História dos dobráveis: Samsung testou, Huawei inovou, Apple chega agora

Apesar de chamarem a atenção pelo tamanho grande da tela, os smartphones dobráveis conquistaram pequena participação no mercado global. A Apple vai conseguir mudar isso?

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9 Set (Reuters) – O primeiro iPhone, lançado em 2007, popularizou a tecnologia de tela sensível ao toque, anos depois de ela ter sido desenvolvida. Agora, a Apple aposta que seu primeiro celular dobrável poderá fazer o mesmo por um formato que permanece restrito a um nicho, apesar de anos de esforços da Samsung e de rivais chineses como a Huawei.

O iPhone dobrável, com lançamento previsto para esta quarta-feira na sede da Apple, marca uma das maiores mudanças no produto responsável por cerca de metade da receita da empresa e que a transformou em uma gigante global da tecnologia.

Apesar de chamarem a atenção pelo tamanho grande da tela, os smartphones dobráveis conquistaram apenas uma participação percentual de um dígito no mercado global de smartphones devido a algumas desvantagens, incluindo câmeras de qualidade inferior, menor duração da bateria e um vinco no centro da tela quando os aparelhos são desdobrados.

Mas analistas afirmam que a Apple provavelmente se beneficiará dos avanços na cadeia de suprimentos e na tecnologia que tornaram os dobráveis mais duráveis e menos propensos a apresentar vincos nos últimos anos.

O mais recente aparelho Fold 8 da Samsung, por exemplo, apresenta um design que reduziu significativamente a dobra, graças a anos de investimento na tecnologia.

Veja uma breve linha do tempo dos aparelhos dobráveis antes do evento da Apple:

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GRANDE ERRO DA SAMSUNG (2018-2021)

Os conceitos de smartphones dobráveis já existem há décadas, mas a fabricante chinesa de telas Royole é reconhecida por ter lançado o primeiro dispositivo desse tipo em 2018. Seu smartphone FlexPai, com uma tela de 7,8 polegadas que se dobra para fora, foi amplamente criticado pelo software desajeitado e dobradiças de plástico de baixa qualidade.

Meses depois, a Samsung gerou novos receios quanto à confiabilidade e ao preço com o Galaxy Fold, de US$ 2.000, o primeiro produto dessa categoria voltado para o mercado de massa. Críticos, incluindo Marques Brownlee, relataram telas quebradas, com algumas apresentando descascamento de uma camada protetora que se assemelhava a um protetor de tela, mas não era, em um escândalo apelidado de “foldgate”. A Samsung adiou o lançamento e recolheu todos os aparelhos de amostra.

Esse período também foi marcado por visões conflitantes sobre o melhor formato para um aparelho dobrável. O Galaxy Fold visava usuários com sua tela que se dobrava para dentro e se expandia para formar um pequeno tablet, enquanto a Motorola relançou o icônico Razr no final de 2019 com um design tipo concha que dobrava um celular de tamanho normal ao meio.

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O Mate X da Huawei, também lançado em 2019, dobrava para fora e envolvia a parte externa do aparelho com uma única tela, enquanto a Microsoft,, em 2020, dispensou a tela flexível e uniu duas telas separadas por meio de uma dobradiça em seu Surface Duo. A companhia descontinuou os aparelhos desde então.

Celular com duas dobras da Huawei em Kuala Lumpur. REUTERS/Hasnoor Hussain

RUMO À POPULARIZAÇÃO (2022-2026)

O Google entrou no mercado em 2023 com o Pixel Fold, de US$1.799, um dispositivo em formato de passaporte cuja tela mais larga e mais curta se abria de forma semelhante a um minitablet. Enquanto isso, a Samsung e rivais chineses apresentaram melhorias constantes nos dispositivos dobráveis até que o próximo grande salto aconteceu em 2024 com os modelos com duas dobras.

A Huawei lançou o primeiro aparelho desse tipo em setembro daquele ano por US$2.800, que podia ser dobrado em duas partes formando um Z e o aparelho se tornou um sucesso de vendas instantâneo. A Samsung lançou seu próprio smartphone com múltiplas dobras em dezembro do ano passado.

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Hoje, a Samsung lidera o mercado global de celulares dobráveis com uma participação de cerca de 40%, seguida pela Huawei, com 30%, de acordo com a empresa de pesquisa Counterpoint.

O formato de passaporte, por sua vez, tornou-se uma linha divisória.

O Google abandonou o design após 2023, enquanto a Samsung o utilizou em um de seus dispositivos mais recentes. Espera-se que a Apple adote esse formato, já que está mais voltada para o consumo de vídeos e outras mídias do que para um celular mais alto, no estilo livro, projetado para produtividade.

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As proporções mais amplas do formato “passaporte” se aproximam mais da relação de aspecto nativa da maioria dos vídeos, reduzindo as barras pretas que emolduram as imagens em dispositivos mais altos, no estilo livro.

Analistas esperam que a entrada da Apple na categoria acelere seu crescimento. A empresa de pesquisa de mercado IDC estima que as vendas de smartphones dobráveis aumentarão quase 30% este ano, superando uma queda estimada de quase 1,4% nos smartphones não dobráveis.

“A entrada da Apple certamente aumentará a concorrência no segmento premium. No entanto, os dobráveis ainda representam uma parcela muito pequena do mercado geral de smartphones, portanto, há espaço para que a categoria cresça bem além dos volumes atuais”, disse Tarun Pathak, diretor de pesquisa da Counterpoint.