio da empresa King James Funding LLC, controlada por LeBron.
Segundo os registros, as seguradoras compraram quase US$ 300 milhões em títulos lastreados em ativos emitidos pela companhia quando o jogador ainda defendia o Cleveland Cavaliers.
Nos anos seguintes, parte da dívida foi amortizada. Posteriormente, a empresa emitiu novos títulos para as mesmas seguradoras. Ao final de 2025, elas ainda mantinham cerca de US$ 245 milhões em papéis ligados a LeBron.
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Os títulos emitidos em 2018 pagavam juros de 4,8% ao ano e vencem apenas no fim de 2049.
Poucos meses após a operação, LeBron entrou no mercado como agente livre e acabou escolhendo os Lakers. Em uma cena frequentemente mencionada nos bastidores da liga, ele recebeu em casa a visita de Magic Johnson, então executivo da franquia e sócio de longa data de Mark Walter.
O jogador assinou contrato de quatro anos.
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Novo financiamento após renovação
Em agosto de 2022, LeBron firmou uma extensão contratual de US$ 97 milhões com os Lakers.
Na mesma época, as duas seguradoras compraram quase US$ 60 milhões em novos títulos emitidos pela King James Funding. Os papéis tinham prazo de 34 anos e taxa de juros de 5,75%.
Segundo o porta-voz do atleta, ambas as operações receberam classificação de risco independente e a transação realizada em 2022 foi aprovada integralmente pela NBA.
Ele destacou ainda que LeBron não possui qualquer vínculo societário com Guggenheim, Sammons ou as seguradoras além da participação delas nas operações financeiras.
Relação com a Guggenheim
A Guggenheim também participou de outros empreendimentos ligados ao astro.
Em 2020, durante a pandemia, LeBron e seu amigo e sócio Maverick Carter anunciaram a captação de US$ 100 milhões para a empresa de mídia SpringHill Co., responsável por projetos de entretenimento e produção audiovisual.
A Guggenheim figurava entre os investidores da companhia.
Saída dos Lakers
Mark Walter combina recursos de seguradoras com investimentos esportivos há mais de uma década.
A compra do Los Angeles Dodgers em 2012 contou fortemente com capital oriundo do setor de seguros. Sob sua gestão, a equipe tornou-se uma das mais bem-sucedidas da Major League Baseball.
A entrada de Walter nos Lakers começou em 2021, com a aquisição de uma participação minoritária que posteriormente lhe garantiu o controle do clube.
A venda da franquia ocorre enquanto o empresário reestrutura seus negócios. Segundo a Bloomberg, a reorganização envolve mais de US$ 20 bilhões em empréstimos registrados nas seguradoras ligadas a seu grupo, que deveriam ter sido classificados como financiamentos a empresas afiliadas.
Enquanto isso, LeBron anunciou sua saída dos Lakers e assinou contrato de dois anos com o Philadelphia 76ers.
A nova equipe tem como um dos proprietários o empresário Josh Harris, cuja gestora 26North Partners investe em private equity, crédito privado e seguros.
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