Pedimos à IA para definir em uma palavra o que se espera da economia em 2026

A Fortune colocou as projeções para 2026 de 15 dos maiores bancos de Wall Street em um modelo da Perplexity e pediu uma palavra que resumisse tudo

Eleanor Pringle Fortune

O touro de Wall Street em Manhattan 16/01/2019. (Foto: Reuters/Carlo Allegri)
O touro de Wall Street em Manhattan 16/01/2019. (Foto: Reuters/Carlo Allegri)

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Os mercados estão, em geral, bastante otimistas neste início de ano. Apesar de alguns tropeços relacionados a políticas públicas e sustos de bolha em 2025, o S&P 500, o Dow Jones e a Nasdaq registraram retornos sólidos. E por que isso não continuaria?

Analistas acreditam que os bons tempos vão continuar — em grande parte por causa do enorme pacote de estímulos que deve chegar com o One Big Beautiful Bill Act. No entanto, também há um entendimento entre analistas de Wall Street de que as condições para o sucesso estão ficando cada vez mais estreitas.

Leia também: Entre o rali da IA e o medo de bolha: o cenário que pode sacudir Wall Street em 2026

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Por exemplo, grande parte do otimismo do mercado em 2025 veio da promessa da IA, apesar do aumento das dúvidas sobre como e quando essas apostas vão se pagar. Se surgir qualquer notícia capaz de assustar a confiança, isso pode ter um impacto desproporcional nas ações.

Da mesma forma, a economia conseguiu resistir aos possíveis efeitos negativos de tarifas, política de imigração, inflação e emprego. Até agora, os empregadores têm conseguido encontrar um equilíbrio: a redução da confiança empresarial e a alta de preços, que levaram a cortes de pessoal, foram compensadas pelo encolhimento do mercado de trabalho, já que pessoas foram obrigadas ou decidiram deixar os Estados Unidos.

Mas e se fosse preciso resumir tudo isso em uma única palavra? Bem, graças ao poder da IA, dá para fazer isso. A Fortune colocou as projeções para 2026 de 15 dos maiores bancos de Wall Street em um modelo da Perplexity e pediu que ele resumisse tudo em uma única palavra:

Ele cuspiu “precário”.

O raciocínio da Perplexity será familiar para muitos de seus usuários humanos. A ferramenta afirmou que os documentos “reconhecem 2026 como um ano de tendências de longo prazo poderosas, combinadas com vulnerabilidades estruturais. Os mercados são resilientes, mas frágeis, dependentes de condições estreitas se mantendo enquanto os riscos se acumulam nos âmbitos geopolítico, monetário e de avaliação.”

O paradoxo da IA

O equilíbrio mais delicado — pode-se dizer, precário — que os investidores precisam alcançar em 2026 é entre oportunidade e histeria quando o assunto é IA.

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Em uma nota intitulada “Promise and Pressure”, a CEO da J.P. Morgan Wealth Management, Kristin Lemkau, observou que, em 2026, “a IA está prestes a transformar setores e oportunidades de investimento, mas também traz o risco de entusiasmo exagerado.”

As big techs triplicaram seus gastos anuais em investimentos (capex), passando de US$ 150 bilhões em 2023 para o que pode superar US$ 500 bilhões em 2026, afirma o JPM, e quase 40% do valor de mercado do S&P 500 sente impacto direto das percepções ou realidades ligadas ao uso de IA.

A bolha das pontocom continua sendo um alerta para muitos. O JPM escreve que estabeleceu cinco indicadores para identificar um possível retorno desse tipo de euforia irracional.

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No primeiro, capacidade, a instituição observa que o setor está conseguindo acompanhar confortavelmente a demanda.

O segundo é a abundância e disponibilidade de crédito, que a “operação IA” tem, observando: “Os mercados públicos estarão dispostos a financiar as maiores empresas de tecnologia, todas com spreads mais apertados do que o amplo índice investment grade.”

O terceiro é o obscurecimento de risco, por exemplo, por meio de critérios frouxos de concessão de crédito ou padrões financeiros frágeis. O banco afirmou estar “procurando sinais” desse tipo de comportamento e destacou preocupações com investimentos “circulares” dentro da cadeia de suprimentos da IA.

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No quesito especulação, o diagnóstico foi relativamente positivo: “A euforia está crescendo, mas teria que atingir níveis muito mais altos antes de nos deixar mais cautelosos.”

E, por fim, sobre a diferença entre avaliações e fluxos de caixa, a área de gestão de patrimônio destacou que, na era das pontocom, empresas abriram capital sem receita alguma, mas agora “as empresas de IA geraram seus retornos inteiramente por meio do crescimento dos lucros.”

O JPM concluiu: “Parece claro que os ingredientes para uma bolha de mercado estão presentes. Dito isso, achamos que o risco de uma bolha se formar no futuro é maior do que o risco de já estarmos no auge de uma agora.”

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A frente macro: “precária”

O ano de 2026 parece “qualquer coisa, menos entediante”, segundo a perspectiva global do Deutsche Bank. A fragmentação política interna será um obstáculo na Europa, escreveram os economistas Jim Reid e Peter Sidorov, enquanto a rivalidade entre EUA e China pode voltar com força em novembro, quando expira a atual trégua comercial de um ano.

As probabilidades de recessão “estão um pouco elevadas, dada a natureza precária do mercado de trabalho”, acrescentaram.

Nos últimos meses, a economia dos EUA registrou criação modesta de empregos, embora a taxa de desemprego tenha permanecido relativamente estável enquanto a força de trabalho diminui.

Como explicou à Fortune mais cedo neste ano o chefe de economia da Macquarie, David Doyle: “Estamos nesse equilíbrio, mas, se as demissões aumentarem um pouco, isso pode quebrar o equilíbrio, e o desemprego começa a subir. O outro lado disso é que, depois de superarmos essa fraqueza de curto prazo, é possível que as coisas sigam na direção oposta e o desemprego caia.”

Ele foi acompanhado pelo Goldman Sachs, cujo economista-chefe, Jan Hatzius, escreveu em sua projeção que a principal vulnerabilidade da economia dos EUA é o mercado de trabalho, com uma possível fraqueza empurrando o país para território recessivo.

Embora o Goldman esteja otimista de que isso será evitado, Hatzius afirmou que ainda é “cedo demais para descartar” essa possibilidade.

As discussões sobre trabalho também têm sido a principal força moldando a trajetória do Fed nos últimos meses, permitindo cortes apesar do outro lado da questão — a inflação — continuar teimosamente acima da meta de 2%. De fato, alguns analistas não esperam que ela chegue perto da meta por alguns anos.

Em sua perspectiva para 2026, o economista sênior do Bank of America, Aditya Bhave, e sua equipe escreveram que acreditam que a inflação básica ainda estará em 2,8% no fim de 2026 e em 2,4% no fim de 2027. No curto prazo, isso virá da pressão tarifária, além de um ajuste pontual de nível de preços por causa da Copa do Mundo masculina.

Se tais altas de preços realmente acontecerem, isso pode interromper o ciclo de afrouxamento que muitos analistas esperam do Fed nos próximos anos — mesmo que o banco central tenha um presidente mais com uma postura mais branda no comando.

A questão do consumidor

Desde o fim da pandemia, Wall Street tem sido repetidamente surpreendida pela notável resiliência dos consumidores americanos.

O que surgiu no fim de 2025, no entanto, é que nem todos os consumidores compartilham o mesmo destino: em vez disso, surgiu a chamada economia em formato de “K”.

Como já disse anteriormente à Fortune o economista-chefe da Moody’s Analytics, Mark Zandi, enquanto os mais ricos seguem tranquilos, aproximadamente metade dos americanos está, na prática, em recessão: famílias de baixa renda estão “se segurando financeiramente na corda bamba”, afirmou.

Mas, apesar das preocupações com os conflitos que a economia americana precisa atravessar para ter sucesso, a perspectiva geral continua otimista.

A Vanguard, por exemplo, destacou o fato de que 2025 foi um ano positivo contra todas as probabilidades, observando: “Apesar de grandes ventos contrários em 2025, como tarifas crescentes, repentina estabilização da oferta de trabalho e desaceleração do crescimento, as economias se mantiveram firmes.”

O Deutsche Bank concluiu: “Embora nossos economistas e estrategistas globais estejam, em grande parte, positivos para 2026, não espere facilidade quanto à volatilidade e às oscilações de sentimento.”

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