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IA não pode ser subestimada na adaptação da reforma tributária, dizem especialistas

Entenda como a tecnologia, a governança e o planejamento transformam a complexidade tributária em previsibilidade e vantagem competitiva no podcast É Mais Que Tech

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O avanço da reforma tributária levou companhias de diferentes setores a iniciarem a adequação de seus processos e sistemas, mas apenas cumprir as exigências básicas de faturamento não garante a competitividade nem a segurança financeira no longo prazo, de acordo com especialistas ouvidos pelo podcast É Mais Que Tech, uma realização da Senior Sistemas em parceria com o Conexão InfoMoney.

Jorge Campos, especialista tributário e fundador do Portal SpedBrasil, explica que as empresas precisam encarar as mudanças de forma ampla, envolvendo áreas estratégicas além do setor fiscal.

“Escutamos muitas empresas falando: ‘eu já me preparei para a reforma'”, diz Campos. “Emitir a nota com CBS, IBS… Não é nada dentro do universo que existe para se adaptar ao sistema, processos e negócios em relação à reforma tributária”, continua o especialista.

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Segundo ele, a transição exige rever processos internos e alinhar toda a cadeia de valor, já que o impacto real vai muito além da emissão de documentos fiscais.

Quer saber mais? Acesse a página oficial do É mais Que tech e confira as duas primeiras temporadas do podcast 

Impacto das mudanças

Um dos principais pontos de atenção apontados pelos especialistas está na tendência de algumas organizações de subestimar a complexidade das mudanças operacionais e o cronograma de implementação.

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Campos compara a adaptação à reforma tributária a um “iceberg”, em que os ajustes relacionados às notas fiscais representam apenas a ponta de um processo muito mais amplo. “O maior risco é subestimar o operacional: achar que é só um software ou só uma alíquota, sem considerar os detalhes operacionais de como o negócio funciona e como é a relação com fornecedores e clientes”, alerta o fundador do Portal SpedBrasil.

Além disso, Campos reforça que uma das formas mais efetivas de entender, de fato, os impactos da reforma dentro de uma companhia é avaliar em que situação estão os fornecedores e os clientes. 

Valmir Hammes, head de produto ERP na Senior Sistemas, ressalta que as empresas precisam agir rapidamente no planejamento estratégico para evitar surpresas na margem de lucro e no fluxo de caixa.

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Valmir Hammes, head de produto ERP na Senior Sistemas/ Divulgação

“Entendemos que tem bastante trabalho para a empresa entender o impacto disso nos seus resultados, nas suas margens e em todo o cenário de sobrevivência dela”, aponta Hammes.

Ele lembra que parte da reforma tributária afeta diretamente setores inteiros que utilizam dinâmicas operacionais específicas, como a construção civil e o comércio de insumos, nos quais acordos informais ou de permuta podem perder espaço. 

Por conta disso, há uma série de análises que precisam ser realizadas para entender o impacto nos custos, além da necessidade de capacitar as equipes e revisar os contratos com fornecedores.

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“O planejamento é bem importante: entender como vai ser a vida lá na frente, os créditos, os diferenciais na margem, se os produtos seguem competitivos e como o setor está se organizando – principalmente setores que mudam muito, como a construção”, observa Hammes.

Aliados tecnológicos

A dinâmica atual, que marca apenas o início da implementação da reforma tributária, depende muito da tecnologia. Assim, soluções de software com inteligência artificial aplicada surgem para traduzir a nova legislação e evitar falhas operacionais na rotina das empresas.

Hammes explica que o uso de agentes de inteligência artificial (IA) integrados às soluções de ERP permite cruzar o texto legal diretamente com a base de dados do cliente, tornando possível simular cenários e antecipar o comportamento das margens de preço.

“Eu posso fazer perguntas relacionando a legislação junto com os dados efetivos e reais do cliente, além de obter e propor insights”, exemplifica o executivo da Senior.

Ele explica ainda que o uso de ferramentas avançadas permite cruzar a legislação vigente com a base de dados real da empresa para prever impactos financeiros e operacionais.

Hammes lembra também que a urgência tecnológica envolve a preparação dos sistemas para não travar a emissão de notas fiscais na virada das etapas da reforma, uma medida imprescindível para evitar problemas de faturamento.

Apesar do avanço natural em direção a novas tecnologias, a simples contratação de um software não garante o sucesso da transição. Um dos grandes gargalos apontados pelos especialistas é a subutilização das ferramentas pelas próprias equipes, que frequentemente mantêm processos manuais em planilhas paralelas por resistência à mudança.

Campos chama atenção para essa falha de cultura interna no uso dos sistemas disponíveis. “Quando se fala em software, a empresa tem a ferramenta e não usa. Esse é o grande problema. Você tem que olhar, ver e testar. (…) Essa transição de usar 100% da solução também faz parte da reforma”, pontua o fundador do Portal SpedBrasil.

Jorge Campos, especialista tributário e fundador do Portal SpedBrasil/ Divulgação

A adaptação interna é apenas uma etapa do avanço tecnológico; é necessário estendê-la por toda a cadeia de suprimentos. Como a apuração de créditos tributários dependerá da adequação fiscal de cada parceiro, empresas estruturadas podem se beneficiar ao apoiar seus próprios fornecedores para garantir a continuidade dos negócios.

“Nesse novo cenário, posso ter um fornecedor que não tem o background ou a tecnologia necessária, mas eu tenho, e dependo do fornecimento dele”, ressalta Campos.

Maturidade 

Campos conclui o debate afirmando que a adaptação ao novo modelo fiscal requer maturidade de gestão e colaboração entre diferentes departamentos da empresa. Ele destaca que as empresas que conseguirem atravessar esse ciclo de mudanças com sucesso serão aquelas que desenvolverem pilares sólidos de gestão. “Maturidade, governança e compliance”, resume o especialista.

Apesar do desafio imediato e das incertezas do período de transição, a expectativa dos especialistas para o futuro do ambiente de negócios no país é positiva, com a previsão de um sistema mais transparente e simplificado após a consolidação total das regras.

“Eu sou extremamente otimista. Tenho certeza de que lá em 2033, no futuro mais distante, vai ser fantástico tudo o que está sendo preparado. Nossa forma de apurar, quando estiver tudo implantado e funcionando com tecnologia apropriada, vai ser muito simples”, conclui Hammes.

Mais informações sobre os serviços da Senior podem ser acompanhados no site.

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