Pesquisa: Quando é hora de deixar uma carreira pela qual você é apaixonado

Pesquisa mostra que pessoas sentem medo de serem julgadas por desistir de um trabalho pelo qual são apaixonados

Zachariah Berry Brian J. Lucas Jon M. Jachimowicz Harvard Business Review

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De discursos de formatura a colunas de conselhos de carreira, a recomendação para “seguir sua paixão” está em toda parte. Mas uma série de pesquisas mostra que raramente acertamos de primeira. Buscar uma paixão pode levar ao esgotamento ou a um desalinhamento com a pessoa que você se tornou.

Então, por que é tão difícil para alguém abrir mão de algo pelo qual é — ou já foi — apaixonado?

Em nossa pesquisa recém-publicada, identificamos uma barreira central: o medo de ser julgado por desistir de uma paixão. Seja um professor repensando a sala de aula ou uma enfermeira cogitando deixar a medicina, muitas pessoas temem ser vistas como imorais ou incompetentes ao abandonar aquilo que já consideraram seu propósito.

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Mas aqui está a reviravolta: esse medo, na maioria das vezes, não se confirma.

Em um dos estudos, pedimos a profissionais apaixonados por seu trabalho que imaginassem desistir dele. Depois, perguntamos como eles achavam que seriam julgados em termos de caráter e competência. Em seguida, pedimos a outro grupo, de observadores externos, que avaliassem esses mesmos profissionais diante da hipótese de abandonarem sua paixão.

A diferença foi gritante: os que seguiam sua paixão esperavam ser julgados de forma muito mais dura do que realmente foram. Esse efeito apareceu apenas quando a renúncia envolvia uma paixão. Quando perguntamos sobre abrir mão de um trabalho pelo qual tinham pouco ou nenhum apego (algo mais próximo de “um emprego para pagar as contas”), a percepção de julgamento bateu com o que os outros realmente pensavam.

Por que essa desconexão? Descobrimos que as pessoas que vivem sua paixão tendem a ruminar sobre todos os motivos que fariam da desistência um sinal de fracasso. Já os observadores, sem o peso emocional da decisão, viam de outra forma: para eles, desistir era uma oportunidade de se reconectar a algo mais alinhado ao que a pessoa realmente deseja.

O mais importante: esse medo de julgamento não afeta apenas o que as pessoas pensam, mas também o que fazem. Em um estudo com doutorandos altamente apaixonados por suas pesquisas, vimos que, quanto mais eles temiam ser julgados por desistir, menos propensos estavam a denunciar condições exploratórias ou injustas em seus programas. Reclamar ou se posicionar contra essas situações poderia ser interpretado como sinal de desapego à sua paixão — o que reforçava o receio de parecerem desistentes. E esse padrão não se restringe à academia: observamos dinâmica semelhante entre professores e enfermeiros.

Em outro estudo, testamos uma forma de reduzir esse medo. Recrutamos professores que eram — ou já tinham sido — apaixonados por lecionar e que pensaram em desistir nos últimos 12 meses. Dissemos a metade deles que, na verdade, as pessoas superestimam o quão duramente serão julgadas por desistir de sua paixão profissional. Duas semanas depois, ao medir suas intenções, vimos que eles estavam mais inclinados a agir em direção à mudança do que o grupo de controle — por exemplo, elaborando um plano de saída ou buscando ajuda para revisar o currículo.

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Em outras palavras, mostrar às pessoas que seus receios de julgamento são exagerados pode ajudá-las a dar o próximo passo em direção a uma nova paixão.