Por que a ira nacional volta a transbordar nas lojas da Target dos EUA

Moradores, lideranças religiosas e outros setores cobram posicionamento da empresa após agentes de imigração derrubarem um funcionário da loja

Kim Bhasin, Jacey Fortin e Sheila M. Eldred The New York Times

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A Target se vê, mais uma vez, envolvida na mais recente e rancorosa divisão política dos Estados Unidos, ao enfrentar pressão de moradores, lideranças religiosas e outros setores para se posicionar após agentes de imigração derrubarem um funcionário da loja e o empurrarem para dentro de um SUV.

Vídeos feitos por celulares mostram que agentes da Patrulha de Fronteira detiveram dois funcionários na loja da Target em Richfield, Minnesota, na semana passada. Ambos pareciam estar filmando os agentes, e um deles proferia palavrões na direção deles.

“Eu sou cidadão americano!”, gritava um dos trabalhadores enquanto os agentes o empurravam em direção ao veículo utilitário esportivo. “Cidadão americano! Cidadão americano!”

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Nos dias seguintes, alguns moradores de Richfield, um subúrbio ao sul de Minneapolis, passaram a ter sentimentos ambíguos quanto a fazer compras na loja.

“É terrível”, disse DeAnthony Jones, um cliente que havia visto as imagens do episódio. “Eu provavelmente não deveria estar vindo aqui e dando meu dinheiro para eles.”

A varejista parece não conseguir deixar de ser alvo de boicotes, por uma razão ou outra.

Há anos, os líderes da Target vêm sendo interpelados em abaixo-assinados inflamados, e suas lojas são palco de vídeos virais, enquanto manifestantes de todos os espectros políticos conclamam a empresa a se posicionar sobre uma série de temas, incluindo racismo, direitos LGBTQ+ e programas corporativos de diversidade.

E agora, a aplicação das leis de imigração. Um porta-voz da Target recusou-se a comentar. A empresa ainda não divulgou nenhuma nota pública sobre o incidente em Richfield.

No ano passado, Jones, que mora a cerca de cinco minutos da loja, evitou a Target por um motivo diferente: a empresa havia anunciado que encerraria suas metas de diversidade, equidade e inclusão. Mas a loja oferece produtos que, segundo ele, não encontra em outros lugares, e por isso acabou voltando.

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A sede da varejista fica em Minneapolis, uma cidade ainda abalada pelos protestos furiosos após um agente de imigração atirar e matar, em 7 de janeiro, Renee Good, de 37 anos. (O presidente Donald Trump e outras autoridades defenderam o disparo como legal, afirmando que o agente havia agido em legítima defesa.)

Em fevereiro passado, a Target tornou-se o foco do boicote mais vigoroso até então, devido à reversão de suas políticas de DEI — programas que a empresa antes exaltava, inclusive aqueles que beneficiavam fornecedores negros. Manifestantes se reuniram do lado de fora da sede com cartazes pedindo um “Boicote Nacional à Target”.

O reverendo Jamal Bryant, pastor da New Birth Missionary Baptist Church, próxima a Atlanta, convocou um “jejum” de 40 dias sem compras na Target.

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c.2026 The New York Times Company

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