Poseidon: o que é a arma nuclear da Rússia capaz de causar até um tsunami no inimigo

Anúncio de teste do míssil ocorreu poucos dias depois de o presidente Vladimir Putin anunciar o teste de outra arma nuclear russa

Nataliya Vasilyeva The New York Times

Publicidade

Vladimir Putin, o presidente russo, disse nesta quarta-feira (29) que a Rússia testou com sucesso um drone movido a energia nuclear considerado uma superarma, poucos dias depois de anunciar o teste de um míssil com capacidade nuclear.

O Poseidon, o drone subaquático não tripulado, é um dos mais recentes projetos russos de mísseis com capacidade nuclear, revelado por Putin em 2018 como uma mensagem clara de dissuasão para o Ocidente.

Putin afirmou que o teste do Poseidon ocorreu na terça-feira (28).

Continua depois da publicidade

“Não existe nada igual no mundo em termos de velocidade e profundidade do movimento deste veículo não tripulado — e é improvável que algum dia exista,” disse ele, acrescentando que “não há maneiras de interceptá-lo.”

O presidente não revelou de onde o Poseidon foi lançado nem até onde ele chegou, mas mencionou que ele “viajou por um certo tempo.”

O Poseidon é um dos seis projetos russos de armas nucleares, chamados de superarmas por especialistas, revelados antes da invasão da Ucrânia como uma aparente alavanca nas negociações de desarmamento com os Estados Unidos.

O drone subaquático, que se acredita ser capaz de viajar a 100 nós (cerca de 185 km/h), foi projetado para evitar defesas e causar um tsunami poderoso o suficiente para devastar uma cidade costeira.

Alguns especialistas duvidavam da existência da arma por anos, após uma primeira aparição vazada na televisão estatal russa em 2015 durante a transmissão de uma reunião entre Putin e generais russos.

Putin disse no domingo que a Rússia testou com sucesso o míssil Burevestnik, com capacidade nuclear, e estava se preparando para implantá-lo. Na quarta-feira, ele acrescentou que o míssil tinha “vantagens incomparáveis” e que seu reator nuclear levaria “minutos ou segundos” para ser ativado.

Continua depois da publicidade

O anúncio veio poucos dias depois que uma cúpula agendada entre o presidente Donald Trump e Putin foi cancelada, um aparente colapso das negociações para um cessar-fogo na guerra na Ucrânia.

Trump criticou o presidente russo na segunda-feira, dizendo que o teste de um míssil movido a energia nuclear era “inapropriado” e pediu ao Kremlin que se concentrasse em negociações de paz. Putin não reagiu diretamente aos comentários de Trump na quarta-feira.

Putin também disse que outra superarma russa, o míssil intercontinental Sarmat, em breve será colocado em serviço de combate.

Continua depois da publicidade

Mas não está claro se o Sarmat realmente funciona. Fotos de satélite de um local de lançamento no noroeste da Rússia indicaram que a arma falhou na decolagem e explodiu em seu silo, deixando uma cratera enorme.

Dmitri Trenin, um veterano analista político russo conhecido por transmitir os pontos de vista do Kremlin, disse em um artigo para o jornal Kommersant que o Kremlin não conseguiu explicar sua visão da guerra para o governo Trump e que uma “operação diplomática especial” para conquistar o presidente dos EUA estava essencialmente encerrada.

c.2025 The New York Times Company