Zuckerberg quer entrar no mercado preditivo e busca parceria com líderes

Zuckerberg quer transformar apostas em conversa social e mira jovens de 18 a 34 anos com novo aplicativo que pode ser integrado ao Feed do Facebook e ao Reels

Mike Isaac The New York Times

Ativos mencionados na matéria

Mark Zuckerberg (Foto: REUTERS/Carlos Barria/TPX IMAGES OF THE DAY)
Mark Zuckerberg (Foto: REUTERS/Carlos Barria/TPX IMAGES OF THE DAY)

SAN FRANCISCO — O CEO da Meta (M1TA34), Mark Zuckerberg, pediu a seus executivos que explorem parcerias com as populares plataformas de mercados preditivos Polymarket e Kalshi, enquanto a empresa desenvolve um aplicativo semelhante, disseram três funcionários com conhecimento do assunto.

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O aplicativo que a Meta está criando, chamado Arena, poderá permitir que as pessoas façam apostas sobre praticamente qualquer coisa, com o objetivo de capitalizar o crescimento dos mercados de previsão como negócio. Internamente, executivos da Meta afirmaram que o Arena é diferente do Polymarket e do Kalshi — que aceitam apostas em dinheiro real — porque vai se basear em “pontos” semelhantes aos de videogames.

Mas Zuckerberg fez do Arena uma prioridade máxima, e seus planos para o aplicativo vão além do que se sabia anteriormente. Ele pediu a executivos da Meta que conversassem com o Polymarket e o Kalshi, embora ainda não esteja claro como eventuais parcerias funcionariam, disseram os três funcionários, que falaram sob condição de anonimato por terem assinado acordos de confidencialidade.

O público-alvo de Zuckerberg para o Arena é a faixa de 18 a 34 anos, acrescentaram os funcionários, e a Meta quer atingir pelo menos 100 milhões de “preditores” ativos mensais no aplicativo. O Arena está sendo posicionado como um espaço onde as pessoas podem apostar em esportes, cultura, entretenimento, política e finanças contra amigos e familiares. Executivos o chamaram de aplicativo “feito para todos”, disseram.

Acreditamos que os mercados de previsão são um dos novos tipos de conteúdo mais interessantes”, escreveu Ime Archibong, vice-presidente de produto da Meta responsável pela iniciativa Arena, em uma publicação interna do mês passado apresentando o aplicativo, que foi repassada ao New York Times. “Com os formatos certos, a conversa social é a recompensa, à medida que as pessoas tentam mostrar aos amigos o quanto são boas em prever coisas.”

Meta, Polymarket e Kalshi não quiseram comentar.

A movimentação de Zuckerberg para potencialmente se aproximar do Polymarket e do Kalshi revela seu apetite por risco enquanto ele estuda comportamentos digitais emergentes e busca maneiras de incorporá-los aos produtos da Meta — que incluem Facebook, Instagram, Messenger e WhatsApp. Ele e seus executivos acompanham de perto outras empresas que possam se tornar concorrentes, seja para aprender com elas ou, no caso dos mercados de previsão, para simplesmente copiá-las.

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Mas os mercados de previsão têm enfrentado escrutínio legal crescente por criarem oportunidades para que pessoas usem informações privilegiadas para lucrar. Em abril, promotores federais de Nova York indiciaram um membro das Forças Especiais dos EUA por usar informações confidenciais para fazer apostas sobre o plano secreto de captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. O soldado teria lucrado mais de US$ 400 mil apostando na operação, segundo os promotores.

Na terça-feira, quando o Times publicou pela primeira vez os planos da Meta para o Arena, o senador Richard Blumenthal, democrata de Connecticut, afirmou que o modelo de negócios da empresa do Vale do Silício era “lucrar com o vício”. Ele pediu apoio a algumas de suas iniciativas legislativas sobre segurança infantil online e regulação dos mercados de previsão.

Na sexta-feira, mais de uma dezena de senadores democratas enviou uma carta ao subcomitê de serviços financeiros do Senado. Na carta, os parlamentares pediram que a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) — agência federal responsável pela supervisão dos mercados de previsão — fosse impedida de interferir na fiscalização estadual das plataformas.

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O Arena está sendo testado internamente e pode não ser lançado, disseram os funcionários da Meta. Se for lançado, será inicialmente um aplicativo independente para avaliar o interesse dos usuários. A Meta planeja eventualmente integrar partes do Arena ao Facebook e ao Messenger, incluindo apostas de previsão em conversas em grupo, no produto de vídeos Reels, nos “Stories” efêmeros e no popular Feed de Notícias do Facebook, disseram.

Ainda não está claro se o Arena vai incorporar apostas em dinheiro real. Mas Zuckerberg acredita que o comportamento de apostar pode aumentar a atividade nos aplicativos da Meta. Os usuários podem se engajar em conversas e debates no Facebook e no Messenger sobre as apostas, ou compartilhar mais conteúdo quando acertarem suas previsões. A Meta também pode incorporar elementos de gamificação, como rankings, colocando os usuários em competição entre si.

O aplicativo gerou debate entre os funcionários da Meta. Em fóruns internos e chats privados, alguns trabalhadores disseram que a empresa estaria cruzando uma linha ética ao oferecer mercados de previsão na maior rede social do mundo, o que poderia abrir caminho para outras formas de jogo. Outros disseram se sentir confortáveis com o projeto por ele não envolver apostas em dinheiro real, pelo menos em sua forma atual.

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Quando os mercados são integrados a um feed personalizado, eles deixam de parecer algo para traders”, escreveu Archibong. “Eles passam a fazer parte da conversa, ligada a memes, momentos e ao que as pessoas estão prestando atenção. Apostar deixa de ser sobre análise e passa a ser sobre dizer: ‘É isso que eu acho.’”

Archibong acrescentou: “Influenciadores vão gerar volume, e a cultura vai gerar atenção.” Sua publicação trazia um subtítulo que explicava a lógica por trás do Arena: “Aposta como conversa.”

c.2026 The New York Times Company

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