Por que o CEO do Airbnb passa 3 horas por dia recrutando futuros funcionários

Chesky diz que contratar para a empresa do futuro se tornou sua principal missão como líder

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O CEO do Airbnb, Brian Chesky, não acredita que contratar pessoas seja apenas uma tarefa do RH. Apesar da rotina atribulada à frente da empresa de locação avaliada em US$ 98 bilhões e de comandar mais de 8.200 funcionários, ele reserva algumas horas todos os dias para recrutamento. E, se seus gestores não gostam desse nível de envolvimento nas contratações, seu conselho é direto: a porta está aberta.

“Eu provavelmente passo três horas por dia recrutando”, disse Chesky recentemente à revista Time. Parece muito tempo para dedicar a algumas contratações estratégicas. Mas isso acontece porque ele não aprova apenas cargos executivos do Airbnb. Agora, quer participar também da escolha das pessoas contratadas por seus executivos.

“Eu me considero um co-gestor de contratação de todos os subordinados dos meus subordinados diretos”, explicou, ressaltando que isso não significa desconfiar da capacidade de contratação de sua equipe de liderança.

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Na verdade, ele costumava delegar totalmente as decisões de contratação aos executivos abaixo dele, até perceber que cada uma dessas pessoas poderia, um dia, ocupar as cadeiras da própria equipe de liderança.

“Nós dois precisamos concordar com a contratação porque, quando meu executivo se aposentar, naturalmente vão olhar para a pessoa abaixo dele como sucessora”, afirmou. “Se for a pessoa dele, e não a minha, talvez ela não esteja alinhada filosoficamente comigo.”

E se os subordinados de Chesky não gostarem de sua interferência? “Se isso criar tensão, vou dizer para saírem da empresa”, afirmou. “Se alguém precisa de uma autoridade totalmente separada de mim para atuar, então digo que esta não é a empresa certa para essa pessoa.”

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Chesky admite que copiou a ideia de contratação de Sam Altman

Chesky nem sempre foi tão presente nesse processo. Segundo ele, contratar talentos mal figurava entre suas prioridades até que uma conversa com Sam Altman, cofundador e CEO da OpenAI, mudou sua visão.

“Ele disse que contratar deveria representar 50% do seu trabalho”, relembrou Chesky. “Durante o período anterior ao lançamento do ChatGPT, ele me disse que era exatamente isso que fazia.”

“Nunca foi 50% do meu trabalho. Nem mesmo 10%. Então eu nunca dediquei tempo suficiente à contratação e nunca tratei isso como uma prioridade alta o bastante”, acrescentou.

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A amizade entre Chesky e Altman remonta a quase duas décadas, desde 2006, quando Altman ajudou a mentorá-lo na aceleradora de startups Y Combinator. A relação permaneceu próxima desde então. Altman já afirmou que recorreu diversas vezes a Chesky após o ChatGPT se tornar um fenômeno global e também durante seu breve afastamento da OpenAI em 2023.

Embora Chesky diga não saber se a filosofia de contratação de Altman mudou desde que a OpenAI deixou de ser uma startup enxuta para se tornar uma gigante de tecnologia avaliada em US$ 852 bilhões e com mais de 4.500 funcionários, ele afirma que a ideia transformou sua maneira de administrar o Airbnb.

“Acho que aprendi da maneira mais difícil que eu não dedicava tempo suficiente à contratação. Hoje considero essa a prioridade número um dentro da empresa”, disse.

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“A filosofia básica é que não estamos contratando para a empresa de hoje, mas para a empresa de amanhã”, acrescentou. “Queremos que as pessoas venham para construir a empresa do futuro. Alguém precisa vender esse sonho do que seremos amanhã, e acho que essa pessoa é o fundador.”

Chesky não é o único CEO a reinventar as regras de contratação

A postura altamente participativa de Chesky é incomum para uma empresa do porte do Airbnb, mas ele não está sozinho. Em níveis mais altos de liderança, alguns executivos criaram testes próprios para selecionar os melhores candidatos.

O CEO da Twilio, Khozema Shipchandler, contou à Fortune que entrevista candidatos durante 45 minutos em um jantar e considera um sinal de alerta quando a pessoa usa excessivamente o pronome “eu” ou não faz perguntas.

Já o CEO da seguradora Bupa, avaliada em US$ 25 bilhões, acredita que entrevistas de uma hora são perda de tempo. Em vez disso, submete candidatos a seis horas de avaliações e observa até se eles pedem vinho no almoço.

Sanjay Beri, CEO da Netskope, empresa avaliada em US$ 5 bilhões, admitiu que costuma telefonar discretamente para referências que os candidatos não informaram oficialmente, buscando uma visão mais sincera sobre sua personalidade. Ele também conversa com ex-colegas com quem os candidatos tiveram conflitos para entender melhor seu perfil.

O falecido Steve Jobs, da Apple, ficou conhecido por usar o chamado “teste da cerveja”, enquanto outro CEO revelou oferecer feedback em tempo real durante a entrevista para observar se o candidato trava ou se ofende. Um executivo da IBM, por sua vez, faz uma pergunta considerada decisiva: “Você acha que estamos em uma bolha de inteligência artificial?”.

Depois há Ryan Breslow, CEO da Bolt, que levou a ideia ainda mais longe do que Chesky. Em vez de se envolver mais nas contratações, ele simplesmente eliminou todo o departamento de recursos humanos. Segundo contou à Fortune, a área responsável por ajudar na contratação criava burocracia excessiva e “problemas que não existiam”. “Esses problemas desapareceram quando eu os dispensei”, afirmou.

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