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Líderes empresariais estão soando o alarme: as reuniões tomaram conta do dia a dia, e o trabalho de verdade está ficando para trás. E o CEO da Southwest Airlines, Bob Jordan, é o mais recente a se manifestar sobre o fenômeno — argumentando que muitos líderes confundem reuniões constantes com liderança.
“Quando você começa, é fácil confundir estar ocupado e ir a reuniões com liderança”, disse Jordan na semana passada, em um painel de CEOs no DealBook Summit do New York Times. “O que todos nós percebemos, tenho certeza, é que não sobra tempo para ‘trabalhar’, e você confunde ir a reuniões com o trabalho.”
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Ao longo dos anos, a solução de Jordan tem se tornado cada vez mais direta: proteger o próprio tempo. Para 2026, seu objetivo é manter a agenda completamente livre todas as tardes de quarta, quinta e sexta-feira — bloqueando qualquer tentativa de marcar reuniões nesses horários.
Embora reconheça que essa abordagem possa parecer “louca” para alguns executivos, ele afirmou que CEOs são contratados para fazer um trabalho que só eles podem fazer — e isso raramente acontece quando estão presos a reuniões em sequência.
“É para que você possa trabalhar nas coisas em que precisa trabalhar. Pensar no que é importante agora. Ligar para as pessoas com quem precisa falar”, acrescentou Jordan.
A estratégia pode estar dando resultado. Apesar de um ano turbulento para o setor aéreo, a Southwest registrou um lucro inesperado em seu relatório trimestral mais recente. No acumulado do ano, o preço das ações da empresa sobe cerca de 23%.
A Fortune entrou em contato com a Southwest Airlines para obter comentários adicionais.
Reuniões se tornaram o tormento de funcionários e empregadores
Jordan não está sozinho em sua frustração. As reuniões se tornaram um ponto de dor compartilhado por trabalhadores e executivos.
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Durante a pandemia, as reuniões assumiram quase um papel de apoio emocional — uma tentativa de substituir a interação presencial em meio aos lockdowns. Sem a necessidade de esperar por uma sala de conferência disponível, as agendas se encheram rapidamente.
Mas agora quase 80% das pessoas dizem estar se afogando em tantas reuniões e chamadas que mal têm tempo para realizar qualquer trabalho de verdade, segundo um estudo de 2024 da Atlassian, que entrevistou 5.000 trabalhadores em quatro continentes. Cerca de 72% das vezes, as reuniões são consideradas ineficazes.
Essa reação levou um número crescente de executivos a podar agressivamente — ou até eliminar por completo — reuniões das agendas corporativas, às vezes criando dias inteiros sem reuniões.
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Ainda assim, alguns especialistas alertam que acabar totalmente com as reuniões pode ser uma estratégia arriscada, capaz de eliminar o senso de pertencimento à organização e gerar efeitos contrários no longo prazo.
“As reuniões não precisam ser banidas completamente. Apenas as ineficazes e as que desperdiçam tempo”, disse anteriormente à Fortune Ben Thompson, CEO e cofundador da Employment Hero.
Como Nvidia e JPMorgan Chase lidam com a sobrecarga de reuniões
Outros CEOs adotaram abordagens pouco convencionais.
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O CEO da Nvidia, Jensen Huang, por exemplo, não realiza reuniões individuais com seus mais de 50 subordinados diretos.
Fazer isso, segundo ele, não apenas sobrecarregaria sua agenda, como também reduziria a capacidade da equipe como um todo de enfrentar desafios, trabalhar de forma eficaz e manter a transparência.
“Nossa empresa foi projetada para a agilidade — para que a informação flua o mais rápido possível. Para que as pessoas sejam capacitadas pelo que conseguem fazer, não pelo que sabem”, disse Huang na Universidade de Stanford no ano passado.
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No JPMorgan Chase, o CEO Jamie Dimon adotou uma abordagem mais direta. Em sua carta anual aos acionistas, divulgada na primavera passada, ele incentivou os funcionários a repensarem se as reuniões realmente valem a pena.
“Aqui vai outro exemplo do que nos desacelera: reuniões. Acabem com as reuniões”, escreveu. “Mas, quando elas acontecerem, precisam começar na hora certa e terminar na hora certa — e alguém tem que liderá-las. Também deve haver um propósito para cada reunião e sempre uma lista de encaminhamentos.”
A eficiência se tornou uma prioridade ainda maior à medida que o JPMorgan passou a exigir o retorno dos funcionários ao escritório cinco dias por semana. As reuniões, enfatizou Dimon, devem receber atenção total.
“Nada de cochilar, nada de ficar lendo e-mails”, reforçou Dimon no evento Most Powerful Women Summit da Fortune, em outubro. “Se você tiver um iPad na minha frente e parecer que está lendo e-mail ou recebendo notificações, eu mando fechar aquela porcaria. É desrespeitoso.”
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