Disney destronada: parque de Dubai bate Magic Kingdom e vira o mais visitado do mundo

Uma atração criada como feira temporária em Dubai recebeu mais visitantes por dia do que o Magic Kingdom e colocou em xeque o reinado de décadas da Disney no setor

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O Magic Kingdom, da Disney, em Orlando, perdeu o posto de parque temático mais visitado do mundo para uma atração em Dubai chamada Global Village, que começou como uma pequena feira temporária montada em um estacionamento.

Por mais de duas décadas, o Magic Kingdom liderou o ranking de frequência anual de parques temáticos da Themed Entertainment Association (TEA). Embora o parque continue figurando entre os principais do mundo, uma nova análise revelou que ele já não é o líder absoluto que muitos imaginavam.

A Disney continua sendo, com folga, a operadora de parques temáticos com o maior público combinado do planeta. Seus 14 parques em quatro países receberam 145,2 milhões de visitantes em 2024, segundo os dados mais recentes da TEA. A principal joia desse portfólio é justamente o Magic Kingdom, que registrou média de 48.732 visitantes por dia no ano passado.

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O Global Village, porém, alcançou média de 49.505 visitantes diários. O parque atraiu 10 milhões de pessoas em apenas 202 dias de operação, já que permanece fechado durante o intenso verão de Dubai. Além disso, funciona em horários cerca de 38% mais curtos do que os do Magic Kingdom, o que faz com que sua frequência por hora seja aproximadamente 33% maior que a da concorrente em Orlando.

Frequentação da Disney está em queda

O Magic Kingdom lidera os rankings da TEA desde o início da série histórica, em 2006. Nesse período, porém, o número anual de visitantes cresceu apenas 7,2%, atingindo 17,8 milhões.

Em vez de buscar volumes cada vez maiores de público, a estratégia da Disney tem sido aumentar os gastos de cada visitante. Isso ajuda a explicar por que a frequência nos parques americanos da empresa caiu 1% no ano passado, enquanto o gasto por visitante subiu 5%.

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Esse aumento não se deve apenas aos preços de alimentos, bebidas e produtos licenciados, mas também aos ingressos. Em 2006, uma entrada de um dia para o Magic Kingdom custava US$ 63. Neste ano, ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 200.

A realidade é bem diferente nos Emirados Árabes Unidos, um dos mercados de parques temáticos que mais cresceram no mundo nas últimas duas décadas. Em 2006, o país contava com poucos parques de grande porte. Desde então, Abu Dhabi e Dubai inauguraram atrações ligadas a marcas como Lego, Ferrari, SeaWorld, Sony e Warner Bros. Nos próximos anos, também devem receber parques temáticos inspirados em Harry Potter e Disney.

Embora os Emirados sejam frequentemente associados ao luxo e à extravagância, seus parques não estão entre os mais caros do mundo.

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Há uma razão para isso: a economia do país foi construída sobre petróleo e gás, mas, diante da necessidade de diversificar receitas, o governo investiu pesadamente em turismo e entretenimento. Os ingressos são mantidos em níveis relativamente acessíveis para atrair visitantes, enquanto os investimentos em atrações buscam estimular o retorno do público.

Projetado por um ex-executivo da Disney

A estratégia foi um trunfo para o Global Village, criado pelo governo de Dubai em 1996 como uma atração temporária.

O local ocupava inicialmente uma área de cerca de 5 hectares em um estacionamento e reunia quiosques representando dez países, barracas de comida típica, apresentações culturais e artesanato.

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Mesmo funcionando por poucas semanas, o evento tornou-se um sucesso, especialmente entre famílias, por oferecer uma experiência multicultural sem a necessidade de viajar para outros países. O crescimento foi tão rápido que a feira precisou mudar repetidamente para espaços maiores.

Em 2004, o Global Village já ocupava quase 15 hectares e recebia 3,1 milhões de visitantes por ano. O aumento do porte tornou inviável continuar mudando de endereço, levando à instalação em um local permanente no ano seguinte.

O plano diretor do novo complexo, com cerca de 160 hectares, foi desenvolvido pelo falecido designer Eddie Sotto, veterano da Disney. Ele se inspirou no Epcot, parque futurista da companhia em Orlando.

Assim como o Epcot, o Global Village divide-se entre pavilhões temáticos de países e uma área dedicada a brinquedos radicais e simuladores. Ambos contam com shows de fogos e espetáculos noturnos em lagos centrais.

As atrações do Global Village exigem ingressos separados e incluem carrossel, roda-gigante, montanha-russa, torre de queda livre, cinemas 5D, simuladores e até um “teatro voador”, em que os visitantes ficam suspensos diante de uma tela gigante.

Diferentemente dos parques da Disney, o complexo é predominantemente ao ar livre. Para evitar o calor extremo de Dubai, funciona apenas no fim da tarde e à noite, entre outubro e maio.

Nos últimos 30 anos, mais de 100 milhões de pessoas já visitaram o parque. Em 2024, ele bateu recorde com 10 milhões de visitantes, superado no ano seguinte, quando atingiu 10,5 milhões.

Entre os principais atrativos estão os pavilhões altamente populares nas redes sociais, que reproduzem versões estilizadas de marcos internacionais. A área dedicada ao Japão, por exemplo, é acessada por uma enorme pagoda, enquanto a seção das Américas exibe uma construção inspirada na arquitetura colonial, com uma réplica da Estátua da Liberdade.

Até a gastronomia virou fenômeno viral, com itens como croissants franceses recheados com queijo e carne e cheesecakes italianos preparados com ovos Kinder.

A popularidade é tamanha que, em média, mais pessoas passam pelas catracas do Global Village do que pelas do Magic Kingdom, apesar de o parque operar por apenas cerca da metade dos dias do ano e por menos horas diárias.

O sucesso também ficou evidente durante a guerra no Oriente Médio neste ano. Enquanto outros parques de Dubai permaneceram fechados, o Global Village foi o único a reabrir. Após uma interrupção de apenas 51 dias, voltou a operar em 20 de abril, impulsionado por pedidos de fãs nas redes sociais.

Então por que o Global Village não aparece no ranking oficial?

Mesmo funcionando apenas cerca de 60% do ano, o Global Village recebe mais visitantes do que parques como Animal Kingdom, Hong Kong Disneyland, Universal Studios Florida e Universal Studios Hollywood, todos abertos o ano inteiro.

Na prática, o parque deveria ocupar a 12ª posição na lista da TEA. Ainda assim, ele não aparece no ranking.

Segundo Edward Shaw, sócio da consultoria Entertainment + Culture Advisors, responsável pelos dados da TEA, a exclusão está ligada à natureza híbrida da atração.

“Historicamente, não consideramos o Global Village um parque temático no sentido tradicional, com atrações permanentes reunidas sob um único ingresso, mas sim uma feira multicultural que também oferece brinquedos pagos à parte”, explicou.

A justificativa, porém, é contestada. Outros parques listados pela TEA também operam de forma sazonal ou cobram ingressos adicionais para algumas atrações.

Além disso, o próprio Global Village se define como parque temático, e a Associação Internacional de Parques de Diversões e Atrações (IAAPA) reconhece essa classificação.

Para Phil Taylor, diretor da consultoria Team Leisure Consulting, a ausência pode estar ligada à evolução gradual do empreendimento.

“Há algumas décadas ele realmente não podia ser descrito como um parque temático. Mas a incorporação crescente de elementos de narrativa, ambientação e entretenimento típicos desse segmento o colocou claramente nessa categoria”, afirmou.

Taylor acrescenta que o Global Village “certamente se tornou um dos parques temáticos de melhor desempenho do mundo e merece estar incluído nos rankings da TEA”.

A entidade afirma que continua revisando seus critérios de classificação. Se o parque de Dubai acabará reconhecido oficialmente como o mais visitado do planeta, só o tempo dirá.

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