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O iFood anunciou nesta quarta-feira (6) as duas principais apostas estratégicas da companhia visando velocidade de entrega e opções mais baratas de refeições. A expectativa é de que os produtos ajudem a adicionar novos clientes à plataforma e ampliar as ocasiões de uso aos usuários que já fazem pedidos pelo aplicativo.
Em uma das frentes, a empresa de delivery lançou o Hits iFood, um ambiente no app dedicado a pratos com um custo médio menor. São refeições a partir de R$ 15 e com entrega gratuita desenvolvidas em parceria com os restaurantes que já estavam no aplicativo.
“O Hits é sobre criar uma oferta nova, um prato e um preço que não existem em nenhum outro lugar, nem no salão do restaurante”, explica a vice-presidente de crescimento do iFood, Paula Ritto. “É uma junção da inteligência do iFood com os nossos principais restaurantes que já trabalham nessas ocasiões de dia a dia, construindo uma oferta nova.”
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Há anos o iFood tenta encontrar uma solução para acessar mais o bolso da classe C, cuja venda média no aplicativo gira em torno de R$ 25. “A dificuldade [para acessar a] classe C é que o valor médio da refeição é muito menor. Ainda que se reduza um valor relevante da comida, da receita, não reduz o custo da entrega. Era difícil fazer as coisas ficarem em pé”, conta o CEO do iFood, Diego Barreto.
Embora houvesse disposição desse público para comprar no aplicativo, explica Barreto, o iFood teve dificuldade de operacionalizar financeiramente, nos últimos sete anos, uma opção mais acessível de refeição. A comissão média por pedido que vai para a empresa de delivery fica em 15%, para compras em valores próximos a R$ 25, o iFood embolsaria menos de R$ 4. “Trabalhamos brutalmente para achar um modelo operacional que feche a conta. Agora conseguimos.”
Com um ticket médio mais baixo, o iFood espera ganhar espaço em duas ocasiões que contornam o uso do aplicativo no cotidiano: as refeições preparadas em casa e aquelas consumidas no restaurante barato, próximo de casa. Em Salvador, praça de testes para o novo produto, houve um crescimento de 40% no número de pedidos feitos pelo aplicativo, enquanto a base de novos usuários aumentou cerca de 30%.
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Segundo Ritto, há também um impacto nas operações dos restaurantes. Aqueles que oferecem pratos pelo Hits veem um aumento de 35% em pedidos — o que inclui a venda de itens de fora da modalidade de melhor custo benefício. A conclusão da empresa é de que a nova plataforma aumenta o uso geral do aplicativo em 70%, dando maior visibilidade aos restaurantes de forma geral.
“O foco são restaurantes que têm um ticket médio aderente a almoço e jantar do dia a dia dos usuários. Esse é um primeiro grande filtro. O segundo é pegar restaurantes que estão perto das pessoas, restaurantes de bairro”, conta a executiva. Não há custo de adesão para os estabelecimentos convidados ao programa.
Até fim de outubro o iFood Hits estará disponível em Belo Horizonte (MG), Guarulho (SP), Ribeirão Preto (SP), João Pessoa (PB), Londrina (PR), Campo Grande (MS), Maceió (AL), Santo André (SP), São Bernardo do Campo (SP), Uberlândia (MG), Niterói (RJ), Osasco (SP), Maringá (PR), São José dos Campos (SP) e Natal (RN).
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Na última terça-feira (5) o iFood anunciou investimentos diretos de R$ 17 bilhões no Brasil entre abril de 2025 e março de 2026, acima dos R$ 13,6 bilhões nos 12 meses encerrados em março deste ano. O valor será destinado principalmente a ações de impulsionamento de tráfego, aumento de recorrências e ampliação dos segmentos de atuação da companhia.
Outra funcionalidade anunciada pela companhia é um modo de entrega em até 20 minutos chamado Turbo iFood, em que o usuário paga R$ 3,99 adicionais ao custo padrão da entrega em categorias de restaurantes, pets, mercados e farmácia
No caso dos restaurantes, o iFood precisou adaptar sua tecnologia de logística para se adequar ao tempo de entrega prometido. Primeiro, os restaurantes indicam quais dos pratos no seu cardápio podem ser concluídos dentro do prazo. Em um pedido normal, apenas perto do fim do preparo um entregador seria acionado para buscá-lo, já no caso da entrega “Turbo”, assim que o pedido é feito, o entregador entra em rota para buscar a refeição. Caso não chegue a tempo, o usuário recebe um estorno de R$ 5.
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As novidades são apresentadas diante da perspectiva de mais concorrência para o iFood: nos últimos meses, empresas como 99, Rappi e a estreante chinesa no mercado brasileiro Meituan anunciaram investimentos e taxa zero para restaurantes na busca por abocanhar mercado da líder nacional.
O próprio Rappi já possui uma opção de entrega em até 10 minutos batizada de “Turbo”, mas apenas para compras em supermercados. Apesar da coincidência, Ritto afirma que a ofensiva das concorrentes não justificou os movimentos do iFood. “Esses dois principais produtos estão operando em cidades grandes há 10 meses, então é uma dinâmica muito anterior a qualquer competição nova”, diz ela.
Durante o mês de maio, o Rappi foi um dos aplicativos de entrega a anunciar isenção de taxas para restaurantes parceiros, seguindo a onda da 99, que decidiu reestabelecer sua operação de delivery no Brasil depois de cancelá-la em 2023.
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Após um teste no bairro de Pinheiros, em São Paulo, o iFood disse que a média do tempo de entrega para todas as categorias ficou em 15 minutos. Em farmácias, por exemplo, chega a 12 minutos. Agora, a empresa diz que deve expandir o pedido para as “principais capitais” nos próximos meses.