GWM inaugura fábrica no interior de SP e já fala em produzir 300 mil carros

A GWM investe R$ 4 bilhões na primeira fase de seu desembarque no Brasil, que vai até o ano que vem e inclui a compra das instalações em Iracemápolis, cidade a 170 quilômetros de São Paulo

Estadão Conteúdo

SP - INAUGURAÇÃO/GWM/LULA - ECONOMIA - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da inauguração da fábrica da montadora chinesa de veículos   Great Wall Motors (GWM) em Iracemápolis interior de São Paulo, na tarde desta sexta-feira, 15 de agosto de 2025.    15/08/2025 - Foto: IGOR DO VALE/ALTAPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
SP - INAUGURAÇÃO/GWM/LULA - ECONOMIA - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da inauguração da fábrica da montadora chinesa de veículos Great Wall Motors (GWM) em Iracemápolis interior de São Paulo, na tarde desta sexta-feira, 15 de agosto de 2025. 15/08/2025 - Foto: IGOR DO VALE/ALTAPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

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A GWM celebrou nesta sexta-feira, 15, a inauguração da fábrica em Iracemápolis, no interior de São Paulo, numa cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que era aguardada desde agosto de 2021, quando a planta foi adquirida da Mercedes-Benz.

A unidade arranca com a capacidade de produção de 50 mil carros por ano, mas a montadora chinesa anunciou planos de chegar a um volume de 250 mil a 300 mil veículos no Brasil, o que coloca no horizonte a possibilidade de novas etapas de expansão ou mesmo, embora sem confirmação oficial, de uma segunda fábrica no País.

A GWM investe R$ 4 bilhões na primeira fase de seu desembarque no Brasil, que vai até o ano que vem e inclui a compra das instalações em Iracemápolis, cidade a 170 quilômetros de São Paulo. Depois disso, estão previstos, entre 2027 e 2032, mais R$ 6 bilhões, elevando para R$ 10 bilhões o total investido.

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No local, são produzidos a picape Poer e dois utilitários esportivos, o Haval H9 e o Haval H6, este último um híbrido plug-in, tecnologia cuja bateria que alimenta o motor elétrico é carregada na tomada.

As peças são importadas da China. Porém, durante a cerimônia e, antes, na visita de jornalistas às linhas, foi nítida a preocupação da montadora em ressaltar a diferença em relação à estratégia da BYD, que vai trazer da China automóveis parcialmente montados e que entrou numa polêmica com as montadoras tradicionais instaladas no Brasil ao tentar, sem sucesso, incentivos para importar esses veículos.

Além da armação das carrocerias, a pintura dos carros da GWM é feita em Iracemápolis, e os componentes são importados “peça a peça” – e não em kits pré-montados do sistema CKD -, o que, sustentam os diretores da marca, permite a substituição rápida dos componentes chineses à medida que a empresa avançar no conteúdo local. A montadora informou que já tem 18 fornecedores participando da produção e desenvolvimento dos primeiros veículos, incluindo multinacionais como Basf, Bosch, Continental, Dupont e Goodyear.

A unidade de Iracemápolis conta com 600 trabalhadores e prevê atingir até o fim do ano cerca de mil empregos diretos. Quando iniciar as exportações de veículos para mercados da América Latina, o número de vagas deve chegar a 2 mil.

Em entrevista concedida a um grupo de jornalistas que visitaram a fábrica antes da chegada de Lula, o presidente da GWM International, Parker Shi, disse que não poderia comentar especulações a respeito de uma nova fábrica. Revelou, porém, que o objetivo é futuramente produzir entre 250 mil e 300 mil carros no Brasil. “Não temos medo da competição. Se não investirmos aqui, não teremos futuro”, disse o executivo.

Num momento em que as tarifas levantadas pelo presidente Donald Trump nos Estados Unidos levam as empresas chinesas a buscar novos mercados, Parker Shi destacou a estabilidade nas relações tanto econômicas quanto políticas e diplomáticas da China com parceiros da América Latina. A montadora, frisou, quer investir em mercados confiáveis.

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Em relação à possibilidade de aumentar a escala no mercado brasileiro, o presidente da GWM International respondeu que, no momento, o grupo estuda a viabilidade de investimentos em segmentos de maior volume, de preços abaixo de R$ 150 mil.