8 em cada 10 CIOs adiaram projetos por restrição de custos, aponta pesquisa

Pesquisa revela que 83,7% dos líderes de tecnologia adiaram projetos estratégicos para evitar reprovações imediatas diante do aperto financeiro.

Élida Oliveira

Líderes estão perdendo oportunidade de propor inovação devido ao caixa restrito das empresas (Foto: Unsplash)
Líderes estão perdendo oportunidade de propor inovação devido ao caixa restrito das empresas (Foto: Unsplash)

Publicidade

A pressão dos juros altos e do comprometimento do caixa das empresas está paralisando projetos e inovação por conta dos custos. Mais de 8 em cada 10 (83,7%) líderes de tecnologia – os chamados Chief Information Officers ou CIOs – afirmam ter adiado projetos estratégicos por restrições orçamentárias. E, pior que isso, a restrição de caixa está fazendo com que eles nem levem as propostas aos diretores por considerarem que a ideia será reprovada.

O dado faz parte de uma pesquisa feita pela Zoho Workplace, com mais de 100 líderes de TI, em março de 2026. O resultado mostra que os profissionais que têm como função justamente serem inovadores e criativos estão sendo tolhidos nas suas iniciativas por conta do caixa restrito.

“Estamos vendo executivos que pensam duas vezes antes de propor inovação. Não por falta de visão, mas por antecipar a resistência. Isso muda completamente o ritmo de evolução das empresas”, afirma Fernanda Bordini, líder de marketing unidade de colaboração da Zoho Brasil.

Estude no exterior

Faça um upgrade na carreira!

Dados do IBGE apontam que a inovação nas empresas está caindo ano a ano. A taxa de inovação está em 64,4%, mas já foi de 64,6% no ano anterior e de 70,5% há cinco anos.

Segundo a pesquisa, os números também contrastam com as prioridades e estratégias propostas para o ano. Quando perguntados sobre as decisões estratégicas para este ano, mais de 60% dos CIOs citam melhorar a produtividade com Inteligência Artificial (IA), e 58,3% destacam eficiência operacional. Mas metade das empresas afirma ter orçamentos estáveis ou em queda, o que amplia o desafio de justificar investimentos.

Leia também: Tensão no Oriente Médio agrava a crise corporativa e pode elevar inadimplência e RJs

Continua depois da publicidade

Eficiência, retorno e falta de caixa

De acordo com especialistas, esse comportamento é um reflexo direto de companhias pressionadas por eficiência e retorno imediato. Luiz Adolfo Gruppi Afonso (Laga), ex-CIO e conselheiro de empresas de tecnologia, aponta que os gestores de TI lidam hoje com uma margem de manobra mais estreita. 

“O CIO está operando sob um novo tipo de risco: não é apenas errar na escolha tecnológica, mas errar na priorização financeira. Isso faz com que muitos projetos sequer cheguem à mesa de decisão”, afirma Laga.

Para gerar mais valor utilizando estruturas enxutas, o mercado corporativo passou a colocar a eficiência orçamentária no centro da operação. Na prática, a resposta das empresas tem sido a revisão de contratos, a consolidação de ferramentas tecnológicas e a busca por alternativas focadas em resultados para equilibrar custo, produtividade e controle operacional.