Novo co-CEO da Paramount contratou um barista sem currículo e dá conselho à geração Z

Ynon Kreiz, CEO da Mattel escolhido para ajudar a comandar a Paramount, diz que algumas das melhores oportunidades surgem fora das telas: “Olhe para cima e faça contato visual”

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O herdeiro bilionário David Ellison escolheu nesta semana o CEO da Mattel, Ynon Kreiz, para atuar como co-CEO da Paramount Skydance, colocando-o no comando das operações diárias da companhia e da integração da aquisição de US$ 110 bilhões da Warner Bros. Discovery.

Embora possa parecer incomum escolher o executivo responsável por marcas como Barbie, Hot Wheels e Fisher-Price para ajudar a liderar um dos maiores grupos de mídia do mundo, a decisão está alinhada a uma carreira marcada por apostas pouco convencionais. De investir em um filme da Barbie a dar uma oportunidade a um barista, Kreiz construiu sua trajetória apostando em pessoas e ideias fora do comum.

Em um discurso para formandos da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, no ano passado, Kreiz contou que costuma trabalhar aos fins de semana em um café e que chamou sua atenção um dos atendentes pela “eficiência e interação com os clientes”.

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“Um dia, tirei os olhos do laptop e perguntei: ‘De onde você é?’”, relembrou.

O homem explicou que era um refugiado iraniano que havia deixado a família aos 21 anos, passado três anos em acampamentos na Turquia aguardando um visto para os EUA e chegado sozinho ao país. Tinha diploma em ciência da computação e havia aprendido inglês por conta própria, mas sua experiência profissional se limitava a trabalhos como barista e garçom.

“Mais importante do que suas notas, era alguém que teve a coragem de fugir de um passado difícil, buscar uma vida melhor e trabalhar sozinho para perseguir seus objetivos”, disse Kreiz. “Alguém com esse tipo de determinação merecia uma chance.”

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Kreiz o apresentou à Mattel, que o contratou como estagiário. Segundo ele, o profissional se tornou um dos funcionários de melhor desempenho e hoje integra a equipe global de tecnologia da empresa.

Para o executivo, a experiência mostrou que algumas das oportunidades profissionais mais valiosas surgem ao levantar os olhos da tela e conversar com a pessoa à sua frente.

“Olhe para cima e faça contato visual”, aconselhou.

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“No mundo do Zoom, do trabalho remoto e da IA agentiva, as interações pessoais e as conversas informais são mais importantes do que nunca. A conexão humana continua sendo o maior superpoder da humanidade.”

Três décadas até o topo da mídia

Kreiz cresceu em uma família de classe média em Israel. Seu pai era engenheiro e sua mãe, psicóloga.

Ainda jovem, traçou um plano de sete anos para construir uma carreira nos negócios americanos. Após cumprir o serviço militar obrigatório em Israel, formou-se em economia e administração pela Universidade de Tel Aviv e concluiu um MBA na UCLA em 1993.

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Durante os estudos em Los Angeles, conheceu o magnata da mídia Haim Saban, responsável por uma empresa especializada em programação infantil.

“Fiz meu MBA na UCLA, mas meu doutorado foi com Haim”, disse Kreiz em entrevista à Fortune.

A relação ajudou a impulsionar sua carreira. Juntos, fundaram a Fox Kids Europe, que Kreiz comandou a partir de Londres até a venda da empresa para a Disney, em 2002.

Posteriormente, liderou a produtora holandesa Endemol, criadora de programas de sucesso como Big Brother, e passou pelo setor de venture capital.

Em 2012, assumiu a direção da Maker Studios, produtora de vídeos digitais que enfrentava dificuldades financeiras. Quatro anos depois, vendeu a empresa para a Disney por US$ 500 milhões.

Ele entrou para o conselho da Mattel em 2016 e assumiu o cargo de CEO em 2018, após um período de instabilidade em que a fabricante de brinquedos teve quatro presidentes executivos em apenas quatro anos.

A aposta na Barbie

Na Mattel, Kreiz buscou transformar a companhia de brinquedos em uma empresa de entretenimento e propriedade intelectual, baseada em franquias e fãs.

Uma de suas maiores apostas foi também uma das mais arriscadas: transformar Barbie em um filme.

O roteiro, porém, retratava a Mattel de forma nada lisonjeira.

“Imagine que você recebe o roteiro que aguardava ansiosamente e descobre que sua principal marca é chamada de fascista, sua empresa é retratada como uma das piores da América corporativa e você, como CEO, aparece como um bufão chauvinista”, contou.

“Agora imagine não apenas aprovar o filme, mas apostar a visão estratégica da empresa nele.”

Em vez de moldar o projeto aos padrões tradicionais de Hollywood, Kreiz apoiou a diretora Greta Gerwig e a atriz Margot Robbie, aceitando inclusive o tom crítico e bem-humorado em relação à própria Mattel.

O resultado foi um fenômeno cultural. O filme se tornou a maior bilheteria de 2023 e segue sendo o maior sucesso da história da Warner Bros.. A Mattel também colheu os resultados: as vendas de bonecas Barbie cresceram 16% no terceiro trimestre daquele ano.

O sucesso da produção pode ter contribuído para que Kreiz fosse escolhido agora para liderar a integração entre Paramount e Warner. Mas, para ele, a principal lição vai além da boneca.

“A lição de Barbie é simples: não tenha medo de quebrar convenções. Nem toda boa ideia tem um precedente”, afirmou.

“Se você estiver sempre procurando referências do passado, não será a pessoa que criará as referências do futuro.”

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