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O príncipe Laurent, da Bélgica, reconheceu formalmente um filho adulto que nasceu antes de seu casamento e cuja existência ele não havia assumido publicamente até o ano passado.
Laurent estabeleceu o vínculo legal com o filho, Clément Vandenkerckhove, de 26 anos, perante um cartório em fevereiro, informou nesta quarta-feira a revista semanal belga Soir Mag. Segundo a publicação, Vandenkerckhove também esteve presente e assinou os documentos.
A medida transformou Vandenkerckhove em príncipe, embora não se espere que ele exerça funções oficiais da realeza.
O Palácio Real da Bélgica confirmou ao The New York Times que Laurent reconheceu legalmente a paternidade de Vandenkerckhove, mas não fez comentários adicionais, afirmando tratar-se de um assunto privado.
Vandenkerckhove é filho de Laurent com Iris Vandenkerckhove, mais conhecida como Wendy Van Wanten, modelo, cantora e atriz belga. Laurent, irmão mais novo do rei Philippe, atual monarca da Bélgica, tem outros três filhos com sua esposa, a princesa Claire da Bélgica, com quem se casou em 2003.

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Pelos termos de um decreto real de 2015, Clément Vandenkerckhove recebe o título de príncipe, mas não fará parte da linha de sucessão ao trono nem terá deveres reais, de acordo com Christian Behrendt, professor de Direito Constitucional da Universidade de Liège. Segundo ele, uma pessoa só pode integrar a sucessão se tiver nascido de um casamento aprovado por decreto governamental.
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Laurent afirmou em setembro do ano passado que Vandenkerckhove era seu filho biológico. À época, disse que o anúncio foi feito “com base em um sentimento de compreensão e respeito por todos os envolvidos”.
Vandenkerckhove não foi localizado para comentar o assunto.
Em junho, ele publicou no Instagram uma foto ao lado de Laurent e outra com Frans Vancoppenolle, companheiro de longa data de sua mãe, em homenagem ao Dia dos Pais.
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“Hoje celebro dois pais que, cada um à sua maneira, desempenham um papel importante na minha vida”, escreveu. “Obrigado por tudo.”
O reconhecimento do filho, cuja paternidade foi mantida em segredo por muitos anos, voltou a colocar Laurent sob os holofotes. O príncipe ganhou o apelido de prince maudit (“príncipe amaldiçoado”) devido a uma série de polêmicas e controvérsias diplomáticas ao longo dos anos.
Em 2023, ele processou o Estado belga para obter benefícios da seguridade social, argumentando que ser membro da realeza equivaleria a atuar como trabalhador autônomo. Na ocasião, recebia uma dotação anual de 400 mil euros, embora seu advogado afirmasse que três quartos desse valor fossem destinados a funcionários e despesas operacionais. A Justiça concordou parcialmente com seus argumentos e, dois anos depois, recomendou que os legisladores considerassem conceder-lhe uma pensão estatal, embora tenha rejeitado a tese de que seus deveres reais configuravam trabalho formal.
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Antes disso, Laurent correu o risco de perder sua dotação depois de ignorar orientações do governo e viajar ao Congo, em 2011, sem supervisão diplomática. Em 2018, o Parlamento belga votou pela redução de sua dotação anual como punição por participar, uniformizado, de um evento na Embaixada da China sem autorização governamental.
O pai de Laurent, o ex-rei Albert II, também esteve no centro de um caso de paternidade. Em 2020, após uma longa batalha judicial, o ex-monarca admitiu que testes de DNA comprovaram que ele era o pai biológico de Delphine Boël, artista que afirmava ser fruto de um relacionamento extraconjugal. Ela passou a ser conhecida como princesa Delphine da Bélgica.
c.2026 The New York Times Company
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