Sim, empresas podem continuar lucrativas sem aumentar preços — veja como

O caminho passa por eficiência operacional, cadeias de suprimento mais enxutas, uso de dados e IA para otimizar promoções e inovação

Jerry Haar Fortune

Foto: Natanaelginting/Freepik
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A “Lei da Gravitação Universal”, de Isaac Newton, afirma que tudo o que sobe deve descer. Obviamente, Sir Isaac não tem ido ao supermercado ultimamente.

Os preços estão subindo bem acima da taxa oficial de inflação — e nem sempre pelos motivos que as empresas alegam. A verdadeira questão não é por que os preços estão subindo. É se eles precisam subir.

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Os preços estão subindo rapidamente — e não apenas por causa da inflação

Embora a taxa oficial de inflação nos EUA estivesse em torno de 2,4% a 2,7% no início de 2026, empresas de diversos setores implementaram aumentos de preços na faixa de um dígito alto ou até de dois dígitos. O

Índice de Preços Digitais da Adobe registrou, em janeiro, o maior aumento mensal de preços online em doze anos, impulsionado por eletrônicos, eletrodomésticos e móveis.

Exemplos específicos contam a história:

Mais da metade dos líderes de pequenas empresas pesquisados pela Vistage Worldwide em dezembro afirmou que planejava novos aumentos de preços dentro de três meses.

“Inflação da ganância” é real — e altamente debatida

Os principais fatores que impulsionam essa tendência incluem a “repercussão de tarifas”. Empresas como Levi Strauss e McCormick & Co. citaram novas tarifas de importação como motivo principal para elevar preços em níveis superiores à inflação geral.

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Outro fator são os custos operacionais crescentes. Aumentos significativos nos prêmios de seguro de saúde (até 14%) e nos custos de mão de obra levaram empresas a reajustar seus próprios preços para manter margens.

Há também as margens de lucro corporativas. Um relatório de 2024 da Federal Trade Commission constatou que alguns varejistas de alimentos aproveitaram o aumento de custos como oportunidade para elevar ainda mais os preços e ampliar lucros, com receitas superando os custos em mais de 6% a 7% nos últimos anos.

Se as corporações são responsáveis pela “inflação da ganância” — definida como o uso da inflação como justificativa para elevar preços e expandir margens de lucro além do necessário para cobrir custos maiores — é tema de intenso debate entre economistas, políticos e pesquisadores, com evidências sugerindo um papel relevante em certos setores, mas divergências quanto ao impacto geral sobre a inflação.

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É inegável que certas categorias, como alimentos (especialmente refeições fora de casa), eletricidade, gás natural e moradia, aumentaram acima da média do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos últimos doze meses.

Soma-se a isso o fenômeno da “frequência de exposição”, da economia comportamental, segundo o qual consumidores são altamente sensíveis a mudanças de preço em itens comprados com frequência (como bananas), mas menos atentos a ajustes em compras menos frequentes, de alto valor ou financiadas (como carros).

Empresas que estão vencendo a inflação sem aumentar preços

Seja qual for o caso, a questão maior é: uma empresa pode permanecer lucrativa hoje sem aumentar preços? Em muitos casos, a resposta é sim — e o manual de práticas já é bem conhecido.

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Eficiência operacional: Fabricantes de alimentos e bens de consumo estão reduzindo custos de ingredientes, produção e logística por meio de melhor abastecimento e aprimoramentos de processo, absorvendo a inflação sem repassá-la aos consumidores.

Otimização da cadeia de suprimentos: Gestão rigorosa de estoques e melhor previsão de demanda liberam margem sem sacrificar a qualidade.

Promoções orientadas por dados: Varejistas e marcas estão usando análise de dados e IA para ajustar descontos e estratégias de canais, em vez de aplicar aumentos generalizados de preços.

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Inovação em produto e embalagem: A Lush introduziu xampus e condicionadores sólidos, mais compactos, que reduzem custos de embalagem e oferecem mais usos por unidade do que as versões líquidas — aumentando o valor percebido ao mesmo tempo em que sustentam posicionamento premium e credenciais de sustentabilidade.

Outros exemplos de destaque incluem Ikea, Aldi, Honda, Toyota, Mint Mobile, Lands’ End e Patagonia — empresas que construíram lealdade duradoura dos clientes ao priorizar valor em vez de extração de margens. Como disse Benjamin Franklin: “O amargor da má qualidade permanece muito depois que a doçura do preço baixo é esquecida.”

A variável real é a liderança

Embora as corporações, em geral, busquem maximizar lucros, evidências sugerem que, no ambiente pós-pandemia de alta inflação, algumas empresas com grande poder de mercado adotaram preços oportunistas, contribuindo para uma inflação mais alta e persistente do que ocorreria de outra forma.

Isso faz parte da natureza humana; e, com o conflito no Oriente Médio, haverá empresas que verão esse desenvolvimento lamentável como mais um motivo para aumentar preços.

Os exemplos acima deixam claro que as corporações podem, sim, aumentar a lucratividade sem elevar preços e, ao mesmo tempo, manter e até melhorar a qualidade.

A forma como as empresas respondem não depende da política fiscal e monetária dos Estados Unidos, mas da liderança corporativa. Cabe exclusivamente às empresas fazer a coisa certa, tanto para seus clientes quanto para seus acionistas.

As opiniões expressas nos artigos de opinião do Fortune.com são exclusivamente de seus autores e não refletem necessariamente as opiniões e crenças da Fortune.

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