Trump pediu espelho d’água “azul como bandeira dos EUA”. As algas tinham outro plano

O espaço entre o Memorial Lincoln e o Monumento a Washington voltou a ficar verde após uma reforma de US$ 14,2 milhões

Maxine Joselow The New York Times

A água esverdeada não incomodou alguns visitantes. Crédito: Alex Kent/The New York Times
A água esverdeada não incomodou alguns visitantes. Crédito: Alex Kent/The New York Times

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WASHINGTON — O presidente Donald Trump queria que o espelho d’água do Memorial Lincoln tivesse um aspecto impecável. A fotossíntese, porém, tinha outros planos.

Dias depois de o governo Trump concluir um projeto de US$ 14,2 milhões para revestir o piso de concreto do espelho d’água com um material impermeabilizante azul-escuro, aglomerados de algas apareceram na superfície no domingo e na segunda-feira, deixando partes da água com um tom esverdeado.

Na semana passada, o espelho d’água parecia reluzente após a obra, que tinha como objetivo corrigir dois problemas antigos — vazamentos e proliferação de algas — antes do aniversário de 250 anos do país. Mas, depois de vários dias de calor e umidade, as algas voltaram com força.

Funcionários do Serviço Nacional de Parques no espelho d’água na segunda-feira. Crédito: Alex Kent/The New York Times

Uma porta-voz do Departamento do Interior, responsável pela administração do local, disse que o projeto incluiu a instalação bem-sucedida de um sistema de tratamento de água chamado nanobubbler. Segundo ela, as algas devem desaparecer em breve.

“Com a implantação da tecnologia avançada de nanobolhas, as algas morreram e estão sendo aspiradas neste momento”, afirmou a porta-voz, Katie Martin, em um e-mail. “Agradecemos ao presidente Trump por consertar o espelho d’água de vez.”

Na semana passada, Martin havia dito que as algas eram “residuais” e vinham das tubulações de abastecimento que ficaram paradas durante a reforma.

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Trump afirmou no mês passado que o espelho d’água estava “imundo” e “sujo” havia anos. Segundo ele, as mudanças deixariam o local “bonito”, acrescentando que o material impermeabilizante aplicado no piso tinha uma cor chamada “azul bandeira americana”.

Para reformar o espelho d’água, o governo Trump concedeu contratos sem licitação a dois fornecedores escolhidos diretamente, contornando o processo legal de concorrência sob a justificativa de uma necessidade urgente. (O governo disse que a urgência se devia às comemorações dos 250 anos do país.)

O primeiro contrato sem licitação foi para a empresa Atlantic Industrial Coatings, da Virgínia, encarregada de vedar as juntas com vazamento entre as placas de concreto e aplicar o material impermeabilizante azul-escuro. O segundo foi para a Greenwater Services, de Ohio, responsável por instalar um sistema de purificação de água atualizado.

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A Atlantic Industrial Coatings concluiu o trabalho em 4 de junho, e o espelho d’água foi reabastecido logo depois. A Greenwater Services também já terminou a instalação do novo sistema de purificação.

No domingo, funcionários do Serviço Nacional de Parques entraram no espelho d’água e pareciam retirar parte das algas da superfície. Eles estavam acompanhados de trabalhadores da Pearl Purity Water Solutions, empresa de Maryland que mantém desde 2021 um contrato para tratar a água do local.

Representantes da Greenwater Services e da Pearl Purity Water Solutions não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

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Na segunda-feira, enquanto os funcionários do parque continuavam a remover as algas, multidões de turistas caminhavam ao redor do espelho d’água sob o sol do verão. Bonnie Garvin, professora de Monticello, na Geórgia, disse que não se incomodou com o tom esverdeado.

“Não estamos nadando aí, então não é realmente um problema”, afirmou Garvin.

Já Jessica Lea, terapeuta de Portland, no Oregon, disse ter ficado decepcionada em sua primeira visita ao monumento centenário.

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“Está bem pantanoso”, disse. “Poderia estar mais limpo. E eu nem consigo ver qualquer reflexo.”

c.2026 The New York Times Company