Por que o CEO da Delta desistiu de usar IA num discurso para universitários

Ed Bastian contou que descartou o resultado por considerá-lo sem alma e alertou os jovens contra atalhos fáceis

Preston Fore Fortune

O CEO da empresa aérea Delta, Ed Bastian (Foto: Andrew Harnik/Getty Images/Fortune)
O CEO da empresa aérea Delta, Ed Bastian (Foto: Andrew Harnik/Getty Images/Fortune)

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Enquanto as turmas de 2026 sobem ao palco nesta temporada de formaturas, talvez não exista um assunto mais inevitável do que a inteligência artificial. A tecnologia promete grandes inovações, mas também deixa os jovens ansiosos sobre suas perspectivas de carreira e se os quatro anos de faculdade realmente valeram a pena no mercado de trabalho atual. E até mesmo CEOs de empresas da Fortune 500 ainda estão tentando descobrir como usar a IA de forma realmente útil.

Quando o CEO da Delta Air Lines, Ed Bastian, sentou para preparar seu discurso de formatura para a Emory University, ele testou a IA como um atalho para economizar tempo — mas acabou achando o resultado insatisfatório.

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“Ao escrever estas palavras, por curiosidade, pedi para a IA preparar o discurso. E fiquei impressionado com a rapidez e a facilidade com que ele foi gerado”, disse Bastian aos formandos da Emory.

“Mas também percebi a falta de alma e de calor humano no texto. Não era a minha voz pessoal e não expressava minha apreciação genuína pela oportunidade de compartilhar minhas reflexões com milhares de vocês. Vocês querem ouvir a mim, não algum algoritmo tentando ser eu.”

Então, em vez de apresentar um discurso morno criado por IA, o executivo de 68 anos descartou completamente o rascunho.

“Então fiquem tranquilos”, disse ele. “Joguei tudo fora e fui para o papel e lápis”, arrancando aplausos da plateia.

Os conselhos para a geração Z: preserve sua autenticidade e evite pegar atalhos

Em uma era em que as empresas adotam cada vez mais a IA para maximizar a produtividade, alguns executivos chegaram ao ponto de criar réplicas digitais de si mesmos. Por exemplo, CEOs da Klarna e da Zoom têm testado avatares e agentes de IA capazes de participar de reuniões ou transmitir mensagens em seus lugares.

Para Bastian, porém, a IA funciona melhor como uma ferramenta para aprimorar o trabalho — e não para substituir trabalhadores. Ele disse aos formandos que autenticidade e caráter continuam sendo algumas das qualidades mais difíceis de a tecnologia reproduzir — e das mais importantes de proteger.

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“O bem mais importante que vocês têm é o seu nome”, disse ele aos formandos. “Essa é a sua marca. É aquilo que vocês representam. E só existe uma pessoa capaz de tirar isso de vocês. Essa pessoa são vocês mesmos.”

A mensagem reflete uma filosofia que moldou a própria trajetória de Bastian no mundo corporativo americano.

Ele começou a carreira como auditor na Price Waterhouse (hoje PwC) antes de trabalhar na PepsiCo. Entrou na Delta Air Lines em 1998 como vice-presidente de finanças e, em 2005, tornou-se diretor financeiro.

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Uma década depois, assumiu o cargo de CEO e ajudou a transformar a Delta em uma das gigantes do setor aéreo, com valor de mercado acima de US$ 45 bilhões.

Mas, acrescentou Bastian, ao longo da carreira ele percebeu que o sucesso duradouro raramente vem de atalhos.

“O caráter não aparece quando a vida está fácil. O caráter aparece quando os tempos e as decisões são difíceis. Muitas vezes, fazer a coisa certa tem um custo. Mas eu sempre prefiro pensar nisso como um investimento — um investimento inteligente”, afirmou.

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“Tive muitas decisões importantes ao longo da minha carreira e preciso admitir: pegar um atalho ou escolher o caminho mais fácil às vezes é bastante tentador. Mas isso nunca gera resultados duradouros nem soluções realmente eficazes.”

Habilidades humanas superam competências técnicas, diz CEO da Delta

Não importa o quanto a tecnologia avance: as pessoas ao seu redor continuam sendo a parte mais importante de qualquer carreira, segundo Bastian.

“Meu melhor conselho é garantir que você cuide das pessoas que ajudaram você a chegar até ali”, disse ele anteriormente à editora-chefe da Fortune, Alyson Shontell.

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Falando no podcast Titans and Disruptors of Industry, Bastian afirmou que a liderança costuma ser associada a confiança, ambição, energia e visão — mas que essas características têm alcance limitado sem uma base sólida nas relações humanas.

“Existe também uma característica muito importante: humildade, junto com a disposição de ouvir mais do que falar, garantir que você valoriza o trabalho das pessoas e conseguir se conectar com elas”, afirmou.

Bastian repetiu uma mensagem parecida em seu discurso aos formandos, defendendo que curiosidade, humildade, gratidão e gentileza são tão importantes quanto conhecimento técnico — embora tenha admitido que encontrar o equilíbrio certo nem sempre é fácil.

“Aprendi mais com meus fracassos do que meus sucessos jamais me ensinaram”, disse ele aos formandos. “É aí que o aprendizado verdadeiro acontece e onde nasce a confiança. Então não tenham medo de arriscar e apostar em vocês mesmos.”

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